Picaretas e Vivaldinos – Por Cássio Rizzonuto


Cássio Rizzonuto

Vamos e convenhamos: quando elegeu Bolsonaro presidente, parte expressiva da população brasileira externava desejo de ver o STF fechado, boa parte dos integrantes do Congresso Nacional encarcerada e os grandes problemas nacionais resolvidos num passe de mágica. Mas como tudo tem seu próprio ritmo, nada é como se deseja.

Fechar o Congresso e o STF não traria resultado definitivo que atendesse a todos por muito tempo. O primeiro já foi fechado e o segundo já teve, até mesmo, o número de sua composição alterado (no regime militar, 1964-85). Passada a fase inicial, tudo teve de voltar a ser o que era e deu-se a chamada última forma.

O que se precisa é acabar com ajeitadinhos de conveniência (o jeitinho brasileiro), metendo-se na cadeia congressistas e ministros ladrões. Fazer com que cumpram penas e percam benefícios de imorais acordos inseridos no toma-lá-dá-cá de desmoralizado país. O voto analfabeto é comprado e grandes esquemas eternizam a desordem.

Não se tem como fortalecer a democracia com um presidente de Câmara flagrado na planilha de empreiteira corruptora, ostentando o vistoso codinome “Botafogo”. Não se tem como louvar Congresso Nacional, republicano (que tenta de forma malandra intitular-se “Parlamento”), com presidente de Senado repetindo práticas condenáveis.

Deputados federais e senadores curvam-se à vontade de duas figuras deprimentes, nas duas Casas, que se jactam de impor normas e regras, estabelecer pautas e traçar diretrizes, depois de eleitos presidentes em cada uma delas. Abdicam de direitos legítimos como representantes nacionais, atendendo regulamento não grafado em nenhum tratado.

Deve-se acabar com a história de o presidente do Senado ou o da Câmara decidir o que ser votado ou não. Tal decisão tem de ser submetida ao plenário. Dar fim ao vezo de chamar “Parlamento” o Congresso Nacional, pois não existe a figura do primeiro-ministro. Vejam o exemplo dos EUA. O regime é como o nosso. Não é Parlamento.

Quando vazou uma conversa do general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) dando um “foda-se” aos integrantes do Congresso Nacional que “chantageiam” o governo, parte da imprensa (justamente a que vivia pendurada em cofres públicos), ficou escandalizada. Mas não existe outra palavra que não seja “chantagem”.

Na verdade, isso tem de ser resolvido pela população brasileira, pelo eleitorado. Quem coloca esses vermes como representantes no Congresso Nacional é o eleitor. A maioria dos mandatos é comprada. Coloquem tais “representantes” nas ruas, sem dinheiro, apenas com seus argumentos, buscando mandato, e vamos ver quem chega lá.

Depois de “eleitos”, utilizando bilhões do fundo partidário, os congressistas vão fazer leis que os impeçam de ser presos, mesmo em flagrante delito e vão chantagear o governo para aprovar o que é indispensável e fazer reformas que a sociedade necessita. Procurem os nomes dos que se elegem sempre.

Busquem os Aguinaldos Ribeiro, os Arraes, os Glauber Braga, Ivans Valentes e nem tão, todos estão lá, sempre, pendurados nas tetas da Viúva. Defendendo absurdos e recebendo salários magníficos e bilhões partidários. Costumeiros na salvaguarda dos próprios interesses. Verifiquem quanto trabalham, o quanto defendem a pátria brasileira.

O Brasil esmerou-se na cultura da pornografia, banalizou a indecência e aceita tranquilamente qualquer iniquidade. Vivemos na canalhice, coniventes com a bandalheira, num clima complacente e tolerante. Não se tem como reclamar dos nossos representantes. Ou se reage de maneira altiva ou se acumplicia na completa depravação.


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