Nem tudo é como parece



Márcio Accioly

Diz-se que, no Brasil, o ano só se inicia após o Carnaval. Seguindo tal princípio, neste 2020 os fatos serão contabilizados a partir de 2 de março, primeira segunda-feira depois dos festejos de Momo. 2020 é ano bissexto. Ele tem um dia a mais em fevereiro. Ano bissexto é todo aquele divisível por 4. Essa história começa com os egípcios.

Mas não é disso que iremos tratar agora. Apesar da ideia de que tudo tende a ficar parado, com a chegada do Natal, existem milhões e milhões de pessoas que trabalham o tempo inteiro (no intervalo que leva ao Carnaval), fazendo o país funcionar. Além disso, a maioria esmagadora da população nem mesmo gosta do transtorno carnavalesco.

Mas os hospitais não param, os afazeres do dia a dia, a luta pela sobrevivência, as emissoras noticiosas (rádio e televisão), os cemitérios, o aprendizado de quem gosta de ler e estudar, enfim, a azáfama do cotidiano. Não há nada que cesse, um só instante, no mundo inteiro. Todos sabem que até a água, se parada, fica imprestável, apodrece.

Em 29 de dezembro de 2019, domingo, num resumo do que aconteceu de importante para Roraima naquele ano, a Rádio Folha trouxe entrevista com o senador Mecias de Jesus (Republicanos), no programa Agenda da Semana. Muitos não ouviram por estarem sobrecarregados de tarefas e incumbências próprias de finais de ano.

Ele falou a respeito do Projeto de Decreto Legislativo que exclui Pacaraima da Terra Indígena São Marcos, lamentando o fato de demorar tanto a aprovação (que já aconteceu no Senado). O PDL foi para a Câmara, onde o deputado Jhonatan de Jesus apresentou requerimento de urgência, a fim de resolver a situação de vez.

Mecias falou de vários outros assuntos, inclusive sobre o Linhão de Tucuruí, a questão dos refugiados venezuelanos, o problema da corrente que impede a circulação de veículos na Reserva Waimiri-Atroari, a regularização fundiária, sem nada esquecer. E lembrou que acredita na boa intenção do governo federal com relação a Roraima.

Entre todos os temas relevantes da terra macuxi, abordou-se, ainda, o que se refere ao enquadramento de antigos servidores do extinto Território Federal. O senador sabe que este assunto não é mais objeto de apelo eleitoreiro e que tudo está sendo feito para que se encontre solução satisfatória, sem prejudicar àqueles que de fato merecem consideração.

Quem for ao site da Rádio Folha de Roraima irá encontrar a entrevista que somente agora vem obtendo devida repercussão. Ela mostra, acima de tudo, que muita gente trabalha nesse grande intervalo antes dos clarins de Momo. E que um país não deve viver apenas de mitos e fantasias, na busca de seu desenvolvimento.

Daqui a pouco o Judiciário e o Legislativo retornam de suas férias, somando-se aos milhões de trabalhadores que continuam a exercer suas atividades profissionais, esperançosos de um país mais justo e de um amanhã sempre vibrante no resguardo do interesse geral.


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