O ECO DE UM SILÊNCIO COMPARTILHADO
Raçpidinhas com Urtiga do Juruá
Gontran Neto, abril
16, 2026
O DIVÓRCIO ENTRE O PALANQUE E A CANETA
Quem te viu, quem te vê. Zequinha Lima e Henrique Afonso, outrora unidos
pela foice e pelo martelo e pela gestão de Cruzeiro do Sul, hoje mal
parecem habitar o mesmo quadrante político.
DIVÓRCIO ANUNCIADO
A imagem que chegou a esta coluna é o retrato de um divórcio anunciado: um
clima pesado que dispensa legendas. Fica claro que a antiga parceria de
prefeito e vice sucumbiu a novos (e divergentes) objetivos
O NAUFRÁGIO DO CONSENSO
Uma das nossas "abelhinhas", daquelas que não perdem um zum-zum-zum
de bastidor, relatou que o discurso de Henrique Afonso foi um verdadeiro
exercício de equilibrismo e gelo. Em sua fala, Afonso não gastou um miligrama
de saliva para mencionar o nome do chefe do Executivo local.
EM UM PEDESTAL
O "carinho", porém, sobrou para a governadora Mailza Assis, colocada
devidamente em um pedestal de destaque.
NA MESMA MOEDA
Zequinha Lima, que não é de levar desaforo para casa nem no ‘bolso do paletó’,
deu o troco na mesma moeda: em seu diálogo com a plateia, ignorou solenemente a
existência da governadora, que, detalhe, é do seu próprio partido.
A MORAL DA HISTÓRIA?
No PP de Cruzeiro do Sul, o consenso pediu chapéu e foi embora. O que sobrou
foi um "salve-se quem puder" em um barco que já começou a entrar
água.
A ARROGÂNCIA DOS "JÁ GANHOU" E O TIRO NO PÉ NO MDB
O tabuleiro sucessório ao governo do Acre desenha um cenário de guerra de foice
no escuro. As pesquisas não mentem: a direita lidera, mas o clima é de
"cada um por si". Com Alan Rick na dianteira e o empate técnico
entre Tião Bocalom e Mailza Assis, a única certeza matemática é que ninguém
leva a fatura no primeiro turno.
MIOPIA
A disputa está acirrada, mas o que chama a atenção não são os números, e sim a
miopia de quem deveria saber ler o cenário.
O "ARROTO" DA SOBERBA
O perigo mora na soberba. Certos "líderes" políticos, daqueles que já
deveriam estar usufruindo da aposentadoria, dado o prazo de validade vencido de
suas ideias, andam arrotando uma autossuficiência perigosa. No auge do delírio,
pregam abertamente que "não precisam" do voto de quem um dia flertou
com o PT. É a política da exclusão em um estado onde cada voto é uma pepita de
ouro.
O AGRADECIMENTO AO MDB
Para os estrategistas de gabinete do MDB, fica aqui um aviso: a matemática do
segundo turno é a soma das rejeições. Ao demonstrarem repulsa pública e
hostilizarem fatias do eleitorado, os "cardeais" emedebistas (que
escaparam pela mão do Gladson) estão fazendo um favor gigantesco aos
adversários.
O RECADO É CLARO
Se a chapa Mailza/Jéssica esperava herdar votos de centro ou da esquerda
moderada em uma eventual final, já pode enviar um buquê de flores ao MDB. A
língua afiada de certos aliados é, hoje, o maior cabo eleitoral da oposição.
Quem cospe para cima, costuma esquecer a lei da gravidade.
MARINA SILVA: O SUCESSO NA SELVA DE PEDRA
Marina Silva é, sem dúvida, o maior nome da política acreana no cenário global,
mas parece que o título de "profeta em sua terra" não lhe cabe mais.
Com um currículo que impõe respeito, foi a senadora mais jovem do país em 1994,
vereadora, deputada e ministra por duas vezes (deixando o cargo agora, em abril
de 2026, com o dever cumprido), Marina hoje é um fenômeno eleitoral... em São
Paulo.
A IRONIA É FINA E CORTA COMO FOLHA DE CANA
A mesma mulher que ajudou a desenhar o Acre moderno, se tentasse um cargo
majoritário por aqui hoje, correria o risco de não ganhar nem para centro
acadêmico.
LÍDER NA CAPITAL DO TRABALHO
Enquanto no Acre o silêncio sobre seu nome impera, em São Paulo ela dita o
ritmo. O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta
quinta-feira (16), mostra Marina Silva liderando com folga todos os cenários
para as duas cadeiras do Senado em 2026. Com números que batem na casa dos 37%
de intenções de voto, ela deixa para trás figurões da política paulista.
A PERGUNTA QUE FICA NO AR
Por que o eleitor paulista enxerga em Marina o ouro que o eleitor acreano
decidiu enterrar? Pelo visto, o Acre prefere exportar seus talentos para vê-los
brilhar bem longe das bandas do Rio Acre. É o orgulho acreano que o estado, por
pura birra política, decidiu não consumir.
