Do Confisco à Pandemia: Quatro Décadas de Política Nacional e o Desafio de Superar Polarizações
Desde a
redemocratização, o Brasil viveu diferentes ciclos políticos e econômicos. De
Collor a Bolsonaro, passando por FHC, Lula, Dilma e Temer, cada governo deixou
marcas distintas em áreas como educação, saúde, segurança, emprego, habitação e
saneamento. No entanto, muitos brasileiros — especialmente jovens — desconhecem
essa trajetória e acabam presos a narrativas polarizadas, seja pela esquerda ou
pela direita. Este artigo busca oferecer uma visão comparativa e realista, para
que o eleitor compreenda melhor os caminhos já percorridos e os desafios que
permanecem.
Na
educação, FHC consolidou avanços no ensino fundamental,
enquanto Lula e Dilma expandiram universidades e programas como ProUni e
FIES.
Na
saúde, Bolsonaro reduziu investimentos em ciência e
tecnologia, gerando estagnação. O SUS, criado em 1988, foi fortalecido nos anos
1990 e 2000; o programa Mais Médicos ampliou a cobertura na era Lula/Dilma; já
Bolsonaro enfrentou a pandemia com atraso na compra de vacinas e queda na
expectativa de vida.
Na
segurança pública, os avanços foram tímidos em todos os
governos, mas a flexibilização de armas no governo Bolsonaro aumentou a
violência armada.
No emprego, Plano
Real trouxe estabilidade com FHC, Lula reduziu o desemprego com crescimento
econômico, Dilma enfrentou recessão, e Bolsonaro registrou desemprego elevado e
informalidade crescente.
Na
habitação, Minha Casa, Minha Vida ampliou o acesso à moradia
popular nos anos 2000, mas Bolsonaro substituiu por Casa Verde e Amarela, menos
abrangente.
No
saneamento básico, os avanços foram lentos em todos os
governos; o marco legal do setor, entre 2017 e 2020, buscou ampliar
investimentos privados, mas as desigualdades persistem.
Conclusão.
A trajetória política nacional revela avanços e retrocessos ao longo das
últimas décadas. Collor simbolizou a transição democrática; FHC trouxe
estabilidade econômica; Lula ampliou a inclusão social; Dilma enfrentou crises;
Temer priorizou reformas; e Bolsonaro registrou retrocessos em saúde, educação
e políticas sociais. Seu governo é amplamente considerado o mais (fraco)
problemático do período pós-regime militar, sobretudo pela gestão da pandemia,
pelos cortes em políticas sociais e pelo baixo desempenho
econômico.
O
eleitor precisa compreender que nenhum governo é absoluto em conquistas ou
fracassos. A polarização entre esquerda e direita muitas vezes distorce a
realidade. O desafio atual é superar narrativas reacionárias e construir uma
visão crítica baseada em dados e história, não em paixões ideológicas.
Júlio
César Cardoso
Servidor
federal aposentado
Balneário
Camboriú-SC
