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O DIA QUE QUASE FUI ABDUZIDO POR EXTRATERRESTRES NAS FLORESTAS DO SERINGAL CACHOEIRA - Por Edinei Muniz

5 de julho de 2021 | 5.7.21 WIB Last Updated 2021-07-05T13:36:15Z


 

A história narrada abaixo não é invencionice minha. Ela realmente aconteceu.

 

Se fantasias existem, deixo assegurado, são aquelas decorrentes do nível de percepção possivel de ser captado e registrado na minha memória de menino de nove anos de idade. O resto é tudo verdade!

 

O termo abduzido do título, aí sim, já é exagero meu. Não  vi naves espaciais, um monte de luzes por todos os lados e muito menos qualquer criatura estranha verde de cabeça maior que a minha, que dizem ser grande.

 

O que vi, e disso jamais esquecerei, é que havia uma luz azul, como se fosse uma névoa, só que mais  densa e brilhante, envolvendo meu corpo enquanto flutuava rente à copa das árvores, disso me lembro muito bem.

 

Eu juro por tudo que é mais sagrado. Eu flutuava e fui imensamente feliz naqueles instantes mágicos. Fui mesmo!

 

Foi assim...

 

Hoje contarei uma história que se passou comigo na infância, lá pelos nove anos de idade.

 

O fato se deu na “Colocação Paupina”, do famoso "Seringal Cachoeira", em Xapuri.

 

Minha avó materna, a Dona Linda, - que Deus a tenha em bom lugar - era posseira da área e nas férias escolares comumente me mandavam para lá. 

 

O lugar era meu perfeito paraíso à luz do sol e ao mesmo tempo meu mais duro pesadelo quando a noite caía e os sons começavam a tumultuar a minha mente das mais horripilantes fantasias.

 

O Seringal Cachoeira sempre teve fama de mal-assombrado. Confesso que muitas histórias percorriam a minha mente e que tinha verdadeiro pavor de dormir no local.

 

À noite, tinha tanto medo, mas tanto medo, que faltava coragem até para abrir os olhos e mirar em direção à mata com medo de avistar algo estranho a alimentar a covardia noturna da minha mente.

 

O som dos animais noturnos - todos juntos ao mesmo tempo - era um verdadeiro terror. Estou falando sério! Só eu sei o quanto sofria!

 

Certa vez, na lua cheia, lá pela meia noite, levado não sei até hoje por quais forças - por coragem minha é que não foi - pulei uma das janelas do barracão e ganhei a mata.

 

Na minha memória ainda resta uma firme lembrança  de que “flutuava” próximo à copa das árvores e que não senti nenhum medo naquele momento. Houve paz e tranquilidade durante grande parte do episódio. Uma paz única para as noites na Paupina.

 

A sorte é que meus familiares ficaram acordados até mais tarde da noite naquele dia, posto que estavam fazendo, se bem me lembro, algum tipo de doce na cozinha, acho que de banana. Isso mesmo, era de banana! Sei pq doce de banana é demorado. Sorte minha!

 

Minha irmã mais velha, que era quem normalmente dormia comigo na rede, foi a primeira a perceber a ausência e aí começou o desespero.

 

Aos berros, feito uma louca, amarelada pelo pânico e tremendo mais que vara verde, a Edileuza, minha irmã mais velha, que tinha uma espécie de procuração de luxo dos meus pais para cuidar de mim, anunciou o ocorrido: "Meu maninho sumiu! Meu maninho sumiu! O Nei sumiu! Cadê o Nei?

 

Imediatamente, uma diligência foi realizada nas proximidades da casa. Lanterna debaixo do barracão. Nada! Paiol. Nada! Galinheiro. Nada!

 

Até no igarapé foram. E nada de encontrarem o pequeno viajante! O que diabos eu poderia está fazendo no igarapé naquela altura da noite? Pescando piabinhas à luz do luar? Cada uma!

 

Antes que pânico se instalasse por completo, meu tio Chico, caçador habilidoso, teve uma feliz ideia: pegou uma blusa, deu para os cachorros cheirarem, e lá foram eles, liderados pelo "Janaú", o mais apto dos farejadores, em busca do desaparecido.

 

Fui acordado pelo som dos  cães no meu pé do ouvido. Estava dentro do buraco de um antigo defumador de seringa, abandonado há mais de 50 anos e que ficava a uma distância de pelo menos um quilômetro do local de onde parti para o estranho passeio.

 

Dizem que o tal defumador foi utilizado por um seringueiro que teria sido assassinado por bolivianos muitos anos antes.

 

Este mesmo seringueiro, segundo dizem os contadores de histórias, costumava "aparecer espiritualmente" em busca de alguém que se habilitasse a pagar - por ele - uma promessa a São Sebastião, pois morrera sem cumprir o débito com o santo, motivo pelo qual, de acordo com a lenda, sua alma penava sem conseguir subir para o lugar destinado aos bons cristãos. O céu, provavelmente!

 

Pois bem, voltando à história, o que até hoje paira sem explicação é que quando me encontraram eu estava sem "nenhum arranhão no corpo", mesmo tendo atravessado uma capoeira bastante densa para assim chegar ao local.

 

Ainda hoje, quase 40 anos depois do acontecimento do estranho fenômeno, essa história ainda permanece viva no imaginário dos moradores mais antigos do Seringal Cachoeira.

 

Contam eles para os mais novos que fui levado pelo “caboclinho da mata”, o guardião dos animais da floresta.

 

Caboclinho da mata, alienígenas ou sonambulismo? Não sei!

 

O que sei é que naquela estranha noite, pelo menos até o momento do cachorro "Janaú" me acordar achando que eu era mais uma das suas tantas pacas, foram de raros momentos de ausência de medo nas tantas noites que vivi na colocação Paupina do Seringal Cachoeira.

 

Acho que os alienígenas eram bonzinhos e o caboclinho da mata meu amigão, só pode.

 

Edinei Muniz
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