Investigação de combate à corrupção da história do país.
Foto: Andreia Tarelow
A operação resultou no bloqueio e na
devolução de bilhões de reais aos cofres da Petrobras. Gerou confissões e
condenações de executivos de empreiteiras, ex-diretores da Petrobras e dezenas
de políticos e parlamentares. Mais tarde, parte significativa dessas
condenações criminais proferidas na 13ª Vara Federal de Curitiba e ratificadas
pelo TRF-4 foi anulada pelo STF por razões processuais (incompetência
territorial e a pretendida suspeição do ex-juiz Sergio Moro).
Vale lembrar ainda: as irregularidades do Banco do
Brasil / Caso “Visanet” (2005); o Escândalo dos Sanguessugas / Máfia das
Ambulâncias (2006); o Escândalo dos Aloprados (2006); a Operação Zelotes
(2015); e os desvios no Ministério do Trabalho e no empréstimo consignado
(Operação Custo Brasil - 2016) .
Agora, neste terceiro mandato do presidente Lula,
estoura o caso do Banco Master. As investigações do escândalo continuam com
desdobramentos sobre repasses bilionários a gestoras e apurações de pagamentos
de propina a servidores públicos. Cada vez mais fatos surpreendentes são
revelados e tudo está sendo apurado. Evidentemente, não cabe antecipar qualquer
julgamento antes da devida comprovação dos fatos, mas as notícias estão aí e
não podem ser ignoradas.
Soma-se a isso a fraude dos descontos automáticos
não autorizados do INSS, cuja arrecadação milionária de mensalidades
associativas ou sindicais era deduzida, mês a mês, diretamente do benefício de
pobres e vulneráveis aposentados, cujo volume total de movimentação suspeita-se
superar R$ 6 bilhões. Os corruptos, as associações e os sindicatos ainda estão
sendo investigados. Foram realizadas algumas prisões e as apurações prosseguem.
Conforme consta de notícias veiculadas pela
imprensa e de requerimentos apresentados ao Congresso Nacional, o escândalo do
INSS atinge figuras e aliados do governo — havendo pedidos de apuração sobre
conexões que envolveriam desde parlamentares da base aliada até nomes próximos
ao próprio presidente. Tudo isso exige a mais rigorosa, isenta e transparente
apuração.
Creio que seja hora de o eleitor brasileiro pensar
que o mal maior em uma democracia é a corrupção. Se não eliminarmos a corrupção
no país, o Brasil não vai crescer.
Tenho a certeza de que deve ser do interesse dos próprios governos a eliminação
da corrupção. Primeiro, para que não se envolvam nela — infelizmente, o
material divulgado parece indicar a participação de integrantes do governo.
Segundo, porque combatê-la é a única forma de o país crescer.
Ora, o presidente Bolsonaro reduziu a dívida de 75%
para 71% do PIB, enquanto o presidente Lula já a aumentou de 71% para 81% do
PIB. Uma gastança na qual, evidentemente, a corrupção entra como um elemento. É
isso que se tem que combater. O aumento representa em torno de R$ 1,3 trilhão
(um trilhão e 300 bilhões de r eais — 10% do PIB).
Avalio que, nesta eleição, é fundamental o eleitor pensar: queremos ter um país
que conviva com tranquilidade e flexibilidade com a corrupção ou queremos um
país que combata firmemente a corrupção com todas as forças possíveis, sem
julgamentos ou preferências pessoais, com investigações profundas para, só
depois, julgar? Não se deve procurar eliminar a possibilidade de combater a
corrupção, mas, ao contrário, procurar combatê-la ao máximo, para que o Brasil
possa crescer e se desenvolver.
A corrupção não se reduz a números em planilhas ou a estatísticas econômicas
desfavoráveis; esse desvio mata. Cada real retirado dos cofres públicos
traduz-se em um leito de UTI a menos, uma escola sem merenda, um aposentado
privado de seu benefício e uma família sem acesso ao saneamento básico. Conter
esse retrocesso é uma medida urgente e inadiável.
Essa contínua subtração do patrimônio público não
pode ser encarada como um mal inevitável nem como o preço da governabilidade.
Diante da impunidade como regra, a democracia adoece e o cidadão perde a fé no
futuro. Não haverá justiça social nem prosperidade econômica enquanto o Brasil
mantiver a complacência e a normalidade em relação ao desvio de verbas
públicas. É preciso combater a corrupção com rigor inflexível e sem tréguas.
Vale ressaltar que os dados e as informações aqui
mencionados são públicos e estão à disposição dos interessados na internet.
Ives Gandra da Silva Martins é
professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O
Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme),
Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª
Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin
de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das
Universidades de Craiova (Romênia) e d as PUCs PR e RS, catedrático da
Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da
Fecomer cio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do
Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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