O time do Rio Branco dá seu Recado



Márcio Accioly

Em dezembro de 2008, o norte-americano Bernard Lawrence Madoff foi detido pelo FBI, acusado de vários crimes financeiros. Os malfeitos o levaram a desvios de mais de 65 bilhões de dólares, fazendo com que a Justiça com “J” maiúsculo congelasse seus ativos e impusesse pena de 150 anos de prisão, mais 117 milhões de dólares de indenização.

Madoff perdeu tudo: a esposa, que se divorciou e mudou o número do telefone (para impedi-lo que continuasse ligando da prisão), os dois filhos (um cometeu suicídio e o outro morreu de câncer), enquanto o próprio Madoff deverá morrer na cadeia. As leis devem ser cumpridas. Uma nação se constrói e se edifica através de exemplos iguais para todos.

No Brasil, o que a gente vê são as piores aberrações todos os dias, enquanto boa parte da classe média não entende o que acontece. Os piores crimes são perdoados e os infratores mal ou sequer são responsabilizados. Veja-se o caso da atual pandemia, onde governadores e prefeitos roubam somas bilionárias e tudo continua como dantes.

Aqui, existe o apadrinhamento do “pobrezinho”, e a defesa do “perdão” por “causa humanitária”. É só efetuar levantamento de quantos se encontram detidos por conta de crimes financeiros cometidos na Lava-Jato. Paulo Maluf, cria do regime de 64, já se encontra em casa, tranquilo, sem registro de que tenha devolvido algum tostão afanado.

Mas, se nos crimes financeiros o “esquecimento” nacional é fato consumado, que dizer de matadores comuns e em série, jogados de volta no convívio social, fazendo com que corramos riscos inimagináveis? A taxa de homicídios cometidos no país, antes de se descobrir que só o vírus chinês consegue matar, chegava perto dos cem mil por ano.

Vale lembrar que Madoff foi encarcerado aos 70 anos de idade (ele nasceu em 1938), contando agora com 82 anos. Ainda restam 138 anos da sentença a cumprir. Nos países latino-americanos, esquerdistas diretores de ONGs em defesa dos direitos humanos já estariam fazendo barulho e denunciando a “brutalidade” do sistema.

Somos, agora, surpreendidos com o anúncio da contratação do goleiro Bruno, pelo presidente do Rio Branco, no Acre, para disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. O goleiro Bruno foi condenado pelo assassinato de Eliza Samúdio, “além de sequestro e cárcere privado do filho, Bruninho”, o qual não foi morto por milagre!

Preso em 2010, o goleiro foi solto em 2019, apesar de apenado em 20 anos e nove meses. Até hoje não se sabe onde está o corpo de Eliza Samúdio, havendo relato de que partes dele foram dadas a cães ferozes pertencentes a um de seus cúmplices e principal executor do crime, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

O que faz o presidente de um clube de futebol, Neto Alencar, contratar um impune assassino condenado? Que exemplo e lição será dada aos torcedores, jovens e crianças que torcem pelo Rio Branco? O goleiro Bruno irá finalmente confessar onde está o corpo da mãe assassinada? Que justificativa o presidente irá apresentar a seus filhos, se os tem?

Enquanto fatos como esses acontecerem, pela irresponsabilidade de quem deveria cobrar atitudes sérias de seus atletas, o país continuará a naufragar nos seus desvios. O presidente que assume tal expediente não tem como cobrar nada de quem quer que seja.

Uma nação é fruto do comportamento moralizador de cada uma de suas cidadãs e cidadãos. Nos pequenos gestos, atitudes e paradigmas é que as normas e regras se fortalecem. Seguindo esse exemplo desmoralizante do presidente do Rio Branco, é de se esperar que a próxima contratação seja a de um serial killer.




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