A falta de civilidade do presidente da República

 

Foto: Sérgio Lima/AFP

O presidente Jair Bolsonaro, valendo-se de seu habitua desrespeito às pessoas e instituições, voltou a fazer considerações depreciativas ao povo nordestino, como já fizera em 2019 ao atacar o governador do Maranhão e chamar os estados do Nordeste pelo termo pejorativo “paraíba”. 

  

Sem zelar pela liturgia do cargo e com comportamento preconceituoso, vejam, Bolsonaro fez piada no Maranhão ao tomar um copo de Guaraná Jesus, bebida típica estadual cor-de-rosa: “Virei boiola igual a maranhense”.

Sarcástico metido a engraçado, Bolsonaro devia ser convidado a se apresentar em circo. E ainda há sacripantas que se arrastam para lamber os seus pés.

Durante visita do presidente à Bahia para inauguração da usina de Sobradinho, Bolsonaro fez considerações jocosas em tom de brincadeira, dentro de seu estilo, respondendo ao deputado Cláudio Cajado (PP-PE), que o saudava por visitas reiteradas ao nordeste: “Só tá faltando crescer um pouquinho a cabeça”, referindo-se ao estereótipo de que nordestino tem “cabeça chata”.

Parafraseando o escritor Raimundo Correia, Bolsonaro guarda secreto o pavilhão da maldade que conforta o seu ego delirante de espezinhar o seu semelhante. Com as suas tiradas irônicas de ser superior, talvez, consigo, guarda um atroz, recôndito inimigo, como invisível chaga cancerosa. E quem sabe esse atroz inimigo não seja um trauma psicológico sofrido na infância ou adolescência? Ainda é tempo de se tratar. 


A sua empáfia não tem limite. Durante uma live, na quinta-feira (3),  o presidente Jair Bolsonaro usou a expressão "pau de arara" para se referir à origem nordestina de seus assessores presentes na sala de conferência.

Ele ainda afirmou incorretamente que Padre Cícero era de Pernambuco. Na ocasião, Bolsonaro explicava as razões das revogações dos decretos de luto, inclusive o do culto em homenagem ao religioso, que nasceu e morreu em Juazeiro do Norte, no Ceará. 


A maneira preconceituosa como o presidente trata o seu semelhante diz muito de seu caráter egoístico. William Hazlitt sintetizou que “O preconceito é o filho da ignorância”. E Goethe, “Nada mais temerário que a ignorância ativa”. 

 

Nas redes sociais, diversos usuários se revoltaram com a fala do presidente:  


- O presidente mais uma vez, revelando seu preconceito e sua ignorância, atacou as nordestinas e nordestinos ao chamá-los pau de arara. Também demonstrou um profundo desrespeito à memória de Padre Cícero. Lamentável que uma pessoa tão pequena ocupe um cargo tão grande. 


- Ao se referir aos nordestinos como pau de arara, Bolsonaro expõe seu preconceito, ignorância e vulgaridade, um triste retrato de si mesmo na presidência.  

-  Ao brincar com a origem do Padre Cícero de forma desrespeitosa, deixa claro sua triste indiferença com a cultura brasileira. 


- O que dizer para um presidente que desconhece a origem do Padre Cícero e chama os nordestinos de pau de arara? Bolsonaro vai perder rumo quando olhar o resultado do pau de arara nas eleições. 


- Bolsonaro mostrou que não sabe nada de Padre Cícero e deixou claro o seu preconceito contra nordestinos. A eleição vai ser complicada para os poucos eleitores bolsonaristas na região Nordeste. 


- Nós já sabemos que a missão dos nordestinos em 2022 é colocar o Bolsonaro no pau de arara. 

 

O desrespeito do presidente Bolsonaro, em que a sua grosseria verbal com as pessoas transcende o limite da racionalidade, da sanidade, é um caso patológico psiquiátrico que só Freud poderia explicar. 

 

Lamentavelmente, o país elegeu um cidadão que não prima pela liturgia do cargo e comporta-se como parvajola não respeitando as regras básicas de cidadania. 

Júlio César Cardoso

Servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

 

 

 

 


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