BAÚ DA QUARENTENA: CÂNDIDO JOSÉ MARIANO, O CONSTRUTOR DE SENA MADUREIRA

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Por Edinei Muniz

Quando Cândido José Mariano chegou ao Acre em junho de 1905 para assumir a Prefeitura do Departamento do Alto Purus, cargo que exerceu até 23 de julho de 1910, e praticamente fundar a cidade de Sena Madureira, já trazia na bagagem muita história a ser contada.

Candido José Mariano - não confundir com Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon - nasceu em Alfenas, Minas Gerais, em 22 de maio de 1870.

Ainda jovem, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, hoje Academia Militar das Agulhas Negras, onde formou-se Oficial Engenheiro Militar do Exército 

Militante Republicano, ainda cadete, participou dos movimentos que derrubaram a Monarquia e culminaram com a Proclamação da República em 1889. Era integrante do Centro Republicano da 3ª Companhia, formado por jovens aspirantes a oficiais da Escola Militar da Praia Vermelha.

Em 1893, já Alferes, fiel a Floriano Peixoto, de quem se tornaria mais à frente homem da mais absoluta confiança, juntou-se ao grupo de jovens oficiais do Exército que defendiam a permanência do mesmo na presidência e ajudou no desmonte da insurreição que ficou conhecida como Segunda Revolta da Armada, levante liderado por altos oficiais da Marinha que exigiam a renúncia de Floriano e a realização de eleições para presidente.

Ainda no governo de Floriano Peixoto, esteve no comando de arriscadas operações de "desterro" de presos políticos e militares revoltosos para o Forte São Joaquim do Rio Branco, no Amapá.

Engenheiro militar, entre 1895 e 1896, é nomeado para integrar a equipe de técnicos que atuavam nas obras de ampliação da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Em meados de outubro de 1896, destacado para o Amazonas, assume o 1º Batalhão de Infantaria e também o comando das forças de segurança.

Nesse período, acumulava a função de Diretor de Obras, ocasião em que participou dos acabamentos finais do Teatro Amazonas em 1897, tendo atuado ainda em diversas outras obras importantes naquele estado.

Em agosto de 1897, marcha para o Arraial de Canudos levando consigo 249 praças e 24 oficiais para ajudar na peleja das forças federais que combatiam o exército de retirantes de Antonio Conselheiro no Sertão Baiano.

Mata algumas centenas em meio à barbárie, encontra Euclides da Cunha, antigo colega de escola militar, e após marcar presença até os momentos finais da revolta, retorna como herói do Exército.

Após Canudos, é homenageado e promovido!. E passa a comandar a Comissão de Investigação do Exército.

Dois anos depois, cansado da vida militar, visando dedicar-se exclusivamente à engenharia, pede baixa e passa a atuar como Inspetor Federal de Estradas e Ferrovias. Atua na Ferrovia Madeira-Mamoré e em diversas outras por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 1905, já bastante conhecedor da região, onde já havia atuado na demarcação de terras no tempo em que esteve no Amazonas, é nomeado Prefeito do Departamento do Alto Purus.

À frente da prefeitura, Cândido Mariano soube aliar o bom relacionamento político que mantinha com o governo central com a larga e destacada experiência adquirida como engenheiro. E construiu uma cidade!

No campo político, soube contornar e manter razoavelmente sob controle as corriqueiras revoltas e as permanentes insurreições, episódios bastante comuns no ambiente político do início do Acre Território em meio aos constantes ecos por "autonomia do Acre"

Construiu hospital, escolas, mercado público, instalou o Poder Judiciário, abriu ruas, executou dezenas de obras públicas e, conforme dito por ele próprio meses após deixar a prefeitura: "bati o mato e fundei uma cidade".

Após deixar a prefeitura, fato ocorrido em julho de 1910, voltou a ser nomeado para a Inspetoria Federal de Estradas e Ferrovias, cargo que exerceu até março de 1931, quando então aposentou-se.

Nesse período, voltou ao Acre por volta de 1912, no cargo de Inspetor Federal de Estradas, nomeado para fiscalizar as obras de construção da estrada ligando o Departamento do Alto Purus ao do Alto Acre.

Cândido José Mariano, figura que fundou a cidade de Sena Madureira, ou "Marianópolis", nos dizeres de quem conhece a história, faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de novembro de 1941, aos 71 anos. Está enterrado no Cemitério São João Batista.

Obs: Na foto abaixo, banquete oferecido por Cândido José Mariano ao Dr. Bueno de Andrade, chefe da Comissão de Obras do Território do Acre (1908. Arquivo Nacional).




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