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Uma vitória Regada a Lagrimas: A consagração de Adriane Maciel

 

Presidente do TCE Dulce Benício, Adriane Maciel, a Conselheira Naluh Gouveia/Imagem reproduzida pelo site Direto do Planalto/Créditto: Nycolle Damascena, Marcos Dias  e Produtora Rio Branco Filme

Por Neto Gontran,Urtiga do Juruá/janeiro 20,2026

Entre a posse e a saudade 

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-ACRE) viveu uma manhã solene nesta segunda-feira (19). Sob a liderança da presidente e conselheira Dulce Benício, o Plenário da Corte abriu suas portas para dar posse aos novos servidores aprovados no concurso de 2024.

O protocolo foi cumprido com a presença de autoridades e familiares, mas, para além da formalidade e da merecida publicidade do ato, havia histórias que pulsavam mais forte sob as togas e os ternos.

Não me deterei aqui na grandiosidade do evento, mas sim na trajetória de uma nova servidora que, embora compartilhe com seus colegas o mérito da aprovação, carrega em sua posse o peso de uma promessa cumprida.

Adriane Maciel, filha de Cruzeiro do Sul, traz no sangue a herança da educação e da honra. Filha da saudosa professora Carla Simone Maciel e neta de Maria Lúcia Alves Maciel e do respeitado "Diretor" José Siqueira Maciel, Adriane viu sua vida mudar drasticamente ainda na adolescência.

Após o falecimento prematuro da mãe, foram os avós que assumiram o leme de sua criação, tornando-se seu porto seguro.

Mas a batalha começou antes do adeus. A trajetória de Adriane foi forjada no fogo da adversidade quando sua mãe sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. A doença, impiedosa, comprometeu o físico e a memória da professora Carla, criando uma dolorosa inversão de papéis: a filha, que terminava o Ensino Médio e sonhava com o Direito, precisou ver sua maior incentivadora tornar-se dependente.

Imagens reproduzida: Site Direto do Planalto/Crédito:Nycolle Damascena, Marcos Dias e Produtora Rio Branco Filme

Entre o tratamento da mãe em Cruzeiro do Sul e Brasília, e os estudos em Rio Branco, Adriane equilibrou livros e angústias. Teve que amadurecer à força, lidando com críticas e com a impotência que muitas vezes só encontrava vazão nas lágrimas derramadas no travesseiro. O que a manteve de pé foi a certeza do amor dos avós e o pacto silencioso de não fracassar no sonho desenhado a duas mãos com sua mãe.

A primeira grande vitória veio na formatura em Direito, em Rio Branco. Naquele dia, a professora Carla, mesmo com as limitações impostas pela doença, estava presente. Se as palavras lhe faltavam, suas lágrimas falaram por ela. Foi um triunfo abençoado, onde mãe e filha saborearam juntas a concretização de um esforço sobre-humano.

Infelizmente, em 2022, a professora Carla partiu, deixando um vazio imensurável e um novo golpe emocional na estrutura da jovem advogada. No entanto, Adriane buscou forças onde parecia não haver e conquistou sua aprovação no Tribunal de Contas do Estado.

Nesta segunda-feira (19), ao assinar sua posse, Adriane Maciel chorou. Eram lágrimas complexas: a alegria de vencer na vida misturada à saudade aguda de quem não pôde ver esse último capítulo. Mas, ao olhar ao redor e ver os braços dos avós e amigos, Adriane sabe que a energia para sua caminhada de sucesso continua ali, e que sua vitória é a extensão viva da memória de sua mãe.

 


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