O DIA DA CONTA CHEGOU: STJ CONDENA GLADSON CAMELI A 25 ANOS DE PRISÃO
Foto: Sérgio Vale
Rapidinhas
com UJrtigaDoJuruá
Gontran
Neto, maio 06, 2026
STJ
IMPÕE 25 ANOS DE PRISÃO A GLADSON CAMELI
O ex-governador Gladson Cameli (PP) foi condenado por unanimidade pelo Superior
Tribunal de Justiça (STJ), nesta quarta-feira (6), a uma pena de 25 anos e 9
meses de reclusão. A sentença estabelece o cumprimento inicial em regime
fechado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva,
peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
O LONGO CAMINHO ATÉ O VEREDITO
O desfecho começou a ser traçado, bem antes de dezembro de 2025, quando a
ministra relatora, Nancy Andrighi, votou pela condenação, perda do cargo e
aplicação de multa. O julgamento chegou a ser interrompido por um pedido de
vista do ministro revisor, João Otávio Noronha, que devolveu o processo à Corte
após pouco mais de 90 dias, permitindo a conclusão do rito processual nesta semana.
PLURALIDADE DE VOTOS, UNANIMIDADE NA
CULPA
Não houve hesitação quanto à autoria dos crimes. Acompanharam o voto rigoroso
da relatora os ministros Maria Thereza de Assis Moura, Isabel Gallotti, Luis
Felipe Salomão, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Sérgio
Kukina e Francisco Falcão.
DIVERGÊNCIA APENAS NA DOSIMETRIA
Houve divergência apenas na dosimetria (tempo da pena): o revisor João Otávio
Noronha sugeriu 16 anos de prisão, sendo seguido pelos ministros Raul Araújo e
Sebastião Reis Júnior. Prevaleceu, contudo, a punição mais severa proposta por
Andrighi. No final 11 ministros votaram, 8 pela condenação de 25 anos e 9
meses, e 3 pela pena de 16 anos.
AS CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS: FICHA
LIMPA
Além da reclusão, o impacto eleitoral é imediato. Sob o rigor da Lei da Ficha
Limpa, Cameli torna-se inelegível por ter sido condenado por um órgão colegiado
em crimes contra a administração pública. Na prática, ele fica impedido de
disputar cargos públicos por 8 anos. Juristas apontam que, dada a robustez do
acórdão, a reversão dessa inelegibilidade é improvável, mantendo-se ainda todas
as medidas cautelares anteriormente impostas.
A RESPOSTA DURA DA JUSTIÇA
Há um antigo preceito latino que diz: 'Ne nuntium necare'. Durante
este processo, muitos tentaram 'matar o mensageiro' com ofensas e ataques à
honra de quem apenas relatava os fatos. A sentença de hoje é a resposta
rigorosa da lei. E, embora o Estado de Direito assegure o contraditório e o
direito a recursos, adiando a prisão até o trânsito em julgado, a justiça se
mantém firme no rito institucional, ao contrário daqueles que buscaram a via
sombria da ruptura democrática.
CORRIDA PELO SENADO SOB NOVA DIREÇÃO
A disputa pelas duas cadeiras no Senado em 2026 promete ser uma das mais
acirradas da história recente. Até ‘ontem’, Gladson Cameli era o favorito
absoluto para ocupar uma das vagas; hoje, com a decisão da Justiça, ele é um
nome fora do jogo. E não adianta recorrer ao argumento do “tapetão”, o choro é
livre e a sentença é clara.
DE ONTEM: INTENÇÃO DE VOTO ESTIMULADA
DA VERITÁ
Neste cenário, onde os nomes são apresentados ao eleitor, o equilíbrio é a
marca principal: Gladson Cameli (PP): 38,2%, Jorge Viana (PT): 19,8%, Márcio
Bittar (PL): 15,9%
DE HOJE: O TABULEIRO FOI EXPLODIDO
Esqueçam as previsões feitas até aqui. Agora, preparem os tamborins para a
debandada. No meio político, a fidelidade costuma durar apenas enquanto dura o
poder, e muitos daqueles que juraram lealdade eterna ao ex-governador já
começaram a recalcular a rota.
INTENÇÃO DE VOTO ESPONTÂNEA: A FORÇA
DA MEMÓRIA
Curiosamente, quando o eleitor é consultado sem o auxílio de uma lista, a ordem
dos favoritos se inverte, revelando o peso da memória política e a força das
bases tradicionais. cenário espontâneo apresenta: Jorge Viana (PT):
Lidera com 33,3%. Gladson Cameli (PP): Aparece em segundo com 30,2% e Márcio
Bittar (PL): 21,8%.
O VOTO QUE NÃO CHEGARÁ ÀS URNAS
O dado levanta um questionamento inevitável após o veredito do STJ: o que
acontece com os 30,2% de Gladson? Com a condenação de hoje, o ex-governador
torna-se um "fantasma" nas pesquisas. Ele possui o recall, mas não
possui a legenda.
ESTATÍSTICA DE MUSEU
Para Jorge Viana, a notícia consolida uma liderança isolada. Para Márcio
Bittar, abre-se uma avenida de oportunidades para herdar o espólio conservador
e governista que ficará órfão. A condenação de hoje não apenas tira Cameli do
páreo, mas força o eleitorado a buscar um novo nome para polarizar com o PT. O
"favoritismo" de Gladson agora é apenas uma estatística de museu; a
eleição real, de fato, começa agora.
