TRAGÉDIA NA PONTE EXPÕE R$ 170 MILHÕES EM OBRAS NO ACRE
Construtora
ligada a obras que somam cerca de R$ 170 milhões no Acre passa a ser alvo de
questionamentos após queda da Ponte Frei Paolino; governo estuda
responsabilização e investigação busca esclarecer as causas do acidente.
Entregue
há pouco mais de dois anos como uma das principais obras de mobilidade urbana
de Sena Madureira, a Ponte Frei Paolino Baldassari tornou-se palco de uma
tragédia que deixou quatro feridos e colocou sob escrutínio contratos públicos,
projetos de engenharia e mecanismos de fiscalização do Estado (as imagens
registradas por Gleison José, do ContilNet https://contilnetnoticias.com.br/),
revelam a dimensão do desastre).
O
caso ganha dimensão ainda maior porque envolve uma das empresas mais presentes
nas grandes obras de infraestrutura executadas pelo Estado nos últimos anos. A
Construtora Cidade esteve à frente ou integrou consórcios responsáveis por pelo
menos três dos maiores empreendimentos viários realizados durante a gestão de
Gladson Cameli: a Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, orçada em
R$ 36 milhões; a ponte e o Anel Viário de Brasiléia/Epitaciolândia, com investimento
de R$ 60,4 milhões; e a 6ª Ponte do Arco Viário de Rio Branco, contratada por
R$ 73,7 milhões. Juntas, as obras somam cerca de R$ 170 milhões em contratos
públicos.
Os
contratos foram celebrados ao longo do período em que Gladson Cameli comandou o
Executivo acreano. Em 2 de abril deste ano, o então governador renunciou ao
cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. Com sua saída, a
vice-governadora Mailza Assis assumiu a chefia do Executivo estadual e passou a
conduzir a administração responsável pela apuração do desabamento da ponte.
Pouco
mais de um mês depois, em 6 de maio, Cameli foi condenado pela Corte Especial
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e 9 meses de prisão pelos
crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, peculato,
lavagem de dinheiro e fraude em licitações. A decisão também fixou multa e
indenização ao poder público. Por ter sido condenado por órgão colegiado, o
ex-governador passou a se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade previstas
pela Lei da Ficha Limpa. Assim, uma eventual candidatura ao Senado dependerá da
suspensão dos efeitos da condenação por decisão judicial durante a tramitação
dos recursos.
A
principal frente de atuação do governo do Acre é a responsabilização da empresa
encarregada da obra. A avaliação preliminar do Estado é de que a construtora
pode ser obrigada a executar a reconstrução da estrutura e reparar os danos
decorrentes do acidente sem novos desembolsos do poder público.
O
entendimento se apoia no modelo contratual adotado para a obra. Nesse formato,
a empresa assumiu tanto a elaboração dos projetos quanto a execução dos
serviços, concentrando a responsabilidade técnica sobre a solução de engenharia
utilizada. Embora a ponte tenha recebido o aceite definitivo da administração
pública em janeiro de 2024, a estrutura permanece dentro do período legal de
garantia.
A
Procuradoria-Geral do Estado analisa medidas para assegurar eventual
ressarcimento, incluindo ações voltadas à recomposição da obra, atendimento às
vítimas e preservação de recursos suficientes para cobrir possíveis custos
futuros.
