Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
Publicado em 09/05/2026
Por Gontran Neto
A POPULAR
"CARONA"
O cruzeirense precisa estar atento para conhecer como os recursos do município
de Cruzeiro do Sul são aplicados. Mais do que nunca, é preciso compreender e
questionar por qual motivo esta gestão se apega tanto ao procedimento de Adesão
à Ata de Registro de Preços, a popular "carona".
CARONA FÁCIL
O Urtiga já fez várias publicações sobre o uso dessa modalidade de licitação
pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Só no ano de 2025, os valores contratados
ultrapassaram a casa dos R$ 30 milhões. Já houve "carona" nas mais
distintas atas e de várias regiões diferentes.
RODOVIAS BOAS
Começa no Acre, passa por Rondônia, dá uma parada em Roraima e chega até o
estado de Minas Gerais. Tudo isso transitando por órgãos das três esferas:
Municipal, Estadual e Federal.
ASFALTO NO SACO
Para não perder o costume de pegar carona, neste início de ano o registro
já se aproxima dos R$ 3 milhões. O caso mais recente ocorreu em 19 de abril de
2026, no valor de R$ 275 mil, para a aquisição de 10 mil sacos (25kg) de
asfalto frio, com valor unitário de R$ 27,50.
CARONA VERDE-OLIVA
Ressalte-se que é importante e necessário recuperar as ruas da cidade, que
estão em situação crítica. No entanto, o detalhe interessante é que esta carona
foi "verde-oliva", pois o órgão gerenciador da ata é o 6º Batalhão de
Engenharia de Construção (6º BEC), sediado em Boa Vista (RR).
LEGALIDADE
A Adesão à Ata de Registro de Preços é uma modalidade legal que evita
burocracias, mas possui limites rigorosos. Geralmente, a adesão não pode
ultrapassar 50% dos quantitativos dos itens registrados na ata original para
cada órgão aderente. Outro fator crucial: todo órgão que pega
"carona" precisa apresentar uma justificativa técnica e econômica
provando que essa adesão é mais vantajosa do que realizar uma licitação
própria.
INFRUTÍFERA
Até tentei encontrar uma justificativa plausível para entregar aos leitores do
Blog, mas a busca segue tão infrutífera quanto asfalto em dia de chuva forte.
Vou continuar procurando; quem sabe, por um milagre, eu "ache".
LABIRINTO DIGÍTAL
Ao questionar a prefeitura de Cruzeiro do Sul, amparado pelas leis municipal e
estadual, recebi aquela resposta clássica, curta e grossa: "está tudo no
Portal da Transparência". É o famoso labirinto digital. Pelo visto, a
transparência deles é tão cristalina que a gente olha, olha e não enxerga nada.
Mas não tem problema: sou persistente. Um dia a gente encontra... ou o asfalto
acaba primeiro.
INEXIGIBILIDADE: O ATALHO PREFERIDO
Em breve, traremos um levantamento detalhado sobre o montante de dinheiro
público que pegou o 'atalho' da inexigibilidade nos últimos dois anos.
Vasculhando essas contratações diretas, encontramos 'curiosidades' tão
interessantes que deixariam qualquer fiscal de braços cruzados boquiaberto. O
povo de Cruzeiro do Sul vai adorar saber onde cada centavo foi parar, ou
melhor, em que mãos ele foi parar sem precisar de concorrência.
PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS
(PAA): MUITO "LIKE", POUCA VERDADE
Entre os diversos programas sociais resgatados pelo governo Lula, o PAA brilha
como uma vitrine de sucesso. É a simbiose perfeita entre as secretarias de
agricultura (estadual e municipal) e o suor do produtor familiar. Para quem
vive de caçar "likes" nas redes sociais, o programa é um prato cheio,
e bem apimentado, para "vender" uma gestão eficiente às custas do
trabalho alheio.
MEMÓRIA CURTA E FALTA DE GRATIDÃO
O cenário é sempre o mesmo: o Mercado Público vira palco de ato político, com
câmeras a postos e discursos inflamados para a entrega dos produtos às
entidades. O que falta, porém, é a honestidade intelectual. O "pai da
criança", o Governo Federal, portanto o governo Lula, raramente é citado.
SEQUESTRO DE MÉRITOS
Em alguns momentos, a palavra "União" parece proibida. O que vemos é
um verdadeiro "sequestro de mérito": gestores que limitam o discurso
para usurpar a autoria de um programa que, de fato, é um sucesso de
distribuição de renda, mas que eles apresentam como se fosse uma invenção
própria, na maior "cara de pau".
A MAQUIAGEM NAS CESTAS E NO "MINHA
CASA, MINHA VIDA"
E o oportunismo não para no PAA. A tática se repete nas cestas básicas e no
Minha Casa, Minha Vida Rural. Recursos carimbados que vêm de Brasília para
saúde, educação e infraestrutura são devidamente "maquiados" para
turbinar a imagem de sucessores ou dos próprios chefes do Executivo local e
estadual.
MILAGRE MUNICIPAL
No Vale do Juruá, a omissão virou estratégia: escondem o responsável pela ação
para tentar transformar convênio federal em milagre municipal.
