O “progresso” que é retrocesso - Por Cássio Rizzonuto



Quem mais levantou suspeitas sobre o Judiciário do país foi a ex-ministra do STJ e ex-Corregedora Nacional de Justiça Eliana Calmon. Num país sério, onde não existisse tanto medo e receio com relação aos ditos togados, a casa teria caído há bom tempo. O problema é que grande parcela do Legislativo parece coincidir com a bandidagem.

São tantas e tão graves as denúncias e acusações que poucos sabem por onde começar. Juízes vendendo sentenças, desembargadores e ministros tomando decisões eivadas de suspeição, fatos tornados corriqueiros, valha-nos Deus! E não há punição para esses chamados magistrados: saem de mansinho e incólumes, mas carregados de culpa.

O caso mais recente e aterrador foi a soltura do ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho. Acontece que o ministro do STJ que o soltou, Napoleão Maia, está apavoradíssimo, segundo o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. É que outro preso quer fazer delação premiada que atinge Napoleão Maia.

Trata-se do ex-procurador geral da Paraíba Gilberto Carneiro. Ele irá afirmar com todas as letras que Napoleão Maia está envolvido em rolos e desvios. O ministro do STJ não descobriu, ainda, a melhor maneira de colocá-lo livre, nas ruas, a fim de fazer com que Carneiro não berre, nem coloque a boca no trombone.

Não é apenas Napoleão Maia quem Gilberto Carneiro quer denunciar. Diz-se que ele dispõe de nomes do próprio STF, confessando-se magoado com o fato de estar preso desde o mês de dezembro passado. Curtiu Natal e Ano Novo atrás das grades. Foi detido juntamente com o irmão do ex-governador, Coriolano Coutinho.

O único que conseguiu deixar o xilindró até agora foi Ricardo Coutinho, talvez pelo fato de ter “administrado” a Paraíba. Ele sempre se declarou “socialista”, filiado ao PSB, corroborando o fato de que comunismo mesmo só é bom para quem se encontra no topo, gozando privilégios de mando. São as tais “forças progressistas” tão conhecidas.

Gilberto Carneiro e os irmãos Coriolano e Ricardo Coutinho são apontados como autores de desvio de mais de R$ 134 milhões nas áreas da saúde e educação da Paraíba. Meteram a mão com arte e empenho. Foram 13 pessoas presas na sétima fase da Operação Calvário, inclusive Ricardo Coutinho o único solto pelo ministro Napoleão Maia.

O Brasil parece estar deixando de ser o paraíso dos ladrões, mas muito lentamente. É difícil mudar prática criminosa que se encontra enraizada há séculos. É preciso, no entanto, ter muito cuidado. Basta um voto em falso e toda a bandalheira será recomposta. As pessoas querem que tudo mude em poucos meses ou dias. Veja-se o caso da Argentina.

No vizinho país, “forças progressistas” começaram novamente a ditar regras. O presidente anterior, Maurício Macri, por desconhecer meandros da embrulhada política, perdeu a eleição para os que infelicitaram àquela nação por tantos anos. Todo cuidado é pouco. O caminho para a Venezuela passa por aludidos “progressistas”.


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