O vírus chinês e os indígenas


Márcio Accioly

A médica sanitarista Sofia Mendonça, pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), confirmou uma das maiores preocupações do senador de Roraima, Mecias de Jesus (Republicanos), com relação a possibilidade de “genocídio” de povos indígenas, caso o Coronavírus (vírus chinês) se alastre.

Nos apelos efetuados junto ao governo federal, para que fronteiras brasileiras fossem fechadas (em especial na Região Norte), Mecias de Jesus sempre alertou sobre o perigo representado pela doença, caso alcançasse comunidades indígenas de seu estado. Seu pedido foi finalmente atendido pelo presidente Bolsonaro.

Em Roraima existem várias etnias circulando por reservas. Qualquer contato indesejado, com portador do vírus chinês, poderá dizimar grande número dos chamados silvícolas. Com as dificuldades naturais do meio em que vivem, tais como ausência de hospitais, medicamentos e outras facilidades, o resultado seria desastroso.

“As comunidades indígenas, ainda são altamente vulneráveis, mesmo depois de 500 anos da chegada do homem branco”, comenta o senador. O problema é que não dispõem de anticorpos necessários ao combate de enfermidades, sucumbindo a moléstias consideradas “corriqueiras pelos ditos civilizados”.

Sofia Mendonça, que atua como coordenadora do Projeto Xingu da Unifesp (promovendo a saúde de povos indígenas da Bacia do Xingu), no Mato Grosso e no Pará, afirma que o fechamento da fronteira defendido pelo senador de Roraima “é o primeiro passo no combate eficaz à disseminação do vírus”.

Ela lembrou o efeito desastroso nas comunidades indígenas causado por grandes epidemias do passado, como, por exemplo, o sarampo. Diante de tal cenário, segundo a médica sanitarista, não há como abrir a guarda e deixar correr livre. “O poder público tem a obrigação e o dever de marcar presença, evitando o pior”.

A pesquisadora da Unifesp garante que os povos indígenas são “especialmente vulneráveis a doenças respiratórias”. Em tempo de internet, o senador tem participado de sessões e votações do Senado, mantendo contatos com lideranças políticas e indígenas de seu estado através do WhatsApp.

Mecias de Jesus está empenhado em evitar, a qualquer custo, contatos exteriores com etnias indígenas que vivem nas reservas do estado, para que os seus integrantes não sejam infectados. Ele tem mantido proximidade com todos aqueles que são, de certa forma, responsáveis pela questão.


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