O PESO DAS URNAS E O RECUO DOS PADRINHOS

 Imagem produzida com uso de IA

Urtiga do Juruá

Gontran Neto 13, outubro de 2026

O VERDADEIRO PASSEIO DO ADVERSÁRIO

A expressiva derrota imposta por Mailza Assis (PP) a Alan Rick (Republicanos) no primeiro turno, com uma diferença de quase 77 mil votos, implodiu a estratégia de campanha do senador. Diante do revés, figuras importantes simplesmente o deixaram a ver navios.

O PREÇO OCULTO DO RECUO

A primeira baixa foi a do coordenador de campanha e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Ilderlei Cordeiro. Já a candidata a deputada federal Vanda Milani (Republicanos), mesmo após receber R$ 2 milhões do fundo partidário nacional, lavou as mãos e declarou apoio a Mailza no segundo turno. E a debandada não para por aí: quem também pulou fora foram o prefeito de Santa Rosa, Tamir Sá, e o vice-prefeito de Feijó, Juarez Leitão.

CAMPANHA PROTOCOLAR

Ao que tudo indica, a campanha de Mailza Assis em Cruzeiro do Sul neste segundo turno será meramente protocolar. Sem a necessidade de repetir o esforço frenético da etapa anterior e amparada pelos números da nova pesquisa, embora Mailza e seus aliados não  queiram cantar vitória antes da hora, a equipe de Alan Rick simplesmente não demonstra musculatura política suficiente para virar o jogo no município.

E AGORA, JOSÉ?

Em meio à ressaca moral do revés, os holofotes locais se voltam para um único alvo: querem atribuir ao prefeito Zequinha Lima a culpa exclusiva pelo fracasso nas urnas. Existe, porém, um viés interpretativo que merece atenção. Enquanto eleitores de Mailza ligados a sua vice sustentam que a vantagem de 8.500 votos no primeiro turno se deu pelo peso do apoio de Jéssica Sales, os aliados de Alan preferem transferir a fatura inteira para as costas de Zequinha.

UMA LAPADA PREVISTA NAS PESQUISAS

Analisando friamente o termômetro deste segundo turno em Cruzeiro do Sul, a desvantagem de Alan Rick contra a ex-aliada caminha para ser uma verdadeira lapada, um reflexo direto do isolamento político e da falta de empenho da máquina pública municipal.

UM BALDE DE ÁGUA FRIA EM DADOS

O Instituto Data Control divulgou novos números para o segundo turno no Acre, e o cenário é cristalino: o senador Alan Rick (Republicanos), com 30,73% ( das intenções de voto, parece cada dia mais distante do Palácio Rio Branco. Na ponta oposta, Mailza Assis (PP) desponta com folgados 62,05% e tem o caminho pavimentado para continuar à frente do governo.

O FANTASMA

Mas, como a política é dinâmica, e o fantasma da polêmica sobre o diploma ainda ronda os bastidores, uma reviravolta jurídica ou imprevisto de última hora nunca pode ser totalmente descartado.

DA DISPUTA NO ACRE AO EMBATE EM BRASÍLIA: A FARSA DO QUÓRUM

Enquanto o grupo de Alan Rick derrete no plano estadual, seus aliados nacionais tentam conter danos na capital federal. Em 2 de setembro de 2026, data em que o Palácio do Planalto articulava a aprovação do fim da escala 6x1, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, junto a parlamentares aliados, atuou nos bastidores para esvaziar o Plenário do Senado.

DO TRIUNFO AO RECUO: A ALEGRIA PASSAGEIRA DA OPOSIÇÃO

Sem atingir o quórum qualificado de 49 senadores, exigência constitucional para emendas, a sessão foi suspensa. A oposição comemorou o cancelamento como uma vitória contra o governo federal, ignorando deliberadamente que a verdadeira derrota recaía sobre a classe trabalhadora.

O RECUO ELEITORAL DIANTE DAS URNAS

Diante da manobra regimental da presidência do Senado, sob David Alcolumbre (União Brasil), a votação em primeiro turno foi remarcada com margem sólida de apoio para esta quarta-feira (14). Pressionado pelo desgaste eleitoral e pela iminência de um revés público às vésperas do segundo turno das eleições municipais, Flávio Bolsonaro e sua bancada mudaram repentinamente de postura, declarando voto favorável ao projeto.

TÃO CONSISTENTE QUANTO GELO NO SOL

O recuo repentino, contudo, não apaga o histórico recente. Pouco antes, o próprio senador apresentou uma proposta alternativa (PEC 12/2026) que preservava a escala 6x1 sob o pretexto de "livre negociação" direta entre empregado e empregador.

Num mercado com forte assimetria de poder, a tese da livre negociação individual revive práticas arcaicas que remontam aos seringais do ciclo da borracha, onde as regras sempre foram ditadas por quem era o dono  do capital. Uma tese que, na prática, se provou tão consistente quanto gelo no sol.

NÃO CAIA NO GOLPE: O MÉTODO POR TRÁS DO RECUO

Agora, confrontado com a repercussão pública e o calendário das urnas, o parlamentar que antes sabotava o quórum vê-se obrigado a acompanhar a proposta de dois dias de descanso semanal para a classe trabalhadora.

Não se engane: isso é método. Trata-se de um recuo meramente tático. Caso vença a disputa presidencial no segundo turno, a fatura será cobrada: o trabalhador deve se preparar, pois o mesmo grupo articulará uma nova PEC para desidratar ou revogar a escala 5x2.

 

 


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