Segurança pública está abandonada
Décadas
de omissão política e ausência de estratégia nacional transformaram facções
criminosas em forças com influência territorial e institucional.
A segurança pública foi relegada a segundo plano após a redemocratização do país. A criminalidade cresce de forma alarmante e não pode ser ignorada pelas autoridades. O problema não se limita ao meio social, fruto da ausência de políticas públicas responsáveis, mas também ao meio político. No Rio de Janeiro, há exemplos de políticos condenados por diversos crimes, evidenciando a infiltração da corrupção e da criminalidade na própria esfera de poder.
Desde a redemocratização, governos negligenciaram a segurança pública, priorizando interesses particulares, reeleições e loteamento de cargos. O Brasil está há décadas sob forte influência de organizações criminosas, infiltradas na política, em administrações e até no comando de cidades. Medidas efetivas para desarticulá-las não foram adotadas.
O
Partido dos Trabalhadores, que até maio de 2026 soma cerca de 17 anos no poder,
pouco avançou na área. A segurança nunca figurou como prioridade em suas
plataformas de governo. O resultado é a insegurança generalizada, que hoje
figura entre os principais problemas nacionais, afetando o direito de ir e vir
e prejudicando cidadãos e empresas. Enquanto a população vive com medo,
presidentes e ex-presidentes contam com proteção vitalícia paga pelos contribuintes.
Casos
que ilustram o absurdo da situação: a fuga cinematográfica em presídio de
segurança máxima no Rio Grande do Norte, tratada pelo então ministro Ricardo
Lewandowski como "tudo sob controle"; ou o recente episódio em que um
membro do Comando Vermelho monitorava, do Complexo do Alemão, a cidade de
Cabedelo, na Paraíba. O Rio de Janeiro segue palco diário de tiroteios,
tratados de forma "técnica" em vez de cirúrgica, favorecendo mais os
"direitos humanos" dos criminosos do que a proteção da população
honesta.
A
questão é clara: governos têm medo dos bandidos? Minha crítica apartidária é
direcionada ao Partido dos Trabalhadores, que falhou em assumir a
responsabilidade de moralizar e estruturar a segurança pública brasileira.
Somente em abril de 2025 o governo apresentou a PEC da Segurança, aprovada pela
Câmara em março de 2026, mas ainda parada no Senado. A proposta não detalha
operações específicas contra facções como o Comando Vermelho ou o PCC, nem
descreve um plano imediato de ação. Trata-se de uma medida pró-forma, sem
efeito prático no combate à criminalidade.
Enquanto
isso, seguimos reféns da bandidagem espalhada pelo país. Sem coragem política e
sem prioridade real, a segurança pública continuará abandonada — e o Brasil,
entregue ao medo.
Júlio
César Cardoso
Servidor
federal aposentado
Balneário
Camboriú-SC
