COLHES ONDE NÃO SEMEASTE...
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Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
Neto Gontran, 09, março 2026
FRUIR SEM SEMEAR
Diz a passagem bíblica: “Senhor, eu sabia que és um homem severo, que
colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste”. Em Cruzeiro do
Sul, a postura do poder público local parece espelhar essa imagem. O programa
Minha Casa, Minha Vida Rural é um projeto do Governo Lula.
O CINISMO É EVIDENTE
Mas a Prefeitura Municipal e o Governo do Estado não hesitaram em se reunir com
produtores de Assentamentos, do Polo de CZS e da Reserva do Rio Liberdade, na
Vila Santa Luzia, para faturar politicamente sobre a obra alheia. O cinismo é
evidente: enquanto a prefeitura fala em "alinhar informações e dar
encaminhamentos", na prática, agem como se fossem os mentores de um
benefício que não lhes pertence.
MORADIA COM "PAI DESCONHECIDO"
A narrativa de "dignidade para a família" foi o tom do vereador
Josafá Vale (UB) em suas redes sociais. O parlamentar exaltou a segurança e a
melhoria de vida que o programa trará ao campo, mas sofreu de uma amnésia
conveniente: esqueceu de citar quem é, de fato, o "pai" do projeto. É
a política do aproveitamento, onde o benefício é bem-vindo, mas o crédito ao
adversário é omitido.
CAUSA URTICÁRIA
Embora a secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo tenha mencionado o
governo federal como parceiro, a sensação é que falar o nome "Lula"
causa urticária.
TEM URTIGA NO MICROFONE
Há um esforço coordenado de certos atores políticos para desviar o olhar do
público, tentando omitir que a melhoria da vida no campo e a dignidade
habitacional hoje em pauta são prioridades e realidade da gestão federal, e não
concessões estaduais ou municipais.
EMBARCAÇÃO BLINDADA, MEMÓRIA CURTA
Este modus operandi se repetiu no último domingo (8), quando a
Secretaria de Segurança Pública do Acre recebeu, em Cruzeiro do Sul, uma lancha
blindada de grande porte. O equipamento, essencial para o combate ao crime em
áreas de fronteira, foi enviado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública
(SENASP), do Governo do presidente Lula.
SEM RECONHECIMENTO PÚBLICO
Mais uma vez, o reforço moderno chega, a segurança aumenta, mas o
reconhecimento público do governo de origem em algumas falas parece ficar pelo
caminho.
QUATRO ANOS SURFANDO NA ONDA ALHEIA
O Acre vive uma esquizofrenia política conveniente. O Estado e seus municípios
são todos loteados por gestores de direita que, no palanque, destilam ojeriza a
qualquer pauta progressista. No entanto, na hora de fechar as contas e entregar
obras, o cenário muda: são quatro anos surfando, com prancha de luxo, nas águas
dos programas federais.
FÓRMULA MÁGICA
Do Novo PAC ao Mais Médicos, do SUS à Educação, do Crédito Agrícola a Habitação
a direita acreana descobriu uma fórmula mágica: governa com o orçamento
do Lula, mas posa de autossuficiente para o eleitorado. É a política do
"venha a nós o vosso reino", mas sem o "amém" para quem
assina o cheque especial.
O SILÊNCIO DOS CULPADOS
Se os opositores nadam de braçada no crédito alheio, a culpa não é apenas da
desfaçatez deles. Na região do Juruá, somos mais de 150 mil habitantes
espalhados por cinco municípios, e o vácuo de representatividade é
ensurdecedor. Não existe hoje uma voz de peso, um articulador ou uma liderança
nomeada pelo governo federal que bote o pé na parede e dê nome aos bois.
OS PREFEITOS RECEBEM A CHAVE E CORTAM A FITA
Sem ninguém para defender o que é de direito e de fato do Governo Federal, o
terreno fica livre. Os prefeitos recebem as chaves, cortam as fitas e, logo em
seguida, ajudam a alimentar a narrativa de que Lula é o "vilão" do
povo acreano.
É O CÚMULO DO ABSURDO
O povo come o pão que o governo federal amassou, mas agradece ao padeiro local
que só fez a entrega.
DESLIZANDO NA ONDA DOS INVESTIMENTOS
Enquanto o governo federal não ocupar os microfones do Juruá com a mesma
eficiência que ocupa as contas das prefeituras, o "surfe" continuará.
A direita vai seguir deslizando na onda dos investimentos federais e,
continuará jogando areia nos olhos de quem não percebe de onde vem a dignidade
que chega ao campo e à cidade.
O "RITMO" DO CORAÇÃO
O biomédico e empresário Lindemberg, do Citolab, escolheu a manhã deste domingo
(8) para oficializar seu casamento com o PL, em Rio Branco. Em um discurso
emocionado, afirmou que seu "coração ditou o ritmo" da filiação ao
partido "gigante".
ENTRE UMA BATIDA E OUTRA DO CORAÇÃO
Entre uma batida e outra do coração, Lindemberg ainda encontrou fôlego para
lançar uma pérola jurídica: declarou que o ex-presidente Jair Bolsonaro é um
"preso político". O diagnóstico do biomédico, entretanto, parece ter
ignorado os exames clínicos dos autos do processo.
DIAGNÓSTICO EQUIVOCADO
Talvez o nobre empresário, inegavelmente bem-sucedido em suas atividades
privadas, tenha sofrido um lapso de memória sobre o prontuário jurídico do seu
"eterno presidente". Bolsonaro teve direito a ampla defesa, o devido
processo legal e trânsito em julgado, mas os fatos foram implacáveis.
CRIMES E NÃO PERSEGUIÇÃO
As condenações por organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e
abolição violenta do Estado Democrático de Direito não costumam constar em
manuais de perseguição política, mas sim no Código Penal. Chamar isso de
"prisão política" é forçar a amizade com a realidade.
IDENTIDADE EM TRANSIÇÃO: DE MILITANTE A CONSERVADOR
Para quem não conhece o DNA político do novo pré-candidato a deputado federal,
vale um teste de ancestralidade: sua trajetória começou no Diretório Municipal
do Partido dos Trabalhadores (PT) de Cruzeiro do Sul. Sim, o agora entusiasta
do PL já foi militante fervoroso das causas sociais e ocupou espaço de
confiança no governo petista.
VOLÁTIL
Mas, como o "ritmo do coração" é volátil, Lindemberg agora abraça o
figurino completo da direita conservadora: armas, pátria, família tradicional e
o combate à "ideologia de gênero". É mais um caso de
"ex-esquerdista" que descobriu que o alinhamento com os valores
cristãos e as privatizações combina muito bem com o novo norte eleitoral.
