CPMI do INSS aprova plano de trabalho; ex-ministros serão ouvidos
Geraldo
Magela/Agência Senado
A comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS aprovou o plano de trabalho e vai ouvir os gestores da Previdência Social de 2015 a 2025. A decisão é fruto de acordo entre parlamentares do governo e da oposição na segunda reunião da comissão, que ocorreu nesta terça-feira, 26.
Senadores e deputados aprovaram o plano de trabalho do relator, o
deputado Alfredo Gaspar (União-AL) e elegeram o deputado Duarte Jr. (PSB-MA)
como vice-presidente da CPMI. O nome foi acordado entre governo e a oposição.
As investigações não protegerão nem perseguirão ex-integrantes de
qualquer governo, disse o presidente da CPMI, Alfredo Gaspar, ao apresentar o
plano de trabalho. Segundo o relator, a CPMI terá o desafio de contornar a
desconfiança da população em relação aos políticos.
Os esquemas a serem investigados teriam descontando indevidamente
cerca de R$ 6,3 bilhões dos benefícios previdenciários no período de 2019 até
2024. As fraudes foram reveladas na operação Sem Desconto, da Polícia Federal
em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo o relator, cerca
de 9 milhões de aposentados e pensionistas foram prejudicados.
Acordo
Um acordo entre a base do governo e a oposição estendeu a lista de
autoridades a serem ouvidas para incluir todo o período desde 2015. Antes, a
previsão era que fossem votados apenas os ex-ministros Eduardo Gabas, do
governo Dilma Rousseff; José Carlos Oliveira, do governo Bolsonaro; e Carlos
Roberto Lupi, do atual governo Lula.
Os ministros da Previdência que ocuparam o cargo no período serão
convidados, ou seja, o comparecimento será facultativo em um primeiro momento.
Convocações
Já as autoridades convocadas, com presença obrigatória, serão
aquelas que ocuparam, desde 2015, a:
- presidência do INSS;
- presidência do Dataprev, empresa estatal
que oferece serviços de tecnologia para o INSS;
- diretoria de benefícios previdenciários
do INSS;
- presidência das associações que tiveram
acordo de cooperação com o INSS, o que permitia os descontos automáticos
nos benefícios;
Órgãos públicos
Chefes de órgãos como Polícia Federal, Defensoria Pública da União
(DPU) e CGU também serão convocados. Esses e outros órgãos terão de enviar
informações à comissão sobre suas próprias investigações sobre as fraudes. São
eles:
- INSS;
- Supremo Tribunal Federal;
- Ministério da Previdência;
- Tribunal de Contas da União;
- Conselho Nacional de Previdência Social.
Também será ouvido o advogado Eli Cohen, mencionado no REQ
826/2025 como um dos responsáveis pela descoberta dos descontos indevidos em
benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Os parlamentares buscarão identificar os prejudicados pelas
fraudes para a reparação das perdas. Trata-se de uma forma de compensar os
danos para além de simplesmente devolver o dinheiro, segundo Alfredo Gaspar.
Outras medidas a serem adotadas serão:
- levantamento das denúncias de fraudes
junto ao Poder Judiciário, Ministérios Públicos, Defensorias Públicas e
polícias;
- visitas ao INSS;
- debates com especialistas;
- atuação conjunta com outros órgãos de
investigação.
A comissão, formada por 15 senadores e 15 deputados, terá até 28
de março de 2026 para concluir seus trabalhos.
Fonte: Agência Senado