O ECO DE UM SILÊNCIO COMPARTILHADO: PARTE II
Imagem/Reprodução
Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
Gontran Neto, Abril 18,2026
CARA DE FELICIDADE?
Na última semana, esta coluna destacou a "cara de felicidade", ou a
total falta dela, entre Zequinha Lima e o ex-prefeito Henrique Afonso em uma
agenda oficial, evidenciando um mal-estar que os presentes sentiram na pele.
Mas o enredo ganhou um novo capítulo. O "Urtiga" pescou outra imagem,
desta vez em um encontro de prefeitos na capital com a governadora Mailza
Assis.
O DESTAQUE?
O semblante nitidamente desgostoso do prefeito de Cruzeiro do Sul que, diga-se
de passagem, parecia ser o avesso da governadora naquele momento. A foto não
mente: o clima entre Zequinha e uma ala poderosa do PP está mais carregado que
nuvem de temporal, revelando o quão tensionado está o ambiente políco. Portanto, não é boato da mídia.
A REALIDADE CHANCELA O ARGUMENTO
Para quem achava que era apenas leitura de bastidor, o próprio prefeito tratou
de dar o carimbo de realidade. Em entrevista recente à imprensa, Zequinha abriu
o peito em um verdadeiro desabafo. Ele deixou claro que a relação com o Palácio
Rio Branco atravessa águas turvas, pontuando que joga conforme a realidade, e a
realidade hoje é que o Governo parece estar empurrando-o e outros aliados
históricos para a escanteio.
SE NÃO ME QUEREM, EU VOU EMBORA
Aborrecido com o figurino que lhe reservaram, Zequinha mandou o recado sem
curvas: “Eu sou aliado, sempre quis ser e quero continuar sendo, mas
parece que algumas pessoas não querem que a gente seja aliado”. O tom é de quem
cansou de bater na porta e não ser atendido.
VALORIZAR QUEM É DA CASA
O prefeito criticou duramente a engenharia da "aliança ampla". Para
ele, a pressa em ganhar a eleição está fazendo com que outros atores
políticos cheguem como protagonistas, enquanto quem é "da casa"
acaba alijado do processo. Zequinha cobra reconhecimento e respeito. Pelo
visto, o desabafo foi tão didático que ele nem precisou desenhar.
O CONTRASSENSO DA TESE
Mas, como política é a arte das contradições, há um certo nó no discurso. Ao
mesmo tempo que reclama do isolamento dos aliados, o prefeito parece ignorar
que o deputado federal Zezinho Barbary (PP), aliado de primeira hora e legítimo
"da casa", vem sendo trocado pelo pré-candidato Fábio Rueda (UB). Ou
seja: o isolamento que Zequinha sofre do Governo é o mesmo que Barbary estaria
sofrendo na esfera municipal?
ANTONIA SALES ENTREGA EMENDAS
Enquanto o clima esquenta no executivo, a deputada estadual Antônia Sales (MDB)
segue cumprindo agenda de entregas. Ao lado da governadora Mailza Assis e dos
vereadores Franciney (PP), Mazinho (MDB) e Cosmo (MDB) e outros agentes
políticos a parlamentar entregou hoje (18), no Mercado Zeca Valdomiro, veículos
e insumos para produtores rurais. Foram também R$ 20 mil para alevinos e R$ 30
mil para o futebol da zona rural. Trabalho de base que fala.
COM A PALAVRA, A GOVERNADORA
Ao jornalista Alexandre Gomes, a governadora Mailza exaltou a parceria com
Antônia Sales e aproveitou para lançar uma isca política: confirmou que a vaga
de vice em sua chapa está aberta para o MDB. Citou Jéssica Sales como uma opção
viável, mas deixou a bola com o partido. O aceno ao MDB é um movimento
estratégico que, com certeza, vai dar o que falar entre os aliados que hoje se
sentem "esquecidos".
AUSÊNCIAS QUE FALAM
O termômetro final do isolamento foi visto hoje: em um ato que deveria
demonstrar a união entre PP e MDB, a ausência de Zequinha Lima (ou de qualquer
enviado seu) foi o comentário geral. Se a "aliança ampla" quer
sobreviver até as urnas, vai precisar de muito mais do que fotos oficiais; vai
precisar de diálogo real, coisa que, no momento, está em falta em Cruzeiro do
Sul entre eles.
Ramal São João/Rio Branco/
Imagem /Rede Social: Francisco Panthio
PEGO NA FAKE NEWS
O pré-candidato ao governo, Tião Bocalom, subiu o tom na Rádio Integração na
manhã desta sexta (17). Com o entusiasmo de quem já se sente no Palácio, enfatizou
que 80% dos ramais de Rio Branco estão com acesso garantido de "inverno a
verão".
Segundo ele, como
prefeito, resolveu o escoamento da produção com "ramais de vergonha".
Contudo, a propaganda esbarra na dura realidade das redes sociais do ativista
político Francisco Panthio.
RAMAL SÃO JOÃO – EM RIO BRANCO ACRE
Imagens que circulam desmentem o otimismo do prefeito e revelam que o problema
nunca foi a caneta, mas a mão que a segura. Deslumbrado pelo poder, Bocalom
parece ter entrado naquela fase em que só enxerga o próprio reflexo, ignorando
o barro que ainda trava a vida do produtor.
Imagem/Reproduzida
FIM DA LINHA
A precariedade dos ramais em Cruzeiro do Sul atingiu o limite da indignação. No
Ramal do Pentecostes, a dificuldade de deslocamento deixou de ser um transtorno
para virar um perigo real. O "Urtiga" recebeu um registro que resume
o descaso.
INTRAFEGÁVEL
uma cena perigosa onde dois ônibus escolares tentavam trafegar em direções
opostas em um trecho completamente intrafegável. Entre o barro e a falta de
manutenção, estão nossos alunos e alunas, arriscando a segurança para garantir
o direito de estudar. Enquanto os discursos políticos brilham, o ramal cobra o
preço da negligência.
