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Projeto da ponte que caiu no Acre reconheceu erosão, mas não comprova estudo sobre “terras caídas”

Projetos, relatórios e memórias de cálculo apontam medidas contra erosão, mas não demonstram análise específica do fenômeno que provoca o desmoronamento de barrancos na Amazônia.


A análise dos principais documentos técnicos que fundamentaram a construção da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, indica que os projetistas reconheceram a existência de processos erosivos nas margens do Rio Iaco e incorporaram diversas medidas de contenção e drenagem para proteger a estrutura. No entanto, os documentos examinados não evidenciam, de forma clara, a realização de um estudo específico sobre o fenômeno regionalmente conhecido como “terras caídas”, caracterizado pelo desmoronamento progressivo de barrancos provocado pela ação do rio e pela instabilidade dos solos amazônicos.


A conclusão decorre da análise do Volume I – Estudos e Sondagens, dos Relatórios Técnicos nº 4152785, 4351746 e 4418410, dos Projetos Executivos nº 4152905 e 4152914, dos Estudos Técnicos nº 4153028, 4153132 e 4153158 e das Memórias de Cálculo nº 4152954 e 4351712, documentos que serviram de base para o dimensionamento das soluções estruturais, hidráulicas e geotécnicas da obra.


Nos estudos e relatórios técnicos examinados, os próprios projetistas registram a existência de “grande erosão no barranco do rio, com ênfase na margem esquerda”, justamente a área urbana onde foram implantados os acessos da ponte. Em resposta a esse diagnóstico, os Projetos Executivos nº 4152905 e 4152914 e as Memórias de Cálculo nº 4152954 e 4351712 previram um sistema de drenagem composto por galerias subterrâneas, bocas de lobo, caixas coletoras e canaletas de concreto destinadas a conduzir as águas pluviais para longe dos taludes.


A documentação técnica também descreve a instalação de canaletas ao longo dos barrancos das duas margens do Rio Iaco, ancoradas por blocos de concreto e estacas metálicas profundas, com comprimentos variando entre 12 e 20 metros. Segundo as especificações analisadas, o objetivo dessas estruturas era reduzir processos erosivos nas encostas do rio.


Os Relatórios Técnicos nº 4152785 e 4351746, juntamente com os Projetos Executivos nº 4152905 e 4152914, também registram a previsão de muros de arrimo, contenções estruturais, dissipadores de energia para reduzir a velocidade da água nos pontos de lançamento da drenagem e proteção dos taludes com revestimento em pedra argamassada e cobertura vegetal.


Já o Volume I – Estudos e Sondagens e os Estudos Técnicos nº 4153028, 4153132 e 4153158 demonstram a realização de sondagens geotécnicas do tipo SPT, ensaios laboratoriais, análises granulométricas e demais investigações necessárias à caracterização dos solos e ao dimensionamento das fundações e dos acessos da ponte.


Apesar desse conjunto de medidas, a análise dos documentos técnicos não identificou referências explícitas a estudos de evolução das margens do Rio Iaco, modelagem de erosão lateral, cálculo de recuo dos barrancos, migração do canal fluvial ou análises específicas sobre o fenômeno das “terras caídas”. Tampouco foram localizados, nos documentos examinados, estudos voltados à estabilidade global das margens sob a ótica da dinâmica fluvial amazônica.


A distinção é relevante. Enquanto drenagem, canaletas, dissipadores, contenções e proteção de taludes são medidas tradicionalmente empregadas para combater erosão superficial e proteger os acessos de uma estrutura, o fenômeno das “terras caídas” envolve processos mais complexos relacionados à erosão da base dos barrancos pelo rio, à saturação dos solos e à perda progressiva de estabilidade das margens.


Com base nos documentos efetivamente analisados — Volume I – Estudos e Sondagens; Relatórios Técnicos nº 4152785, 4351746 e 4418410; Projetos Executivos nº 4152905 e 4152914; Estudos Técnicos nº 4153028, 4153132 e 4153158; e Memórias de Cálculo nº 4152954 e 4351712 — é possível afirmar que o projeto reconheceu a existência de erosão e incorporou medidas preventivas para mitigá-la. Entretanto, a documentação examinada não evidencia, de forma clara, que tenha sido realizado um estudo específico para caracterizar e dimensionar os efeitos do fenômeno das “terras caídas” sobre as margens do Rio Iaco.


A resposta definitiva dependerá das perícias técnicas em andamento e da análise integral dos memoriais hidrológicos, hidráulicos e geotécnicos utilizados na elaboração do empreendimento 


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