A esperança é também finita


Márcio Accioly

Muita gente acredita que comunismo é regime de igualdade e de distribuição de renda, onde todos vivem felizes e a população deita e rola na prosperidade. Outros acreditam que socialismo (título alternativo do mesmo sistema comunista), é o paraíso na Terra. E tudo não passa de doloroso equívoco.

Se concordarmos que o Capitalismo é cheio de falhas, que nada mais é do que “a exploração do homem pelo homem”, teremos de consentir, também, que não apareceu ainda nenhum outro regime capaz de substituí-lo. E mais: nenhum sistema dito de esquerda foi capaz de promover a felicidade e liberdade do ser humano. Pelo contrário.

Onde o socialismo, comunismo ou qualquer derivado de esquerda se instalou só promoveu genocídio e miséria. Mesmo assim, quem é que nunca ouviu alguém falar que o primeiro comunista, ou primeiro socialista da História foi Jesus Cristo? Nada mais que desvario e desonestidade intelectual, quando não má-fé.

A filósofa de origem judaico-russa, Ayn Rand, definiu bem o impasse na classificação de socialismo e comunismo:

“Não há diferença entre comunismo e socialismo exceto nos meios que buscam para alcançar o poder. O comunismo propõe a escravização do homem pela força. O socialismo, pelo voto. É meramente a diferença entre assassinato e suicídio”.

Cristo era meditador transcendental, que se tornou perigoso ao alcançar a iluminação, na linha de Buda, Krishinamurti, Osho, Maharshi e outros. Não é assunto que se possa conhecer ou explicar em quatro linhas, pois exige estudo, percepção e entendimento. Nem Cristo nem Buda jamais criou, ou criariam uma igreja.

A verdade é que o mundo vive em conflito. Corremos sempre a mercê de duas leituras, encarando duas faces e interpretações na mesma moeda. Às vezes, um lado pontifica, às vezes, outro. Nada é permanente, ou para sempre. A própria vida não é para sempre e, dizem os místicos, a morte também, não!

Estamos sempre indo e vindo, em existência que não se explica. Luta-se pelo pão de cada dia e a maioria crê possuir bens materiais e recursos, embora morra como todos os outros: sem aviso e sem levar coisa alguma. A Natureza tem seus mistérios e segredos infindos, criando e destruindo, desenhando novas espécies e formas. É ela quem manda.


Vivemos em ambiência de altíssimo risco, expostos a intermináveis ameaças e riscos, embora poucos percebam quão frágil é a vida e quão imprevisíveis os perigos a que nos vimos submetidos. Nossa luta diária é no sentido de evitar a própria predação, ao mesmo tempo em que predamos tudo e todos.

Já tivemos dinossauros, tigres de sabre, preguiças gigantes e pássaros gigantescos, até mãe Natureza vir e determinar quem deve ficar e quem deve sair. Agora, neste exato momento, estamos no pórtico de outra mudança radical como tal, com a chegada de nova era do gelo. Quem irá desaparecer? Elefantes? Girafas? Rinocerontes?

Sempre que nos aproximamos do final de um ciclo (“final dos tempos”), como ora acontece e testemunhamos, os conflitos se aguçam. O mundo se encontra de ponta cabeça e nada mais parece se ajustar. No Brasil e no restante do planeta a desarrumação é geral. Chega um instante em que tudo se torna muito chato e não existe mais opção.

Diz-se que a esperança é a última que morre. O que acontece quando ela morre?





Postagem Anterior Próxima Postagem