A decadência moral – Por Cássio Rizzonuto


Cássio Rizzonuto

No Brasil, o crime compensa! Está comprovado, desde que foi lavrada a “certidão de batismo” de autoria de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento registrado do país. A colonização portuguesa trouxe aventureiros e serviçais que buscavam fazer fortuna fácil, abocanhar riquezas e partir para lugares “melhores”, onde vivessem à tripa-forra.

Foi cultura que se impôs e aí permanece como tradição. Mas os aventureiros se organizaram e hoje, com a facilidade do ir e vir, podem comprar apartamentos em Miami, ou em localidades onde consigam desfrutar a vida sem maior problema. Distantes da panela de pressão e da lixeira imunda em que mergulham o Brasil. Vão e voltam.

Eles (os aventureiros), se organizaram em quadrilhas extremamente articuladas e conquistaram o país pelo domínio exercido em todas as instituições. No nosso regime republicano presidencialista, quem menos manda é o presidente. No Judiciário, com palácios e integrantes incontáveis, salários e desmandos corroem as estruturas.

O Supremo Tribunal Federal possui casta de 11 ministros que emitem decisões e
diretivas sem vínculo com a Constituição. Cada qual é um presidente, monarca que delibera sobre tudo e nada assegura. O que um faz na parte da manhã, outro pode anular à tarde e tais ações se sucedem sem qualquer impedimento.

No dia 27.07.2018, a revista digital Crusoé publicou reportagem em que apontava mesada de cem mil reais recebida pelo atual presidente do STF, Dias Toffoli, do escritório de advocacia de sua mulher, Roberta Maria Rangel. A divulgação, enriquecida com fotos, dados bancários e todas as provas possíveis, está debaixo do tapete!

Até hoje, o ministro nomeado para o cargo, pelo assaltante dos cofres públicos e ex-presidente Lula da Silva, foi incapaz de refutar mísera vírgula da desmoralizante matéria. Permaneceu calado e assoviando como se não tivesse tomado conhecimento da gravidade. Quem é que pode chamar tal país de sério?

O que se discute o dia inteiro, na chamada grande imprensa, são firulas vazias enquanto somos saqueados. O advento da internet atrapalhou o plano dos ladrões instalados em governos estaduais e prefeituras, a maioria analfabeta que não dispõe de qualquer proposta positiva e tem como objetivo único levar o que lhe cai às mãos.

Um país pode ser destruído, sim, sem que a população reaja. Veja-se o caso da Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e tantos outros. O grande escritor brasileiro Monteiro Lobato dizia que “um país se faz com homens e livros”. Os livros aqui são desprezados e os homens estão rareando. O poder público no Brasil é dominado por corjas.

O mundo em que vivemos só é capaz de funcionar e produzir através do atrito, ou do confronto entre forças refratárias. É a chamada filosofia da dialética, proposta por Hegel (1770-1831). No Brasil, a malandragem e a roubalheira, por perenes, parecem contrariar tal abordagem. Que país consegue se erguer sem educação e seriedade?

O Brasil tem se especializado em louvar a canalhice, fortalecer marginais, aplaudir a bandidagem e bendizer a pornografia. Somos o rincão da cultura pornográfica e do “jeitinho” avacalhado, humilhante. Fica difícil encontrar saída, se não se buscar o conhecimento através do estudo e o entendimento pela reflexão.

Nossa “Justiça” não prende os ladrões do dinheiro público e os que vão para a cadeia são os desfavorecidos e desarticulados de sempre. Condena-se um colarinho branco a mil anos, mas as benesses das leis são aplicadas, reduzindo-lhe a pena a meses e o remetendo à tornozeleira eletrônica que no final nem é usada.

Ou tomamos consciência do caráter de eternidade que nossas mazelas têm atribuído, reagindo com pronta determinação, ou seremos engolfados para sempre pela mesmice imposta por “autoridades” sem credenciais. Por ora, os patifes têm vencido.


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