Fraudes no INSS e crime organizado marcam CPIs em 2025
Crédito: Carlos Moura
Ano após ano, diferentes temas ganham destaque e viram alvo de
investigação no Congresso. Em 2025, parlamentares concentraram esforços nas
fraudes do INSS, abriram apurações sobre o crime organizado e concluíram os
trabalhos das CPIs das Bets e da Manipulação de Apostas Esportivas.
Instalada em 20 de agosto, a Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) que investiga descontos ilegais nas folhas de aposentados e
pensionistas do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e deve retomar os
trabalhos em fevereiro, focando em empréstimos consignados irregulares.
Até agora, as investigações apontam que sindicatos e associações
utilizavam convênios com o INSS para descontar mensalidades sem autorização. Na
próxima fase, a comissão analisará fraudes em empréstimos consignados, com
suspeitas de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que
geraram dívidas impagáveis.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), estima
que mais de 1,6 milhão de aposentados sofreram descontos indevidos. Ele
destacou a dimensão bilionária do esquema:
— Há indícios de até R$ 1,2 bilhão em movimentações
incompatíveis e dezenas de milhões retirados dos aposentados todos os meses —
afirmou.
Em fevereiro, a comissão fará o primeiro balanço do relatório preliminar,
sob relatoria do deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O prazo para encerramento
é março de 2026, mas parlamentares já discutem a prorrogação para ouvir todos
os convocados. Só em uma reunião, no fim de novembro, foram aprovados 300
requerimentos de convocação de autoridades e pedidos de informação.
— Pelo que temos visto, pela quantidade de documentos e pela
quantidade de envolvidos, as datas que temos disponíveis, em dois meses, vão se
exaurir muito rapidamente — destacou o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana
(Podemos-MG), ao informar a apresentação de um pedido de prorrogação.
Investigações e prisões
Até a última reunião, 26 testemunhas foram ouvidas, incluindo os
ex-ministros da Previdência Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni. Um dos depoimentos mais
marcantes foi o de Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o
“Careca do INSS”, preso preventivamente em setembro. Segundo a CPMI, ele seria
o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses, valor
que incluiria o pagamento de propina a servidores para facilitar descontos
fraudulentos.
O relator Alfredo Gaspar qualificou Antunes como “autor do maior
roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”.
O balanço parcial da CPMI mostra a dimensão do esquema: 4,8 mil
documentos analisados, 73 requerimentos de informação, 48 quebras de sigilo,
108 empresas suspeitas e mais de R$ 1,2 bilhão em movimentações incompatíveis.
— Essa comissão é um acerto moral de contas do Brasil com a
geração que construiu o país — disse Viana.
Fonte: Agência Senado
