O nascimento de um ditador – Por Cássio Rizzonuto

 


Por Cássio Rizzonuto

 

As pessoas em geral vivem dentro de elaborada fantasia que se costuma chamar de “bolha”. É forma natural de defesa contra os horrores da existência a que todos os dias nos vimos submetidos. Por exemplo: Hitler é conhecido no mundo inteiro como monstro terrível, tendo exterminado milhões de pessoas como se tivesse agido sozinho.

 

Os que obedeciam às ordens do genocida alemão cumpriam suas determinações ao pé da letra, colocando prisioneiros em câmaras de gás, fazendo experiências cruéis com seres humanos vivos, infligindo inenarráveis sofrimentos como se não tivessem nada com o fato. O único culpado de tudo era Hitler e, até hoje, ainda se pensa assim.

 

A Alemanha em peso se mobilizou para saudar o “Führer” e dar aval às suas decisões, mesmo que isso implicasse em atirar na cabeça de inimigos, destituí-los de sua dignidade e condição humana, transformando-os em figuras manipuláveis que poderiam ser descartadas a todo instante. Ninguém teve culpa de nada, somente Hitler!

 


Nos dois magníficos volumes da biografia de Stálin, Dmitri Volkogonov mostra com exatidão que o falecido ditador soviético cometeu tantos crimes quanto Hitler foi capaz de consumar, mas como estava do lado vencedor (na Segunda Grande Guerra), foi abraçado e “anistiado” pelo Ocidente.

 

A adolescência dos humanos é tida e reconhecida como a fase da “rebeldia” e da luta contra valores estabelecidos, fase de desenvolvimento em que acreditamos poder moldar o mundo segundo nossos desejos. Em passado recente, quando as revoluções estavam em voga, Cuba tornou-se referencial, classificou-se como parâmetro.



 Dois assassinos, Fidel Castro e Che Guevara, auxiliados pela mídia irresponsável e pela maioria das estrelas de Hollywood, emergiram como exemplo de coragem e decência, fazendo com que o intelectual francês Jean Paul Sartre classificasse Guevara como “o homem perfeito”. As biografias mentirosas trataram de consolidar a imagem.

 

Crimes e horrores são praticados em larga escala, quando a sociedade relaxa e se deixa dominar pelo absurdo de histórias utópicas, ou quando a degradação moral atinge nível de entorpecimento incapaz de ser revertido pelo bom senso. Como no Brasil de agora. Parece que já atravessamos o ponto de não retorno em que tudo é desacreditado.

 

Num país onde não há segurança jurídica, onde os tribunais se apresentam cheios de facínoras e quadrilhas das mais desmoralizantes, não se tem como esperar resultados baseados no bom senso, na prudência e na moderação. O que está acontecendo no STF (Supremo Tribunal Federal), extrapola todos os limites de ponderação.

 

Mas essa questão é de responsabilidade de todos os cidadãos conscientes, que cumprem suas responsabilidades e não têm como se excluir do direito de opinar, participar e reclamar das chamadas autoridades. Está na hora de nos mirarmos nos exemplos de Cuba, da extinta União Soviética, da Alemanha nazista e da Venezuela.



 Está na hora de se agir, antes que seja tarde demais. O STF, ao colocar nas ruas os piores traficantes, assassinos e praticantes de crimes hediondos, debocha de toda a população, estimula o desmonte organizacional da sociedade e impõe a depravação. Mas não é só o STF ou os governantes que agem mal, impondo vontades.

 

É o povo do país inteiro que, ao não protestar nas ruas, ao não reagir, permite que bandidos togados transformem o Brasil em valhacouto de canalhas e farsantes. O momento exige que todos se insurjam contra esse estado de coisas. Antes que surja um novo Hitler, respaldado pela maioria, e nos leve a aventura de resultado já conhecido.

Postagem Anterior Próxima Postagem