A ENCHENTE DO RIO JURUÁ, O DESASTRE NÍVEL II, O DECRETO E A DISPENSA DE LICITAÇÕES
Foto: Gontran Neto
Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
Neto Gontran, janeiro 18, 2026
O DECRETO DA "MÉDIA INTENSIDADE"
Nesta semana, fomos surpreendidos pelo Decreto nº 035/2026, que declara
Emergência de Nível II, uma categoria reservada para catástrofes onde o
município entra em colapso e precisa de socorro externo imediato O
prefeito Zequinha Lima (PP) assinou no dia 20 de janeiro de 2026, com
publicação no Diário Oficial apenas na segunda-feira (26), um decreto
classificando a situação como de Média Intensidade.
PARA O LEITOR ENTENDER
juridicamente, o Nível II é um atestado de colapso, usado apenas quando há
danos humanos e materiais tão expressivos que o município admite não ter mais
pernas (nem caixa) para resolver sozinho, exigindo socorro do Estado.
CONTRA FATOS (E A RÉGUA), NÃO HÁ ARGUMENTOS
A narrativa do decreto, contudo, naufraga nos próprios dados da Defesa Civil
municipal. A matemática é fria: o protocolo de retirada de famílias só é
acionado na cota de transbordo, aos 13,60 metros. O rio, teimoso, não obedeceu
ao decreto e parou na máxima de 13,46 metros.
EMERGÊNCIA NA VAZANTE
A "emergência" foi publicada justamente na vazante. Mesmo com a chuva
forte de 52 mm na noite de terça (27), o Juruá amanheceu nesta quarta-feira
(28) marcando modestos 11,49 metros, mais de dois metros abaixo da cota de
transbordo. Resta a pergunta: onde está o desastre que justifica o Nível II?
O PROBLEMA?
A realidade insiste em desmentir o papel. Enquanto a caneta do prefeito
assinava a tragédia, o Rio Juruá, teimoso, seguia em franca vazante, marcando
modestos 11 metros e uns quebrados, longe da cota de transbordo.
DANOS HUMANOS E PREJUÍZOS DEVASTADOR
O mais curioso é a matemática mágica da gestão: como justificar um decreto de
'média intensidade' (Nível II), que exige danos humanos e prejuízos
devastadores, se a própria Defesa Civil admite que a prefeitura disponibilizou
quatro escolas municipais para funcionarem como abrigos caso seja necessário?
estão vazios e nenhuma família precisou ser removida? Se não há desabrigados,
onde está o 'dano humano'? Se o rio está baixando, onde está a 'urgência'?
DESVIO DE FINALIDADE?
Ao decretar o caos mesmo com a enchente afetando muitas famílias e a prefeitura
assumindo não ter condições de atuar com recursos próprio, presumivelmente não
apenas flerta com a ilegalidade e o desvio de finalidade para dispensar
licitações, mas ao que parece, zomba da inteligência do cruzeirense, que olha
para o rio descendo e para o Diário Oficial subindo, sem entender nada."
A IRONIA DO CAOS: MUITA ÁGUA NO CÉU, NENHUMA NA TORNEIRA
Enquanto a chuva castiga Cruzeiro do Sul, famílias de diversos bairros vivem o
paradoxo da seca. Denúncias que chegaram ao Urtiga dão conta de que
moradores estão sobrevivendo graças à captação da água da chuva, já que a
Saneacre não consegue garantir o abastecimento regular.
EMERGÊNCIA DE PAPEL
Já que a moda na cidade é decretar "Emergência" com o rio baixando,
não seria a hora de reconhecer a realidade e decretar emergência no
abastecimento de água? A situação nos bairros transcende o problema pontual e
beira o colapso institucional. Quando um pai de família, após dias com a
torneira seca, ouve de um servidor da autarquia a frase "não posso
fazer mais nada", o Estado está confessando oficialmente sua falência.
FAZ O L (MAS DE OLHO NA BOMBA)
O governo Lula inicia 2026 com “os dois pés” e de “havaianas”: a Petrobrás
anunciou redução de 5,2% na gasolina vendida às distribuidoras, ou R$ 0,14 a
menos por litro.
QUE CHEGUE NAS BOMBAS
A parte de Brasília foi feita, agora resta saber se os postos farão a deles. O
consumidor, calejado, conhece bem esse gargalo: para aumentar, o preço sobe de
elevador; para baixar, desce de escada. Esperamos que, dessa vez, o alívio
chegue integralmente ao tanque do cidadão.
RAMAL OU PISTA DE RALLY?
A situação na Vila Santa Luzia é tão crítica que os moradores já não sabem se
moram num ramal ou numa trilha de off-road. Um produtor rural teve que
pedir ajuda pública porque a via está simplesmente intrafegável. O vereador
Josafá Vale (União) já botou a boca no trombone denunciando o abandono no
Projeto Santa Luzia, mas a resposta, por enquanto, é lama. Direito de ir e vir
ali virou artigo de luxo.
