O ESTADO DA EXCLUSÃO: ACRE ELEGE LEGISLATIVO 100% MASCULINO APESAR DE ELEITORADO FEMININO ATINGIR 52%

 

Imagem produzida com uso de IA

Urtiga do Juruá

Gontran Neto 08, outubro de 2026

O VELHO "CLUBE DO BOLINHA" REABRE AS PORTAS: 52% DO ELEITORADO DO ACRE SÃO MULHERES

Os números escancaram a incoerência de uma derrota vergonhosa no Acre. De acordo com dados do TSE, o estado conta com 614.375 pessoas aptas a votar, das quais 52% são mulheres, somando 317.234 eleitoras, contra 297.141 homens. Uma maioria feminina evidente, com mais de 20 mil votos de vantagem, que simplesmente não encontrou espelho no resultado das urnas.

UM RETROCESSO

Tornar-se o único estado brasileiro sem nenhuma mulher eleita para a Assembleia Legislativa representa um retrocesso histórico avassalador. O parlamento estadual, agora 100% masculino, silencia a voz de quem decide a votação e revela um abismo democrático inaceitável, mesmo sendo a maioria absoluta da população apta a votar, o público feminino foi completamente varrido dos espaços de decisão. O resultado expõe a urgência de romper de vez as barreiras invisíveis que continuam blindando as cadeiras do poder.

DE VOLTA A 1994: O PARLAMENTO ACREANO APAGA A REPRESENTAÇÃO FEMININA

Trinta e dois anos depois, essa desigualdade volta a dominar o parlamento acreano. O resultado das urnas em 2026 impõe ao estado um amargo dejavu, fazendo a história se repetir na contramão da democracia ao reestabelecer o cenário de exclusão total visto pela última vez em 1994.

BANCADA FEMININA SILENCIADA

Três décadas de lutas e conquistas por espaço institucional foram simplesmente apagadas, silenciando a bancada feminina em uma legislatura inteiramente masculina. Esse retrocesso de 32 anos evidencia que o abismo da sub-representação de gênero voltou a ocupar todas as cadeiras da Aleac, deixando a maioria do eleitorado sem um espelho de sua própria força no coração político do Acre.

ACRE: EPICENTRO DO VOTO CONSERVADOR

No primeiro turno das eleições de 2026, o Acre reafirmou sua condição de fortaleza conservadora ao registrar a maior votação proporcional do país para a oposição de direita: Flávio Bolsonaro obteve 64,56% dos votos válidos, mais que o dobro de Lula, que ficou com 28,73%.

TRÊS REDUTOS DE LULA

A hegemonia do PL prevaleceu em 19 das 22 cidades. O grande destaque foi Acrelândia, campeã com expressivos 76,24% para Flávio Bolsonaro. Em Cruzeiro do Sul (68,91%) e na capital, Rio Branco (63,76%), a vantagem também foi folgada. Já Lula resistiu em apenas três redutos isolados: Porto Walter, Santa Rosa do Purus e Jordão.

O EFEITO COLATERAL DO CONSERVADORISMO

Essa forte onda conservadora que varreu o estado nas urnas ajuda a explicar não apenas os números presidenciais, mas também a nova correlação de forças locais, incluindo a ausência total de mulheres na Assembleia Legislativa (Aleac).

DE MANHÃ COM MAILZA, DE TARDE COM ALAN RICK

Flávio Bolsonaro trata a coerência política mais ou menos como trata as explicações sobre sua amizade íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro: com um malabarismo de versões que deixaria qualquer equilibrista com inveja. Pela manhã, diante dos holofotes e ao lado da bolsonarista Mailza Assis (PP), cravou com pompa e circunstância que ela teria seu apoio irrestrito no Acre. Horas depois, no melhor estilo "onde foi mesmo que eu amarrei meu burro?", jurou amor eterno à candidatura do bolsonarista de raiz Alan Rick (Republicanos).

DE MANHÃ COM MAILZA DE TARDE COM ALAN RICK

Flávio Bolsonaro trata a coerência política mais ou menos como trata as explicações sobre sua amizade íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro: com um malabarismo de versões que deixaria qualquer equilibrista com inveja. Pela manhã, diante dos holofotes e ao lado da bolsonarista Mailza Assis (PP), cravou com pompa e circunstância que ela teria seu apoio irrestrito no Acre.

DE TARDE COM ALAN RICK

Horas depois, no melhor estilo "onde foi mesmo que eu amarrei meu burro?", jurou amor eterno à candidatura do bolsonarista de raiz Alan Rick (Republicanos). No fim das contas, a estratégia é à prova de erros: jogando em dois tabuleiros ao mesmo tempo, quem quer que vença a eleição terá sido, com certeza absoluta, o candidato que "sempre teve o apoio incondicional de FB".

"EU VEJO O FUTURO REPETIR O PASSADO":

CINZAS

A clássica advertência de Cazuza nunca soou tão atual. Quando a Universidade Federal de Pernambuco arde em chamas consumindo décadas de pesquisa científica, o país assiste estarrecido a um déjà vu de desmonte e abandono.

ARBÍTRIO

A promessa de "governar por décadas" não vem acompanhada de futuro, mas de velhas receitas: tesouradas em programas sociais e arrocho com congelamento do salário-mínimo.

CENSURA

Para completar o quadro do absurdo, a intolerância ideológica atinge o limite do desumano nos corredores de hospital, onde uma médica, que foi demitida da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, chegar ao ponto de orientar a retenção de altas para impedir eleitores adversários de votar. Não é apenas crise; é o passado mais autoritário e excludente pedindo passagem em pleno século XXI.

O FESTIVAL DE ABSURDOS

Continuando o catálogo de horrores pós primeiro-turno, o show de bizarrices não deu trégua: começou com a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) estalando um chicote no asfalto para festejar a vitória; passou por uma criança de 9 anos dançando sobre um carro com simulacro de arma de fogo sob os aplausos dos pais; e descambou para a criminalidade pura, com ameaças de morte, ataques racistas e violência sexual dirigidos a Ana Elisa (PT-MG), a parlamentar federal mais jovem eleita no país.

DOSSIÊ DO PAVOR

Para completar a sinfonia da intolerância, Rodrigo Constantino disparou que a Bahia seria um "câncer para o Brasil", enquanto em São Paulo a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) já estreia na vida pública investigada após um tumulto com invasão de sindicato e arremesso de pés de galinha contra professores.

Vão brincando com o fascismo!

 


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