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O Brasil está a
exatos três meses do pleito eleitoral, um período que, para muitos candidatos
em busca do sucesso nas urnas, funciona quase como um "vale-tudo". No
cenário atual, podemos dizer que existem verdadeiros "Golias" na
disputa. Eles não se destacam pelo tamanho ou pela força física, mas sim pelo
imenso poder econômico, um gigante que os torna fortes e, às vezes,
aparentemente imbatíveis diante daqueles que tentam conquistar seu espaço com
ideias novas, propostas realistas e respeito ao eleitorado.
A ARROGÂNCIA PRECEDE
A RUÍNA
No entanto, a
história nos lembra que os gigantes caem. Na tradição bíblica, Golias era o
temido herói de guerra do exército filisteu, mas acabou abatido pelo jovem
pastor Davi. Com inteligência, habilidade e uma estratégia certeira, Davi
derrotou o gigante que assombrava o antigo povo de Israel (uma referência
histórica que, vale pontuar, não tem relação com o Estado de Israel atual). Nas
urnas, assim como no vale, a verdadeira força nem sempre vem do tamanho do
bolso, mas da precisão das ideias.
ISOLAMENTO PALACIANO:
AS TRÊS FORÇAS QUE FALTAM AO GOVERNO
Um governo que
caminha para completar oito anos de gestão conseguiu a incrível façanha de
chegar às vésperas da eleição de 2026 sem o apoio dos três maiores colégios
eleitorais do Estado do Acre. O racha se consolidou nas principais bases: na
capital, com Alysson Bestene (PP); no segundo maior polo, Cruzeiro do Sul, com
o prefeito Zequinha Lima (PP); e em Sena Madureira, com Gerlen Diniz (PP).
AMADORISMO POLÍTICO?
Diante desse cenário,
fica a pergunta: o ex-governador Gladson Cameli (PP), a governadora Mailza
Assis (PP) e o comando da Aleac foram inábeis na condução do próprio grupo ou
faltou habilidade político? O fato isolado e indigesto é que esses prefeitos e
lideranças decidiram marchar longe da pré-candidatura de Mailza Assis ao
governo, deixando a cúpula palaciana isolada onde mais precisava de votos.
MOVIMENTAÇÕES NO
PARLAMENTO MIRIM
Não interpreto
vontades, apenas relato acontecimentos. Desta vez, não foi a famosa
"abelhinha" que tudo sabe e tudo vê, mas uma fonte igualmente bem
informada que trouxe o termômetro dos bastidores: há uma forte expectativa no
Parlamento Mirim sobre os próximos passos do prefeito Zequinha Lima.
NÃO EXISTE ALMOÇO
GRÁTIS
Após declarar apoio
ao pré-candidato ao governo, Alan Rick, e pedir afastamento do PP, a pergunta
que ecoa nos corredores da Câmara é se Zequinha vai cobrar a fatura dos
vereadores aliados que hoje usufruem de espaços e benesses no Poder Executivo.
Afinal, no xadrez político, todo mundo sabe que não existe almoço grátis. Quem
quiser continuar governista, talvez tenha que recalcular a rota.
O TESTE DE LIDERANÇA
DO PREFEITO
Uma coisa é certa: o
prefeito Zequinha Lima terá que mostrar força real de liderança. Ao romper com
seu grupo político, ele passa a enfrentar o maior desafio de sua trajetória
como autoridade municipal: buscar votos fora de sua zona de conforto,
"fora do seu muro".
JOGO DE ALTO RISCO
A missão não será
fácil. Os cinco deputados estaduais cruzeirenses eleitos em 2022 são aliados de
primeira hora da pré-candidata Mailza Assis e, consequentemente, não vão
aceitar passar vergonha nas urnas em seu próprio reduto. O cenário que se
desenha para os próximos meses em Cruzeiro do Sul não aceita amadores; a
disputa será, genuinamente, uma briga de foice no escuro.
EXPOACRE JURUÁ:
CRACHÁ OFICIAL NO MEIO DO RODEIO
O Estado não está bem
das pernas economicamente. Basta ver a situação dos ramais por todo o Acre, sem
recursos para melhorias; o Deracre, que atrasou o pagamento dos terceirizados;
e o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que enfrenta sérias dificuldades para
assistir seus pacientes e existe, ainda, outros absurdos. No entanto, os cofres
parecem cheios na hora de custear a vinda de uma equipe massiva de secretarias
de Rio Branco para “coordenar” os trabalhos na Expoacre Juruá.
O ESTADO TAMBÉM QUER
COMER CHURRASQUINHO
O Governo veio para o
Juruá e trouxe a máquina pública na mala. Isso chama a atenção. Não que as
portas da feira devam ser fechadas, mas é evidente que não é necessária a
presença de tantos “superiores”. Quanto mais os shows contam com cantores
de primeira linha, mais diárias são utilizadas sob o pretexto de “melhorar o
trabalho nas tendas”. Contudo, os agentes do primeiro escalão não fazem uma
única visita às estruturas físicas do município para dialogar com os servidores
locais.
INVISÍVEIS NA FEIRA
AGROPECUÁRIA
Quando os servidores
de Cruzeiro do Sul protestam contra a arrogância institucional dos
"capa-pretas" da capital, a feira agropecuária surge como o
laboratório perfeito para comprovar essa tese. O evento escancara uma divisão
de castas: uniformes exclusivos e mimos são privilégios reservados à comitiva
de Rio Branco.
CORTE E PROVÍNCIA
Enquanto os
residentes da "corte" desfrutam de tratamento VIP, os servidores
primos pobres da "província" enfrentam o descaso nos bastidores,
atuando em estandes desprovidos de estrutura básica, sem água e sem sequer uma
cadeira para sentar-se. O brilho da feira, afinal, camufla o desprezo por quem
de fato sustenta o interior.