COMO O CUSTO POLÍTICO DO PÓS-ELEIÇÃO MOLDARÁ A RELAÇÃO EXECUTIVO-LEGISLATIVO
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Urtiga do
Juruá
Gontran
Neto 06, novembro 2026
Espinho na máquina:
Caros leitores da coluna Urtiga do Juruá, um problema técnico me trancou
do lado de fora da nossa coluna principal já faz quase uma semana. Para a
urtiga não secar e vocês não ficarem sem texto, recorri ao meu antigo blog
enquanto tentamos reanimar o original, o que atualmente depende da boa vontade
e do ritmo do nosso técnico responsável. Seguimos por aqui até o sistema
voltar!
DE VOLTA À ALDEIA
As eleições se findaram e o povo brasileiro já conhece todos os seus
representantes nas esferas estadual e federal. A Mesa Diretora da Câmara de
Cruzeiro do Sul para os próximos dois anos foi definida por unanimidade. No
entanto, os ruídos nos bastidores municipais são fortes e cheios de indagações
por alguns atores políticos.
APENAS UMA MINORIA ACOMPANHOU O PREFEITO
O Executivo municipal rompeu com a chapa que veio a vencer a eleição e apoiou o
opositor Alan Rick (Republicanos), certamente com suas próprias razões
para isso. No entanto, dos 14 parlamentares, apenas três acompanharam os passos
do gestor; os outros debandaram, pelejaram em outra frente e festejaram a
vitória no palanque adversário.
MAS, E AGORA?
Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes? Passa-se uma borracha e a
luta continua com todos no mesmo barco, ou ainda tem muito pano para manga?
Como o nome disso é política, tudo pode acontecer, inclusive nada. No entanto, tem vereador que
continua no compasso e aumentou o tom contra o Executivo.
MEU MANDATO
É DO POVO
Nada disso.
O mandato é um instrumento para representar a sociedade, não um presente para
justificar conveniências políticas. Juridicamente, aliás, a vaga pertence à legenda
partidária. A verdade nua e crua é que, nesta eleição, o encanto por um certo
candidato vitorioso não nasceu da afinidade ideológica nem se simpatia pessoal,
mas sim das quantias vultuosas que circulsram livremente no Estado. È o que se
comenta à boca miúda, dos corredorescdo poder ás erodas de boteco.
A NATUREZA ESTADUAL DO ICMS
Acima de tudo, e para apresentar argumentos coerentes, é preciso que saibam que
o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), é de responsabilidade dos governos do Estado. Portanto
mandar fazer o L, para empurrar pro colo do governo federal, o acréscimo da
gasolina, diesel e gás de cozinha, além de demonstrar falta de conhecimentos é
mau caratismo também.
A CONTA É ESTADUAL: COBREM DE MAILZA O AUMENTO DO ICMS
O calendário mal virou e a fatura do palanque já chegou às bombas. A partir de
1º de fevereiro, a gasolina, o etanol, o diesel e o gás de cozinha ficam mais
caros com o novo reajuste da alíquota fixa do ICMS. Isso, claro, sem contar a
tradicional margem de lucro dos postos de combustíveis, que nunca operam por
caridade. Em Cruzeiro do Sul, encher um mísero tanque de 45 litros já virou
artigo de luxo: a brincadeira vai beliscar fácil os R$ 400,00.
CATECISMO CONTRA OS IMPOSTOS FEDERAIS
Quem passou o ano eleitoral demonizando tributos e posando de guardião do livre
mercado correu para homologar o tarifaço na primeira oportunidade que teve. É
bem verdade que a tecnocracia de plantão correrá para se esquivar atrás do
Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), alegando que a decisão é
colegiada e nenhum estado decide sozinho.
ONDE A NARRATIVA COLIDE COM O REAL
Mostraram com a caneta o que realmente pretendiam fazer caso chegassem ao topo.
O sarcasmo da realidade é implacável: enquanto o governo Lula precisou queimar
gordura com subvenções e desonerações emergenciais para conter a disparada do
barril em meio às turbulências geopolíticas internacionais, os mesmos
governistas estaduais que bradavam contra a carestia não pensaram duas vezes
antes de enfiar a mão no bolso do motorista. No Acre, o discurso liberal morreu
na beira da bomba.
VISÃO LIMITADA: “QUEM TEM CARRO QUE PAGUE”
O líder do governo Mailza Assis soltou uma pérola para defender o tarifaço do
ICMS sobre os combustíveis há dias: “quem tem carro que pague”. A frase
escancara uma miopia econômica gritante ao presumir que combustível só pesa no
bolso de quem tem veículo na garagem. Trata-se, acima de tudo, de um deboche
contra quem depende de bens e serviços básicos em cada canto do Acre, um estado
que enfrenta desafios logísticos monumentais e onde o preço do frete dita o
valor da comida na mesa.
A ILUSÃO DO DIESEL E O FRETE DA CARESTIA
Achar que combustível é artigo de luxo ignora a realidade local: no Acre, é o
óleo diesel que dita o ritmo da inflação. Por depender umbilicalmente do
transporte rodoviário para quase tudo o que consome, cada centavo a mais no
litro se converte imediatamente em reajuste no quilo do arroz, no feijão e no
botijão de gás. Quem paga a conta da bomba não é apenas o motorista, mas o
trabalhador que mal consegue fechar as contas do mês.
O ECO DO PALANQUE: MESMO DISCURSO, OUTRO BOLSO
A postura, contudo, não surpreende e segue à risca a cartilha ideológica
dominante. Em um estado com mais de 70% de perfil bolsonarista, o argumento
repete o velho bordão dos tempos do governo passado: quando a gasolina
disparava e a população reclamava, a resposta padrão era de que “só tem
carro quem pode”.
EMPÁFIA
O infeliz “quem tem carro que pague” nada mais é do que a versão atualizada da mesma empáfia: a elite política lava as mãos, transfere o ônus da incompetência fiscal para o contribuinte e finge que a carestia geral não tem dono.

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