Virada que Socorro Neri precisa só tem um precedente em 32 anos de segundo turno no Brasil

 


Por Edinei Muniz

 

Analisando todas as disputas eleitorais de segundo turno já ocorridas no Brasil, uma virada como a que a candidata Socorro Neri  (PSB) precisa ocorreu apenas uma única vez, numa eleição para prefeito na qual o PT foi derrotado. Mas os contextos eram bem diferentes.

 

Enfim, para vencer a eleição hoje, a atual prefeita precisa de uma virada que ocorreu apenas uma vez desde 1988, considerando todas as eleições majoritárias – para prefeito, governador ou presidente.

 

A dificuldade da virada de Socorro se dá por um motivo duplo: Bocalom foi o primeiro colocado do 1º turno com uma votação respeitável, 0,5 % abaixo do necessário para ter a maioria dos votos; como se não bastasse, a candidata do PSB teve apenas 22,6 % dos votos válidos, o que leva a uma diferença considerável de pouco menos de 27%.

 

Há apenas um caso de candidato que venceu o segundo turno nessas condições depois de ter menos de 30% dos votos no primeiro e ver seu adversário com mais de 45%. Foi uma derrota do PT, nas eleições municipais de Santo André em 2008, tida pelos petistas até hoje como uma das mais dolorídas na ótica deles, eis que o resultado do pleito interrompeu 12 anos de hegemonia petista na cidade, iniciada pelo ex-prefeito Celso Daniel.

 

Naquele ano, Vanderlei Siraque (PT) terminou o primeiro turno com 48,9% dos votos, contra 21,8% do candidato Doutor Aidan (PTB). Portanto, foi uma virada percentualmente quase idêntica a que Socorro  Neri precisa para virar e manter-se no cargo, ou seja, 27% dos votos.

 

No segundo turno, Aidan venceu por 55% a 45%, com diminuição do percentual de votos válidos conquistados pelo adversário.

 

Diante disso, caso Socorro Neri consiga a façanha - quase improvável - será, de cara, a medalha de prata de toda a história das viradas do primeiro para o segundo turno no Brasil desde a promulgação da Constituição de 1988.




Postagem Anterior Próxima Postagem