O PARADOXO DO JURUÁ: POR QUE A REGIÃO QUE RECEBEU TANTOS INVESTIMENTOS CULTIVA TANTO ÓDIO A LULA?
Foto: Bruno
Peres/Agência Brasil
Urtiga do Juruá
Gontran Neto 24,
outubro 2026
O PARADOXO DO
JURUÁ: POR QUE O PROGRESSO GEROU OPOSIÇÃO?
Os dados e os fatos
mostram que a dignidade de uma população não é sustentada por discursos vazios,
mas sim por investimentos práticos. No entanto, no estado do Acre, e
especialmente nos municípios que margeiam a BR-364, assiste-se a um fenômeno
intrigante: uma maioria absoluta que nutre uma forte rejeição ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
A PEDAGOGIA DA
HUMILHAÇÃO: O RISO QUE MASCARA A COVARDIA
Essa hostilidade se
manifesta em apelidos preconceituosos e piadas cruéis sobre a falta de um dedo
ou sobre as graves enfermidades que ele superou na garganta. O que intriga
analistas e moradores é como a memória política de uma região pode simplesmente
apagar as próprias estruturas sobre as quais as suas cidades cresceram e se
desenvolveram.
A ESPINHA DORSAL DA
INTEGRAÇÃO: OS "JOELHOS" DA BR-364
A BR-364, com todas
as suas complexidades e desafios de manutenção, é a artéria que tirou o Juruá
do isolamento. Ruim ou boa, a estrada está lá. Durante a inauguração do
Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, o próprio presidente Lula usou uma
metáfora marcante, comparando as inúmeras pontes construídas ao longo da
rodovia aos "joelhos" que sustentam o corpo do estado de pé.
GEOGRAFIA DA
EXCLUSÃO: PARA QUEM FUNCIONAVA O DIREITO DE IR E VIR?
Antes dessas
estruturas, o direito de ir e vir dependia de balsas lentas e do humor das
cheias dos rios. Somam-se a isso obras fundamentais de engenharia, como a
variante de 10 quilômetros que liga a rodovia principal a Cruzeiro do Sul e a
imponente Ponte da União com seus 550 metros de engenharia moderna sobre o Rio
Juruá, integrando de forma definitiva a região ao restante do país.
DA SAÚDE
NEGLIGENCIADA À REFERÊNCIA REGIONAL
Quem anda hoje pelo
Hospital do Juruá talvez não se lembre de que aquela imensa estrutura já
foi uma obra abandonada, um esqueleto de concreto que servia apenas de abrigo
para o mato, ratos e sujeira. Foi a gestão petista que resgatou o projeto,
concluiu a construção e o transformou em um dos maiores e mais importantes
hospitais da região.
CONSTRUÇÃO DA UPA
Na gestão do
governo Tião Viana, a rede foi fortalecida com a construção da Unidade de
Pronto Atendimento (UPA), desafogando as emergências. A descentralização da
saúde avançou ainda mais com parcerias inovadoras. A criação da Clínica
Renal do Vale do Juruá (Clínica de Hemodiálise), por meio de uma parceria
público-privada, poupou centenas de pacientes do sofrimento de se deslocarem
até a capital para sobreviver.
MAIS INVESTIMENTOS
NA SAÚDE
A construção do
Hospital da Mulher e da Criança o programa Saúde Itinerante, que reduziu
drasticamente a dolorosa necessidade do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), e
os mutirões de cirurgias eletivas na maternidade local, que chegaram a zerar as
filas de espera, mudaram para sempre a realidade da população na época dos
governos petistas, quer queiram, ou não.
EDUCAÇÃO, CAMPO
FORTE E O ASFALTO NA PORTA DE CASA
A transformação
operada pelas gestões do PT não ficou restrita aos grandes centros. O programa
Ruas do Povo marcou época: além de pavimentar cinco vilas e quase 70
quilômetros em Cruzeiro do Sul, o programa atingiu a marca histórica de 100%
das ruas asfaltadas nos municípios vizinhos de Mâncio Lima e Rodrigues Alves. O
asfaltamento da estrada velha aeroporto com AC 405, onde no inverno
amazônico chegar no cemitério Jardim da Paz para enterrar um ente querido era
um enduro. No centro de Cruzeiro do Sul, a urbanização transformou a Avenida
Coronel Mâncio Lima. deixando no passado o esgoto a céu aberto que cortava o
coração da cidade.
UMA REALIDADE
PULSANTE
No interior, o
Crédito Rural era uma realidade pulsante e desburocratizada, financiada pelo
setor público para alavancar a produção dos pequenos produtores nos cinco
municípios da região, um contraste brutal com o cenário atual, onde o homem do
campo ficou refém das taxas do setor privado.
DESENVOLVIMENTO
SOCIAL
Para coroar o
desenvolvimento social, o Juruá deixou de ser uma região sem perspectivas
acadêmicas para abrigar campus robustos da UFAC, com os mais variados
cursos superiores, e do IFAC, garantindo ensino técnico e futuro para a
juventude sem que ela precisasse abandonar suas famílias.
O APAGÃO DA MEMÓRIA
DIANTE DA PAIXÃO POLÍTICA
A grande questão
que fica para a história é como um conjunto tão robusto de benfeitorias, que
transformou a infraestrutura local e garantiu direitos básicos aos
trabalhadores, acabou empacotado e esquecido sob o manto do antipetismo. O
reconhecimento internacional e a luta histórica do partido pelas causas
populares parecem esbarrar, no Acre contemporâneo, em uma barreira ideológica
difícil de compreender.
UM LÍDE OPERÁRIO
RECONHECIDO NO MUNDO INTEIRO
O ódio político
direcionado à figura de um líder operário acabou pesando mais na urna do que o
asfalto, os hospitais, o crédito, as faculdades, o luz para todos e as pontes
que mudaram, para melhor, a geografia econômica e a dignidade da região do
Juruá.
CENÁRIO A MENOS DE
40 HORAS DA ELEIÇÃO NO ACRE
O Instituto Data
Control apresentou nesta sexta-feira (23), a meros dois dias do segundo turno,
um cenário bastante cômodo para a candidata ao governo do Acre, Mailza Assis
(PP). Em votos válidos, Mailza lidera com folgados 67,05% contra 32,95% de Alan
Rick (Republicanos), uma distância de 34,1 pontos percentuais. Na pesquisa
estimulada, a vantagem se mantém sólida: 61,49% para a progressista frente aos
30,22% do senador, consolidando um abismo de 31,27% sobre a postura soberba que
tem marcado a campanha de Alan Rick.

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