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VIVA NOSSA SENHORA DO ACRE!!!

12 de outubro de 2021 | 12.10.21 WIB Last Updated 2021-10-12T16:12:37Z

 * NOVA VERSÃO SOBRE O QUADRO "A VIRGEM DO ACRE"

Por Edinei Muniz

A imagem que ilustra a postagem, um quadro medindo 1,80 por 1,20, representando a Virgem Imaculada com o Menino Jesus no braço esquerdo e um galho de seringueira no braço direito, encontra-se na Catedral Nossa Senhora de Nazaré e carrega consigo um grande "mistério".

A famosa e legendária imagem de Nossa Senhora do Acre, segundo apontam algumas versões, teria sido a Padroeira do Exército de Plácido de Castro e, de igual modo, também dos bolivianos, que chegaram a disputá-la no cenário da "Revolução Acreana", do lado de cá, e "Guerra del Acre", do lado de lá.

O referido quadro, agora segundo versões apresentadas pelo Frei Peregrino Carneiro de Lima, pertenceu originariamente aos bolivianos.

Segundo o Frei Peregrino, a obra era chamada pelos bolivianos  de "Nuestra Senora de La Paz" e teria sido tomada por Plácido de Castro na  Batalha de 06 de agosto de 1902, quando passou, supostamente, a figurar como Padroeira do Exército de Seringueiros Acreanos.

Ato seguinte, em setembro do mesmo ano, ainda segundo afirmações do Frei Peregrino, o quadro teria sido resgatado pelos bolivianos. Poucos meses após o ocorrido, em 24 de janeiro de 1903, a imagem teria sido retomada em definitivo por Plácido de Castro. De tal fato em diante, o paradeiro do quadro tornou-se "desconhecido", na versão  de religioso.

A Igreja Católica teria passado cinquenta anos procurando o quadro, até que, em julho  de 1953, o mesmo Frei Peregrino, em viagem ao Rio de Janeiro, onde teria se dirigido em busca de recursos para a construção de uma igreja, resolveu fazer uma visita de cortesia a uma entidade que funcionava no décimo andar de um prédio localizado na Rua do México, número 11. Era a "Casa do Acreano".

Ao adentrar no referido ambiente, uma imagem numa das paredes do lugar teria despertado a curiosidade do Santo Padre. O sacerdote pediu então para examiná-la de perto.

Até aquele momento, o Frei Peregrino dizia nunca ter visto o quadro e o que sabia dele teria ouvido pela boca de terceiros. O que sabia era que existiam perfurações na imagem, provavelmente provocadas por balas perdidas, já que a mesma havia percorrido a linha de tiro da Revolução Acreana.

O fato é que Frei Peregrino, ao examinar a imagem, logo detectou os furos, supostamente provocados e não teve dúvidas: estava diante do misterioso quadro de Nossa Senhora do Acre.

Depois de "descoberta", a imagem passou por uma modesta restauração e ficou exposta por um tempo na Igreja da Candelária e depois na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, ambas no Rio de Janeiro.

No Cinquentenário do Tratado de Petrópolis, à pedido do Frei Peregrino, a imagem teria finalmente retornado ao Acre, fato que não existem indícios seguros de ter de fato ocorrido.

O curioso é que o quadro reapareceu um mês após a criação da Casa do Acreano (1953), momento em que houve um grandioso evento envolvendo o Ministério das Relações Exteriores, familiares do Barão do Rio Branco e também familiares de Plácido de Castro.

"LP" OU "LR" - O PINTOR DESCONHECIDO

Quanto ao artista que teria pintado o quadro, eis que surge mais uma "tese", agora do Padre Jose, irmão  do Frei Peregrino.

Segundo a versão do Padre Jose, “o Coronel João Rola, o Major Brandão e o Coronel Hipólito Braga teriam dito que a histórica imagem da Nossa Senhora Seringueira teria sido pintada por um índio boliviano que alegava ter visto Nossa Senhora segurando na mão um ramo de seringueira e que o mesmo teria assinado a tela apenas com as iniciais L.P.

Ou seja, não se sabe ao certo, de acordo com a versão do referido padre, quem de fato teria sido o autor do referido trabalho artístico.

Existem informações em jornais da época que afirmam que as iniciais do artista seriam "L.R" e não "L.P",  ainda que relativamente ilegíveis.

NOVAS VERSÕES SOBRE A INICIATIVA E A AUTORIA  DA OBRA

Em 10 de julho de 1926, uma matéria publicada no Jornal do Brasil, intitulada "Reminiscência da Revolução Acreana", trouxe novas versões que, se não contraditórias, podem ser tidas como  complementares em relação à iniciativa e também no tocante à sua autoria, o que, covenhamos, são fatos importantes e precisam ser historicamente conhecidos. Ou será que não? Julgo que sim!

De qualquer sorte, tais informações não afastam o mito que sugere que a referida imagem teria percorrido a linha de tiro da chamada Revolução Acreana com algum nível de crença espiritual de um lado ou do outro. Em verdade, apenas acrescenta dados importantes sobre a iniciativa da obra, bem como em relação à sua autoria, conforme já dito.

Pois bem! Diz a citada reportagem que a tela teria sido pintada por um pintor espanhol (infelizmente  ilegível na matéria) à pedido  do também espanhol Luis Galvez, o aventureiro que, em 14 de julho de 1899, fundou a República Independente do Acre.

Segundo consta da citada matéria, o quadro teria sido tomado pelos bolivianos durante as pelejas com Luiz Galvez.

Daí em diante, a "Virgem do Acre" teria passado a ser vista com frequência nas mãos dos bolivianos durante os embates com Plácido de Castro, que a teria resgatado em definitivo nos embates, historicamente tidos como "definitivos", ocorridos em Puerto Alonso.

Ainda segundo consta na referida reportagem, o quadro teria sido doado por Plácido de Castro à Dona Cândida do Sacramento em 1904, como uma espécie de reconhecimento pela participação do seu esposo na Revolução Acreana, o Sr. Leonel Antonio do Sacramento que acabara de falecer, um dos pioneiros da exploração do Rio Purus e tido como extremamente violento com os indígenas.

A Dona Cândida do Sacramento, sua esposa, morou em Xapuri até por volta de 1915, onde administrava imensos seringais deixados pelo  falecido esposo e foi uma das principais organizadoras da educação no munícipio no início do Acre Território. Em seguida, após vender tudo, foi embora para o Rio de Janeiro.

Consta que o referido quadro participou de algumas exposições no Rio de Janeiro, no caso, no Museu da Marinha e na famosa Galeria Jorge. Ao lado da imagem, comumente era apresentada também  a bandeira da República Independente do Acre.

Bom, a bandeira acabou indo parar no Museu da República e hoje encontra-se no Palácio Rio Branco, destino que muito provavelmente deve ter tido o quadro em questão até ter sido localizado pelo Frei  Peregrino em 1953.

De um modo ou de outro, o fato é que de agora em diante, ampliando a teia de mistérios que envolvem o referida quadro, estão lançadas novas informações.

Ou seja: o quadro pode ter sido pintado por artista espanhol - a ser identificado, eis que ilegível na matéria mencionada - à pedido de Luis Galvez.

Veja as pistas aqui:

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReaderMobile.aspx?bib=030015_04&PagFis=47896&Pesq=%22Virgem+do+Acre%22

 Edinei Muniz.

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