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A Serra do Divisor

6 de outubro de 2021 | 6.10.21 WIB Last Updated 2021-10-07T02:14:21Z

 Ocorrência rara e presente da mãe Natureza a nossa Serra do Divisor.


Região formada pelo resultado de movimentos tectônicos (divisor de águas das bacias do Ucayali/Peru e Rio Juruá/Acre) premia a todos com sua quase infinita biodiversidade!

Área transformada em Parque Nacional da Serra do Divisor (1989) é um ambiente aprazível de grande valor natural e ambiental. Dotada de grandes valores geológicos - complexo montanhoso dividido entre o Acre/BR (8.375 km2)e Ucayali e Loreto/Peru(13.545km2) - , uma província mineral ( quase intocada pela ação humana) detentora de enormes jazidas de Calcário, formações graníticas, gás natural e outros minerais estratégicos.

Biodiversidade amazônica, com ecossistemas endêmicos e formações geomorfológicas acolhedoras/ mantenedoras de espécies de: plantas, peixes, aves, répteis, anfíbios e mamíferos de importância primordial para o Planeta.

Área magnífica em dimensões. Inicialmente , tinha 1,4 milhões de hectares ( 1.450.000 ha) - haja zeros para demonstrar as grandeza desta superfície - mas com o evento do acolhimento dos campesinos e outras comunidades tradicionais não indígenas e empreendedores privados, foi reduzida em 100 mil hectares ( 100.000 ha) - lado peruano- passando a ter 1,35 milhões de hectares, uma área espetacular.

Pois bem! Mais de um terço do total deste território está em solo brasileiro( no Acre), cerca de 837.500ha). Territórios da Holanda e Suíça, juntos!

A grande diferença no controle, cuidado e uso destes territórios ( Peru/Brasil) produz uma fenomenal injustiça e gera subdesenvolvimento na região . É que no lado do Brasil -  a PROTEÇÃO É INTEGRAL!…não se pode fazer uso/ retirada de quaisquer riquezas deste território pátrio pelos nossos nativos/ empresários. Nem mesmo a União, estados ou municípios podem usar nada, nada mesmo, deste imenso território; exceto bucólicos e esparsos passeios turísticos . O conceito é contemplativo ambiental, não de sustentabilidade ambiental.

Do lado peruano, não é assim!..há movimentação de exploração econômica dentro do Parque Nacional da Sierra del Divisor. Lá, no Peru, explora-se petróleo, gás e outros minerais que lhes servem economicamente. Isto, até dentro de terras das etnias indígenas estão liberados e  em extração Petróleo e Gás. Há o aproveitamento dos valores naturais de forma econômica e são preservados os Direitos Adquiridos pelas Comunidades Tradicionais (índias/ não índias) e  se realiza Fiscalização Ambiental para minimizar os impactos antropizantes e da degradação ambientais oriundas destas intervenções econômicas. Aproveitam as Riquezas Naturais em prol dos seus nacionais.

Belo exemplo para o  Brasil seguir.  Aqui, não é desta forma !..

Aliás, não há nenhum problema para que assim fosse, à exceção do viés ideológico que sempre dominou esta temática e prejudicou todos.

O futuro não vem pronto… é necessário conhecer para intervir…indiscutível!

Mas, agora, aparece uma “luz no fim do túnel” com edição do PL n. 6024/19. Projeto de Lei da lavra de uma Parlamentar acreana ( primeiro mandato, mas já deixando suas impressões digitais de proatividade e cidadania). O projeto toca no ponto mais sensível do “engessamento” da Serra do Divisor ( lado do Brasil) -  A PROTEÇÃO INTEGRAL - enquanto Parque Nacional ( 5,48% do Acre)- que se deseja mudar para Área de Proteção Ambiental ( APA), onde se  permite flexibilização no uso/ frutos para fins econômicos.

Neste momento - por inoportuno e incrível que se apresente - surgem vozes dos  “ambientalistas do ar-condicionado e bares elegantes das grandes metrópoles” promovendo Petição em desfavor do PL 6024/19. Na real, são contra mesmo , sem razões razoáveis para tal  oposição….Santa insensibilidade e insensatez!

Desconsideram que estamos numa região onde a pedra, para as nossas modestas obras, que é insumo essencial para o desenvolvimento, está vindo de outro estado, a 400km de distância ( em média) - (se retiradas da Serra do Divisor reduziria esta distância à metade). Cujo custo, nas Pedreiras, hoje, é de  R$ 75/90,00/m3 e chegando,  no mercado, a R$ 420,00/m3 ( referência das obras das BRs 317/364). Um preço proibitivo à aquisição das quantidades e usos essenciais para melhores resultados das obras.

Tudo por se impedir retirada destes materiais pétreos daquela imensa área montanhosa - 837.500 ha( maior do que: Holanda e Suisse, juntas, repito) . Libere-se: 200ha para extração de pedras, ao final, reponha-se a camada vegetação - e, em dez anos, não se saberá mais de onde foi retirado o material.

É uma ação contraproducente obstar/ empatar a exploração econômica na área . Cuja liberação, com a devida cautela e rigor fiscal, traria grandes soluções para o nosso desenvolvimento e insipiente degradação ambiental.

Menos ideologia e mais cidadania!…pois precisamos prosperar!…

 

Autor: Antônio Furtado

Professor Universitário

Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente

Acreano de Feijó

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