O NÓ DO JURUÁ: O TAMANHO DO DESAFIO DE ALAN RICK PARA VIRAR O JOGO EM CRUZEIRO DO SUL

 

Imagem feita com uso do IA

Urtiga do Juruá

Gontran Neto 09, outubro 2026

O PESO DOS PEQUENOS MUNICÍPIOS NA VITÓRIA

Dos cinco municípios da Região do Juruá, Mailza Assis saiu vitoriosa em todos. O maior destaque foi Marechal Thaumaturgo, onde a candidata alcançou expressivos 6.098 votos (71,23%), contra 1.737 (20,29%) de Alan Rick. Em Mâncio Lima, nova vitória folgada: 6.987 votos (62,91%) para Mailza versus 3.785 (34,08%) para Alan.

DUELO PARELHO NO MUNICÍPIO DE RODRIGUES ALVES

Em Porto Walter, Mailza obteve 2.790 votos (47,26%) e Alan Rick, 2.378 (40,28%). Já em Rodrigues Alves a margem foi bastante apertada, mas ainda favorável a Mailza, que somou 4.431 votos (47,03%) diante dos 4.333 (45,99%) de Alan.

UNIÃO DE FORÇAS

Ao todo, somando esses quatro municípios da região, Mailza acumulou 20.306 votos contra 12.229 de Alan Rick, em um universo de 38.178 eleitores que compareceram às urnas, reflexo direto da aliança com os prefeitos, candidatos e lideranças locais, que fecharam apoio à candidatura governista.

DESEMPENHO ABAIXO DO ESPERADO COM ZEQUINHA LIMA

Em Cruzeiro do Sul, o segundo maior colégio eleitoral do Acre, com 63.849 eleitores aptos e comparecimento de 51.481 votantes (80,63%, frente a uma abstenção de 19,37%), o roteiro se repetiu. Mailza venceu com 25.710 votos (54,55%), contra 17.200 votos (36,49%) de Alan Rick.

SINAL DE ALERTA LIGADO

Para o prefeito Zequinha Lima, o resultado representa uma erosão do capital político. Ele rompeu com Mailza e algumas lideranças do PP justamente para apostar no nome do senador Alan Rick. A diferença de 8.510 votos em favor de Mailza Assis impõe um revés difícil de contornar para a liderança municipal. Ainda assim, em política, nada é definitivo.

AUSTERIDADE FISCAL OU CONVENIÊNCIA POLÍTICA? A FARSA DA TESOURA PÓS-ELEITORAL

Ao que tudo indica, a ressaca eleitoral do primeiro turno bateu forte, e com gosto de vingança, nos gabinetes das prefeituras de Rodrigues Alves e Porto Walter. O discurso oficial, como manda o velho manual do cinismo administrativo, é de "contenção de gastos", "austeridade" e "adequação da folha". A prática, contudo, tem outro nome: retaliação política explícita.

A DEGOLA EM NÚMEROS

Os números não deixam margem para ingenuidade. Foram 75 servidores comissionados postos no olho da rua em Rodrigues Alves e outros 50 sumariamente degolados em Porto Walter. A mensagem dos prefeitos aos seus subordinados é clara e autoritária: não basta a máquina fazer campanha; contrariar os caprichos do chefe do Executivo custa o emprego.

O DIÁRIO OFICIAL COMO INSTRUMENTO DE VINGANÇA

O mapa das urnas entrega o jogo. Em Porto Walter, onde a caneta pesou sem pudor, Lula bateu Flávio Bolsonaro com 3.208 votos contra 2.780. No Jordão, outro município onde a tesoura operou no mesmo ritmo persecutório, o petista também venceu (2.147 a 1.935). Acreditar que essa onda de demissões em massa seja mera coincidência fiscal exige um nível de boa-fé que não cabe na política.

FATURAS LOCAIS E PADRINHOS DERROTADOS

Já em Rodrigues Alves, onde o cenário nacional foi inverso, o recado teve outro endereço: o prefeito Salatiel não engoliu o revés nas urnas de seu apadrinhado à bancada federal. Portanto, disfarçar perseguição política de "responsabilidade fiscal" é um truque batido.

PORTAS FECHADAS À ESQUERDA

A desvantagem de Alan Rick (Republicanos) em relação a Mailza Assis (PP) no primeiro turno em todo o Estado foi expressiva: 76.901 votos de diferença. Ainda assim, o senador adotou uma postura soberba e preferiu rejeitar o eleitorado de esquerda. Com essa decisão, ele parece apostar suas fichas nos 125.345 eleitores (20,44%) que se abstiveram de votar no primeiro turno.

SEM O EMPURRÃO DOS PROPORCIONAIS, ABSTENÇÃO VIRA FATOR CRUCIAL

Chama a atenção uma coincidência matemática: a soma dos votos de Tião Bocalom (44.946) e de Thor Dantas (32.963) resulta em exatamente 77.909 votos, contingente que superaria a vantagem de Mailza. Outro fator crucial para a análise é o comparecimento às urnas, que foi de 79,56% (487.971 eleitores), no Acre são 613.316 eleitores. Como o segundo turno se resume a uma disputa exclusiva para o Executivo, sem o engajamento dos candidatos proporcionais, a tendência histórica é de que o índice de abstenção aumente ainda mais

TERROR POLÍTICO E BALAS CONTRA A DEMOCRACIA

Um episódio gravíssimo escancarou, mais uma vez, o nível de contaminação ideológica e truculência que ameaça as liberdades públicas no país. O sargento da Polícia Militar de Sergipe, Manoel Messias dos Santos, foi identificado como o autor dos disparos que semearam pânico durante uma manifestação pacífica de universitários em prol da campanha de Lula.

A LINHA CRUZADA ENTRE A LEI E O CRIME

O policial, que deveria jurar a defesa da sociedade, mas preferiu agir como miliciano político, teve a arma recolhida e foi afastado das ruas. Uma medida mínima diante de uma afronta intolerável. Quando um agente do Estado, fardado de convicções autoritárias, usa o poder bélico para calar jovens e tentar intimidar adversários nas urnas, a fronteira entre a segurança pública e a criminalidade política simplesmente desaparece.

QUANDO O RADICALISMO TENTA CALAR AS URNAS

O episódio não é um ponto fora da curva, mas o sintoma agudo de um extremismo que rejeita o jogo democrático. Trata-se da degeneração de bandeiras de exaltação cega em pura violência contra quem pensa diferente. A cada tentativa de substituir o voto pela bala, pelos incêndios, pela hipocrisia e o debate pelo terrorismo eleitoral, o tecido institucional é corroído.

COVARDIA EXPLÍCITA

Disparar contra estudantes não é defesa de convicções; é covardia armada e flerte explícito com a tirania. A resposta da Justiça e das instituições precisa ser exemplar e célere, antes que a intolerância normalize o sangue como argumento de poder.

 


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