A Imprensa quer Biden eleito

 


Márcio Accioly

 

O ministro Luís Roberto Barroso (STF), concedeu entrevista à CNN, na qual assegurou que “resultados das eleições no Brasil se assemelham muito aos das pesquisas eleitorais, diferente dos Estados Unidos”. Depois de ouvir colocação tão primorosa de uma das mais altas autoridades brasileiras, melhor seria deixar de fazer eleições.


 

Por que, então, já que sua excelência se mostra tão convencido do que diz, não se realizam apenas pesquisas, deixando de lado essa história de votação? A eliminação das eleições iria economizar quantidade de recursos financeiros que poderiam ser alocados em programas sociais prioritários.

 

Vamos torcer e esperar que o ministro convença seus pares, na chamada Suprema Corte, acabando de vez a necessidade de se mobilizar a população para votar. Antes que isso aconteça, será necessário ajustar a realidade aos fatos, pois Barroso se equivocou. As pesquisas que se realizam na terra tupiniquim não batem nunca com o resultado.


 

E mesmo considerando proclamada fraca memória do brasileiro, todos lembram o que aconteceu no último pleito, quando os principais institutos de pesquisa (Datafolha, Ibope,etc.), apresentaram previsões eleitorais jamais concretizadas. Dependesse de projeção dessas agremiações, Bolsonaro jamais teria alcançado a Presidência.

 

A verdade é que ninguém sabe dizer com segurança o que está para acontecer neste mundo tecnológico cada vez mais frio e insensível. As religiões institucionalizadas não parecem ter cumprido papel assumido, e isso impulsiona sensação de descrédito generalizado. É cada qual por si e todos por ninguém.

 

Apesar de nossa brevidade terrena, a maioria esmagadora está no mundo como se fosse ficar eternamente. É só notar a surpresa quando algum figurão cumpre seu ciclo e a morte desempenha sua função. Esquemas governamentais são montados e estruturados no sentido de assumirem o controle de tudo e de todos.

 

Os que circulam no eixo do poder já não dispõem mais de paciência para aguardar resultados democráticos com a manifestação da maioria. Os conflitos e confrontos são cada vez mais aguçados e não se sabe como tudo irá terminar. A síntese de tudo isso poderá emergir com exagerado nível de violência.


 

As eleições deste ano nos EUA repetem o mesmo método aplicado nas eleições de 2000. Naquele ano, o democrata Al Gore, que havia sido vice-presidente de Bill Clinton por oito anos, perdeu a eleição por decisão da Suprema Corte e quem assumiu o posto foi George W. Bush que estava perdendo na contagem fraudulenta de votos.

 


No corrente ano, a imprensa é quem decidiu que Joe Biden ganhou a eleição presidencial norte-americana. A recontagem continua, manualmente, e Donald Trump começa a mostrar que é de fato o vencedor. Fosse a eleição aqui no Brasil, o caso já estaria morto e enterrado. Como é que iria se provar alguma coisa?

 

Os jornalões e emissoras de televisão perderam completamente a credibilidade. O advento da internet é que ofereceu formidável válvula de escape às tensões que se acumulam no dia a dia. A chamada mídia tradicional criou mundo paralelo que dificilmente se harmoniza com a realidade.

 


Por mais que se fale mal do voto impresso, até agora não se encontrou melhor caminho para fundamentar o que de fato aconteceu. A sociedade brasileira terá de se mobilizar para a reinstituição do voto impresso. Será a única saída para resolver impasse semelhante ao que presenciamos, agora, nas eleições norte-americanas.

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