Deputada Socorro Neri apresenta projeto de lei que autoriza segurança privada em escolas
Após
o ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco (AC), que deixou duas
funcionárias mortas e dois feridos, a deputada federal Socorro Neri protocolou
o Projeto de Lei nº 2285/2026, que autoriza Estados e o Distrito Federal a
contratarem serviços de segurança privada para atuação em escolas públicas de
educação básica.
Embora
a tragédia ocorrida na capital acreana reforce a urgência do debate, a proposta
é fruto de elaboração técnica anterior e busca oferecer uma resposta estrutural
— e não reativa — ao problema da violência no ambiente escolar.
"O
que aconteceu em Rio Branco é doloroso e exige resposta. Mas a violência nas
escolas não é um fenômeno isolado nem recente, e as soluções não podem ser
improvisadas. Esse projeto vinha sendo construído justamente para oferecer uma
alternativa técnica, equilibrada e respeitosa à autonomia das comunidades
escolares", afirma a deputada, que é educadora de formação e foi gestora
pública na área educacional.
A
proposta apresenta uma alternativa equilibrada ao debate sobre violência
escolar, ao condicionar a medida à solicitação da Secretaria de Educação, à
concordância do Conselho Escolar e à avaliação técnica das Secretarias de
Segurança Pública.
Também
determina que todas as escolas elaborem um Plano de Prevenção e Proteção contra
a Violência no Ambiente Escolar, construído com participação da comunidade
escolar. O plano deverá incluir diagnóstico dos fatores de risco, medidas
preventivas e educativas, protocolos para situações de risco, estratégias de acolhimento
e articulação entre educação, segurança pública, assistência social e saúde. A
eventual contratação de segurança privada só poderá ocorrer se estiver prevista
nesse plano, como medida complementar às ações de prevenção, cultura de paz e
proteção integral dos estudantes.
O
projeto se diferencia de outras propostas em tramitação por três pontos
centrais: não impõe a contratação de segurança armada de forma generalizada,
exige formação específica dos profissionais em direitos da criança e mediação
de conflitos, e indica o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) como fonte
preferencial e compatível para o custeio das ações, sem comprometer as
políticas educacionais financiadas com recursos constitucionalmente vinculados
à educação básica.
"A
escola precisa ser ambiente seguro, mas também espaço de convivência
democrática, acolhimento e aprendizagem. Por isso, medidas de reforço à
segurança precisam ser adotadas com critério, proporcionalidade e participação
da comunidade escolar", complementa a parlamentar.
Pelo
texto, a presença de segurança armada só será autorizada quando expressamente
justificada em avaliação técnica, considerando o grau de risco da unidade, a
faixa etária dos estudantes, a localização da escola, o histórico de
ocorrências e a existência de outras medidas preventivas já adotadas. Fica
vedada a adoção automática ou compulsória de segurança armada em todas as
escolas públicas.
O
PL também estabelece que os profissionais contratados deverão receber formação
em direitos da criança e do adolescente, prevenção e mediação de conflitos,
abordagem não violenta, proteção integral e atendimento humanizado. Os Estados
e o Distrito Federal ficarão obrigados a instituir mecanismos de monitoramento,
transparência e avaliação das ações implementadas, com manifestação periódica
da comunidade escolar sobre a continuidade da medida.
Na
justificação da proposta, a deputada ressalta que o financiamento da segurança
escolar deve observar a natureza da despesa e a sustentabilidade das políticas
educacionais, apontando o Fundo Nacional de Segurança Pública como instrumento
mais compatível para apoiar ações especializadas de proteção no ambiente
escolar.
O
texto também preserva expressamente as políticas de prevenção à violência,
cultura de paz, apoio psicossocial e articulação intersetorial entre educação,
segurança pública, assistência social, saúde e sistema de garantia de direitos.