Nova era no MP-AC: Oswaldo e Patrícia assumem o comando e reconectam a instituição
Por Chico Araújo*
Oswaldo
D'Albuquerque Lima Neto assume, nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, a
chefia do Ministério Público do Acre (MPAC) como procurador-geral de Justiça
para o biênio 2026-2028. No mesmo ato solene, no auditório do Detran/AC, às
18h, Patrícia de Amorim Rêgo será empossada corregedora-geral do Parquet
acreano.
Conheço ambos desde
os tempos em que cursavam Direito na Universidade Federal do Acre (Ufac). Como
repórter, acompanhei de perto a ascensão de Oswaldo — para mim, o Oswaldinho —
e de Patrícia aos cargos iniciais na carreira ministerial. Oswaldo ingressou no
MPAC em 1994, aprovado em concurso público, e logo se destacou pela dedicação e
pela capacidade de articulação institucional. Patrícia também entrou na
instituição naquele mesmo ano, consolidando-se rapidamente como promotora
atuante e íntegra. A partir daí, ambos se tornaram fontes confiáveis e
valiosas. Graças ao acesso que me proporcionaram, produzi matérias de
repercussão no Acre e em âmbito nacional.
Ver Oswaldo e
Patrícia em posições centrais do MP acreano é alvissareiro. Nos últimos tempos,
a instituição parecia tímida e quase apagada, distante das questões mais
sensíveis para a sociedade. Certa vez, em conversa recente em Brasília,
perguntei a uma procuradora amiga o motivo daquele retraimento institucional,
sobretudo no combate mais firme à corrupção e em temas cruciais para o povo
acreano. “O MP está desligado da tomada”, respondeu ela, lacônica. Em seguida,
arriscou: “Em breve, isso muda”. Àquela altura, já se articulava a eleição de Oswaldo
para procurador-geral de Justiça.
Depois daquela
conversa, consultei contatos nos bastidores sobre a disputa. Todos indicavam
que Oswaldo, que já havia exercido o cargo nos biênios 2014/2016 e 2016/2018,
tinha boas chances de retorno. Ele integrou a lista tríplice elaborada pelo
Colégio de Procuradores e foi escolhido pelo governador Gladson Cameli em
novembro de 2025, marcando sua terceira passagem pela chefia do MPAC. Nos
bastidores, porém, havia muitas “cascas de banana”. Poucos dias antes da votação
interna, boatos foram espalhados no Acre — sobretudo entre jornalistas —,
tentando associá-lo a grupos políticos locais. Alguns, sem conhecer minha
amizade com Oswaldo, me procuraram para que eu desse eco nacional àqueles
rumores, valendo-se do meu acesso a editores em Brasília. Identifiquei a
manobra, avisei Oswaldo e o alertei para permanecer sempre atento, como ensina
o escotismo. Ele venceu as articulações e, após a nomeação, conversamos
longamente sobre seu retorno. Pelo que pude captar, o MP acreano voltará, sim,
a estar “ligado à tomada”, com ênfase em gestão próxima do cidadão, pactos pela
segurança pública e maior visibilidade institucional.
Oswaldo chega com
trajetória consolidada de experiência e visão estratégica, que vai do âmbito
estadual ao nacional. Graduado em Direito pela Ufac (1992), tem mestrado em
Administração Pública pelo IDP, pós-graduação em Direito Processual Civil pela
Universidade Cândido Mendes e MBA em Administração Pública pela FGV. No MPAC,
acumula décadas de atuação: promotor em diversas comarcas do interior e da
capital, promoção a procurador de Justiça em 2002, corregedor-geral no biênio
2003/2005 e coordenador de Defesa do Patrimônio Público. Seus mandatos
anteriores como procurador-geral foram marcados por fortalecimento
institucional e articulação interinstitucional. Em nível nacional, destacou-se
como conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em dois
mandatos consecutivos (2019-2021 e 2021-2023), onde também foi Ouvidor Nacional
do Ministério Público (2019-2021), e corregedor-nacional do Ministério Público
(2021-2023). Presidiu ainda o Conselho Nacional dos Corregedores-Gerais dos Ministérios Públicos
dos Estados e da União. Essa projeção nacional o credencia a recuperar o
protagonismo do Parquet acreano no combate à corrupção, na defesa do patrimônio
público e na proteção aos direitos fundamentais. Sua origem em Cruzeiro do Sul
e o profundo conhecimento da realidade local o aproximam das demandas do
interior, onde o MP precisa atuar com mais presença e efetividade.
Quanto à Patrícia,
não a vejo pessoalmente há cerca de três décadas. Ainda assim, acompanhei o
início de sua trajetória como promotora de Justiça (procuradora de Justiça
desde 2001). Sempre a considerei retilínea e firme em suas atuações.
Conheci-a da sua época de faculdade,
frequentando a casa de seu pai, o professor José Fernandes do Rego —
ex-vice-governador do Acre entre 1979 e 1983 —, que se tornou fonte rica para
conversas sobre política e temas acreanos. Ali, encontrava Patrícia com
frequência; o trato era formal, de cumprimentos, mas sempre marcado por
educação e cortesia. Anos depois, aprovada no concurso de 1994, nossos contatos
passaram a ser profissionais, em razão da minha atividade jornalística. Ela
exerceu a Procuradoria-Geral de Justiça no biênio 2012/2013 — sendo a segunda
mulher na história do MPAC a ocupar o cargo —, coordenou a Coordenadoria de
Defesa do Patrimônio Público e tem se destacado como titular da 3ª Procuradoria
de Justiça Criminal. Sua eleição para corregedora-geral reforça a expectativa
de fiscalização interna rigorosa e de um órgão mais transparente e eficiente.
A dupla Oswaldo e
Patrícia representa renovação com raízes profundas na instituição. Ambos
carregam a memória dos tempos iniciais do MPAC moderno e, ao mesmo tempo, a
maturidade para enfrentar os desafios atuais. Espera-se que, sob sua liderança,
o Ministério Público recupere não apenas a proatividade, mas também a confiança
da sociedade acreana, atuando com independência, ousadia e compromisso com a justiça
social. Para quem, como eu, acompanha a instituição há décadas, esse momento é
de genuína esperança: o Parquet acreano tende a voltar a ser protagonista
indispensável na defesa do interesse público.
Ao amigo Oswaldinho, sucesso nessa jornada. Grato pelo convite para a posse — na qual não estarei presente, pelas razões que conhece.
*Advogado,
jornalista e teólogo. Autor de Quando Convivi com os Ratos (2024), Sombras do
Poder (2025) e Memórias de Um Repórter (2025), pela Editora Social
