BASTIDORES E URTIGADAS NO CENÁRIO POLÍTICO EM CRUZEIRO DO SUL
"Tinha dois candidatos, mas um traiu,
agora só tenho um, o Nicolau Júnior"
Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
Gontran Neto, Abril 25, 2026
PARECE QUE NÃO HÁ RANÇO (OU SERÁ TEATRO?)
O prefeito Zequinha Lima (PP) resolveu ‘sextar’, neste dia 24, em clima de
"paz e amor" com a inauguração da sede Regional Educacional Santa
Luzia/Campinas.
no Projeto Santa Luzia. Acompanhado de vereadores e do deputado Nicolau Júnior
(PP), o cenário foi montado para enterrar os boatos de atrito.
SEM RESSENTIMENTOS
Para quem vê de longe, tudo são mil maravilhas; para quem conhece o xadrez
político, sabe que o riso largo muitas vezes esconde o dente afiado. O
"ranço", dizem, ficou na porteira. Será?
O BANQUETE DOS JUSTOS
A recepção para o almoço ficou por conta do Secretário de Agricultura, Nildson
Moura, e sua senhora. No cardápio, segundo um convidado, fartura, toque
artístico e aquela hospitalidade que eles sabem oferecer. Entre um quitute e
outro, a política era o prato principal, mastigada com o cuidado de quem não
quer engasgar-se com as próprias alianças.
O "CAMARADA"
Onde há políticos e uma plateia em torno de 80 pessoas, o palanque é
inevitável. Vários tentaram a sorte, mas quem roubou a cena foi o próprio
Zequinha. Com um discurso inflamado que resgatou seus tempos de comunista raiz,
o prefeito subiu o tom, engrossou a voz e distribuiu recados com a sutileza de
um elefante em loja de cristais.
DOIS NOMES, UMA TRAIÇÃO E UM UNGIDO
Zequinha não é de guardar segredo quando o assunto é mágoa. Em alto e bom som,
o prefeito abriu o jogo sobre sua estratégia para a Assembleia Legislativa. O
plano original previa dois nomes, mas, segundo o próprio, a "traição"
bateu à porta. Sem citar o nome do Judas, ele decretou: agora o apoio é
exclusivo. Nicolau Júnior reina sozinho para o prefeito.
O SILÊNCIO QUE GRITA
O mais curioso, porém, foi o que não foi dito. Antes da ‘garfada’, Zequinha
parece ter sofrido de amnésia seletiva. Não houve uma vírgula sobre a
"aliada" Mailza Assis (PP), que mofas nas pesquisas e trabalha por
visibilidade. O governador Gladson Cameli e o senador Márcio Bittar também
foram sumariamente ignorados no roteiro.
SILÊNCIO ENSURDECEDOR
Fazer "beicinho" e jurar fidelidade exclusiva a Nicolau Júnior não
foi apenas um gesto de amizade; foi um recado de guerra. Zequinha Lima deixou
claro que está jogando o seu próprio jogo e quem não estiver no seu GPS pessoal
que trate de comprar um mapa. No seu palanque, o roteiro é dele, a caneta é
dele e o brilho é dele.
O RESTO?
Como o prefeito bem demonstrou ao ignorar nomes de peso do estado, o resto não
passa de mero figurante de luxo em um teatro onde só há espaço para um
protagonista.
MENDICÂNCIA CULTURAL
É fundamental que a sociedade de Cruzeiro do Sul entenda como a engrenagem está
(ou não) funcionando. O prefeito Zequinha Lima parece ter riscado a palavra
"investimento próprio" do dicionário da cultura. Segundo fontes do
setor, a classe artística amarga um jejum de quatro anos sem um centavo sequer
da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
LAVOU AS MÃOS
Na prática, a gestão municipal lavou as mãos e deixou os artistas locais à
própria sorte, transformando o apoio à arte em uma lenda urbana.
CORTESIA COM O CHAPÉU DO LULA
Toda a movimentação cultural que ainda respira em Cruzeiro do Sul não tem o DNA
da prefeitura. O oxigênio vem direto de Brasília, via Governo Federal, através
dos repasses da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Enquanto o Executivo
Municipal se omite, o dinheiro do governo Lula é que garante o sustento dos
editais e eventos.
BOLETO PAGO PELA UNIÃO
É cômodo para o prefeito posar para fotos de eventos culturais quando o boleto
é pago integralmente pela União. A classe artística não é boba e já define a
situação como omissão total, pois em quatro anos, a prefeitura não conseguiu
construir uma política pública de cultura que não dependa de repasses
obrigatórios de outros entes. É a gestão do "nada fiz, mas apareci".
MEMÓRIA EM RUÍNAS: O ENTERRO DO PATRIMÔNIO
É impossível fechar os olhos para o crime que a gestão atual comete contra a
história de Cruzeiro do Sul. O Mirante do CAS, que carrega o DNA da nossa
fundação, hoje jaz entregue à vulnerabilidade das ruas, esquecido por quem
deveria protegê-lo. É o retrato fiel de uma administração que não respeita o
passado e, por consequência, não planeja o futuro.
O INESQUECÍVEL SAMAMBAIA CLUBE
O que dizer do lendário Clube Samambaia? Um espaço que já foi palco de eventos
sociais inesquecíveis e marcas profundas na nossa sociedade, hoje é um
esqueleto de lembranças. Até a escola de informática que ali funcionava foi
enterrada pela gestão. Atualmente, o nome do clube é interpretado literalmente,
só restaram as "samambaias" ao redor do prédio para enganar o povo e
esconder a negligência.
DESMEMORIADA PELA POLÍTICA
A Praça da Bandeira, conhecida carinhosamente pela população como a “Praça de
Cima”, onde já foi celebrado o novenário da cidade, hoje desmemoriada. A
omissão dessas riquezas é profunda e vergonhosa.
CARTÃO-POSTAL PARA OS ANTIGOS
Onde deveríamos ter preservação e orgulho, temos abandono. Aquilo que já foi o
cartão-postal e a alegria da família cruzeirense virou um monumento à
incompetência. Tratam o nosso patrimônio material como se fosse lixo,
esquecendo que um povo sem memória é um povo fácil de ser enganado.
