Vivendo nas nuvens - Por Cássio Rizzonuto



Quando a pandemia do coronavírus for embora, se é que irá um dia (pandemias perduram pelos séculos), não restará pedra sobre pedra. No Brasil (tão somente idiotas ficarão impedidos de ver), estará constatado, comprovado e registrado que a maioria de nossos homens públicos é formada por ladrões e quadrilheiros imundos.

E ainda há quem vá se surpreender com tal “descoberta”.

Grande parte dos nossos homens públicos, em qualquer democracia de respeito, estaria presa e esquecida. Mas, aqui, não! Eles se encontram à solta, opinando sobre qualquer assunto, enganando desavisados na incessante tarefa de roubar o dinheiro público, aproveitando-se de todas as ocasiões. São insaciáveis.

Na guerra pessoal e por picuinhas sem importância, travada entre si, destroem o país se necessário for, desde que se projetem a cargos mais elevados e promissores onde prosseguirão na sanha incontida de tudo abarcar e nada produzir. Depois de um tempo, perdem por completo a dimensão dos fatos e passam a se pautar por delírios.

Como não leem, não estudam e de nada sabem, desconhecem por inteiro a história. Não conseguem interpretar cenários, projetar condição, tampouco enxergar embaixo do próprio nariz. Soubessem disso, descobririam que o Brasil está mergulhado numa pré-revolução. Em que os mais expostos poderão pagar com a própria vida.

Nunca ouviram falar em Revolução Francesa ou Soviética, nem lembram lances que derrubaram Saddam Hussein, no Iraque, ou Kadafi, na Líbia, dentro de sucessão de fatos batizados erroneamente de “Primavera Árabe”. O Brasil é o país onde mais se fala num tal Estado de Direito, embora vivamos há séculos em calamidade.

É um país onde cada um dos 11 ministros do STF elabora, interpreta e aplica as próprias leis. Como no impeachment da então presidente, Dilma Roussef, fatiado por Ricardo Lewandowski (ela não perdeu os direitos políticos) ao arrepio da Constituição.

País onde se defende “princípios básicos” e igualdade, embora o presidente do STF, Dias Toffoli, acusado de receber propina mensal de R$ 100 mil, jamais se pronunciou sobre o assunto, nem foi provocado a responder acusação tão grave.

Brasil onde a maioria do mesmo STF decidiu proibir a “condução coercitiva”, mas onde um seu ministro, Celso de Mello, utiliza o expediente para afrontar generais das Forças Armadas e mostrar quem é que manda. O ministro Marco Aurélio, por exemplo, já afirmou que da forma como se caminha “nós teremos 11 STFs”. Já os temos.

Os governadores, contrários ao governo federal, precisam descobrir que o lockdown, que tencionam impor, irá arruinar a economia, aprofundar a fome (que já começa a emitir ruídos) e promover insatisfação que poderá se traduzir em revolta. Quando a fome começar a imperar de fato, não haverá reinado que se sustente.

Os mais pobres se amontoam em seus espaços, carentes de tudo. Em lugares que não existe água encanada, esgoto, promessa de solução ou saída. Os que se locupletam com a miséria humana faturam milhões em compras sem licitação, como se o dinheiro, e não a produção econômica, fosse capaz de prover exigências. Pobres canalhas!

Não se tem como suportar por mais tempo o aperto do garrote vil. No Brasil, é verdade, tudo funciona precariamente. Mas, agora, fica bem claro que a roubalheira e a desordem são regras gerais. Não se pode exigir do povo padrão de comportamento que as elites rejeitam. Está na hora de começar a enxergar o sério desastre que se aproxima.


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