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GIGANTES DE PÉS DE BARROS

 

Imagem produzida com uso de IA

Rapidinhas com UrtigaDoJuruá

Glontran Neto, 3 julho 2026

O "VALE-TUDO" DOS 90 DIAS

O Brasil está a exatos três meses do pleito eleitoral, um período que, para muitos candidatos em busca do sucesso nas urnas, funciona quase como um "vale-tudo". No cenário atual, podemos dizer que existem verdadeiros "Golias" na disputa. Eles não se destacam pelo tamanho ou pela força física, mas sim pelo imenso poder econômico, um gigante que os torna fortes e, às vezes, aparentemente imbatíveis diante daqueles que tentam conquistar seu espaço com ideias novas, propostas realistas e respeito ao eleitorado.

A ARROGÂNCIA PRECEDE A RUÍNA

No entanto, a história nos lembra que os gigantes caem. Na tradição bíblica, Golias era o temido herói de guerra do exército filisteu, mas acabou abatido pelo jovem pastor Davi. Com inteligência, habilidade e uma estratégia certeira, Davi derrotou o gigante que assombrava o antigo povo de Israel (uma referência histórica que, vale pontuar, não tem relação com o Estado de Israel atual). Nas urnas, assim como no vale, a verdadeira força nem sempre vem do tamanho do bolso, mas da precisão das ideias.

ISOLAMENTO PALACIANO: AS TRÊS FORÇAS QUE FALTAM AO GOVERNO

Um governo que caminha para completar oito anos de gestão conseguiu a incrível façanha de chegar às vésperas da eleição de 2026 sem o apoio dos três maiores colégios eleitorais do Estado do Acre. O racha se consolidou nas principais bases: na capital, com Alysson Bestene (PP); no segundo maior polo, Cruzeiro do Sul, com o prefeito Zequinha Lima (PP); e em Sena Madureira, com Gerlen Diniz (PP).

AMADORISMO POLÍTICO?

Diante desse cenário, fica a pergunta: o ex-governador Gladson Cameli (PP), a governadora Mailza Assis (PP) e o comando da Aleac foram inábeis na condução do próprio grupo ou faltou habilidade político? O fato isolado e indigesto é que esses prefeitos e lideranças decidiram marchar longe da pré-candidatura de Mailza Assis ao governo, deixando a cúpula palaciana isolada onde mais precisava de votos.

MOVIMENTAÇÕES NO PARLAMENTO MIRIM

Não interpreto vontades, apenas relato acontecimentos. Desta vez, não foi a famosa "abelhinha" que tudo sabe e tudo vê, mas uma fonte igualmente bem informada que trouxe o termômetro dos bastidores: há uma forte expectativa no Parlamento Mirim sobre os próximos passos do prefeito Zequinha Lima.

NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

Após declarar apoio ao pré-candidato ao governo, Alan Rick, e pedir afastamento do PP, a pergunta que ecoa nos corredores da Câmara é se Zequinha vai cobrar a fatura dos vereadores aliados que hoje usufruem de espaços e benesses no Poder Executivo. Afinal, no xadrez político, todo mundo sabe que não existe almoço grátis. Quem quiser continuar governista, talvez tenha que recalcular a rota.

O TESTE DE LIDERANÇA DO PREFEITO

Uma coisa é certa: o prefeito Zequinha Lima terá que mostrar força real de liderança. Ao romper com seu grupo político, ele passa a enfrentar o maior desafio de sua trajetória como autoridade municipal: buscar votos fora de sua zona de conforto, "fora do seu muro".

JOGO DE ALTO RISCO

A missão não será fácil. Os cinco deputados estaduais cruzeirenses eleitos em 2022 são aliados de primeira hora da pré-candidata Mailza Assis e, consequentemente, não vão aceitar passar vergonha nas urnas em seu próprio reduto. O cenário que se desenha para os próximos meses em Cruzeiro do Sul não aceita amadores; a disputa será, genuinamente, uma briga de foice no escuro.

EXPOACRE JURUÁ: CRACHÁ OFICIAL NO MEIO DO RODEIO

O Estado não está bem das pernas economicamente. Basta ver a situação dos ramais por todo o Acre, sem recursos para melhorias; o Deracre, que atrasou o pagamento dos terceirizados; e o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que enfrenta sérias dificuldades para assistir seus pacientes e existe, ainda, outros absurdos. No entanto, os cofres parecem cheios na hora de custear a vinda de uma equipe massiva de secretarias de Rio Branco para “coordenar” os trabalhos na Expoacre Juruá.

O ESTADO TAMBÉM QUER COMER CHURRASQUINHO

O Governo veio para o Juruá e trouxe a máquina pública na mala. Isso chama a atenção. Não que as portas da feira devam ser fechadas, mas é evidente que não é necessária a presença de tantos “superiores”.  Quanto mais os shows contam com cantores de primeira linha, mais diárias são utilizadas sob o pretexto de “melhorar o trabalho nas tendas”. Contudo, os agentes do primeiro escalão não fazem uma única visita às estruturas físicas do município para dialogar com os servidores locais.

INVISÍVEIS NA FEIRA AGROPECUÁRIA

Quando os servidores de Cruzeiro do Sul protestam contra a arrogância institucional dos "capa-pretas" da capital, a feira agropecuária surge como o laboratório perfeito para comprovar essa tese. O evento escancara uma divisão de castas: uniformes exclusivos e mimos são privilégios reservados à comitiva de Rio Branco.

CORTE E PROVÍNCIA

Enquanto os residentes da "corte" desfrutam de tratamento VIP, os servidores primos pobres da "província" enfrentam o descaso nos bastidores, atuando em estandes desprovidos de estrutura básica, sem água e sem sequer uma cadeira para sentar-se. O brilho da feira, afinal, camufla o desprezo por quem de fato sustenta o interior.

 

 

 

 

 

 


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