As divergências entre bolsonaristas e lulistas são terminativas e inúteis à estabilização das tensões e ao avanço democrático


 * Só a terceira via conseguirá estancar o GRITO

 


Por Edinei Muniz

 

Sou da espécie que tem certeza que é do dissenso e não do consenso a via por onde jorram os produtos mais ricos decorrentes da pluralidade e do tensionamento político.

 

Alguém poderá dizer que o Brasil vive um momento rico e útil tendo como base o que estou afirmando, eis que há de fato um claro, áspero e latente dissenso em curso no Brasil.

 

Engano! Quem pensa assim ignora a natureza caótica das divergências. E o fazem ignorando exatamente os conteúdos que inflam o referido dissenso.

 

Ora, convenhamos, não é difícil em nada percebermos que o atual dissenso carrega consigo um forte e mortal caráter terminativo e não dialógico. Por isso, não há permeabilidade nos debates. E nem adianta qualquer esforço inútil no sentido de tentar desmontar essa verdade Ela é mais que nítida.

 

Para complicar, é fato que não poderiamos por simples concessão admitir qualquer síntese dialética mínima, já que, como se sabe, e é igualmente bem nítido, um dos extremos passa longe de acomodar-se em pontos, digamos, permissíveis à aceitação democrática.

 

Estou me referindo aos leriados estrambólicos dos bolsonaristas que alguns, por erros de conceituação,  ainda os admitem como expressões ideológicas. Não  são! São GRITOS pontuais decorrentes dos inúmeros URGENTES estampados nas capas dos jornais há mais de oito anos.

 

E, não sendo, aceitá-los só seria possível mediante gravíssimas concessões ao autoritarismo e ao aviltamento democrático e até mesmo revogatório dos parâmetros basilares do próprio humanismo.

 

De outra banda, o outro extremo, aqui apontado como sendo o lulismo, comete o equívoco de achar que carrega consigo o monopólio autoritário das melhores virtudes democráticas para encaminhar essa triste passagem.

 

E é exatamente aí onde reside a incapacidade e a inutilidade deste outro polo para vir a ser considerado um instrumento viável ao restabelecimento do equilíbrio político e democrático.

 

E pq? Pq este polo, o lulismo, atuou historicamente como indutor e construtor da intolerância dialógica em relação aos "conteúdos ideológicos" (o GRITO pontual) da outra banda.

 

Sendo assim, irremediavelmente, terá que destruí-lo para voltar a ascender ao poder, eis q o diálogo não se mostra mais possível em razão da profundidade do abismo que existe entre eles e a outra margem.

 

E é neste ponto onde a continha não fecha pela lógica matemática simples da frágil e insuficiente contagem final dos votos.

 

Não fecha pq é quase impossível que essa passagem se dê em ambiente de ausência de gravíssimos riscos de ruptura democrática caso a lógica dos dois polos prevaleça até o final dessa infeliz e perigosa contenda.

 

Em sendo assim, neste ambiente de extremados riscos de ruptura, sem chance para a viabilidade de quaisquer outras teses, somente a diluição dos dois polos, inclinando-os para um terceiro com possiblidade de trânsito entre ambos, conseguirá afastar o país do risco iminente de vir a despencar num abismo que, se não evitado, comprometerá pelo  menos uma década à frente.

 

Para tudo! Alguém poderá contestar o objeto desse trânsito, eis que afirmei linhas atrás não ser possível dialogar com o conteúdo bolsonarista. Se não podemos dialogar, como esperamos contar com eles?

 

Muita calma nessa hora. Chegamos no ponto de salvação final. Explico!

 

Uma vez que prospere a tese da diluição dos polos inclinando-os para um terceiro mais amplo, ainda que seja pela via do "voto útil" ofertaremos ao país chances reais de estancarmos o GRITO, não pela força, e sim pela acomodação, ainda que precária, por ter sido utilizado  apenas para destruir um dos polos (lulistas ou bolsonaristas).

 

Só assim, estancando o GRITO ou diminuindo a intensidade dele é que ofertaremos ao país a chance de que ele - O GRITO - não cresça em intensidade ao ponto de ser convertido em "TIRO, PORRADA E BOMBA". Em outras palavras: convulsão social.

 

Repare bem, viu! Ainda há tempo!

 

Edinei Muniz é professor e advogado

 

 

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