Dia dos Carteiros: o dia da angústia * Por Suzy Cristiny



No sábado, 25 de janeiro, comemoramos o Dia do Carteiro, uma celebração que, a cada dia parece ampliar a angústia de um futuro incerto. O motivo são os constantes ataques ao trabalhador dos Correios e a ameaça de demissões, a possibilidade de venda empresa e o fantasma do fim da entrega de correspondência, em várias partes do país.
Acredito ser difícil imaginar uma pessoa feliz com o fantasma do desemprego. Exemplos cotidianos não faltam para reforçar o argumento, bastando olhar a luta de um cidadão que procura um trabalho.
Assim, o trabalhador que veste o uniforme azul e amarelo, pega uma bicicleta, moto ou carro quebrados, cheios de problemas, continuando a caminhada, de sol a sol, na chuva, na terra, entregando cartas e encomendas, deixando pessoas felizes com os produtos que chegam em casa, enquanto ele não sabe como ficará a própria condição financeira em dezembro de 2020.
Exemplos positivos e superação, mensagens bonitas não faltam para tentar levantar a moral do funcionário, mas críticas ao serviço e o apoio de certas pessoas a privatização não ajudam a superar o mal-estar.
A condição do trabalhador fica cada vez pior, quando um parlamentar deixa de lutar pelo cidadão, para apoiar privatizações, que trarão aumento e despesas para o consumidor. Aliás, é possível verificar que boa parte da classe política não pensa na população ou no funcionário dos Correios deixando claro a posição em prol da venda da estatal.
Quem trabalha disposto, alegre e contente com problemas de saúde, como o câncer de pele ou com depressão? Quem consegue atuar de forma tranquila, enquanto sofre com crises de ansiedade por não poder contar com o apoio da empresa por saber que o emprego está ameaçado? Quem tem uma boa noite de sono depois de ser vítima de assédio moral, em decorrência do acúmulo de trabalho? 
Enquanto não há melhora nessa perspectiva, a direção da empresa corta o plano de saúde do trabalhador, tenta tirar direitos e busca deixar de investir, justamente para resultar em reclamações dos consumidores que também sofrem com a falta de um serviço melhor.
Mesmo com tantos problemas, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Acre (Sintect-AC) continua buscando meios para manter o emprego e a garantia dos direitos, mas a população também precisa ajudar.
A ajuda ou apoio não é apenas para parabenizar o carteiro pelo seu dia, mas para cobrar da direção da empresa o investimento para um serviço mais eficiente e que existe há 357 anos, uma empresa que atravessou séculos, mas que, hoje, não tem apoio dos governantes para continuar existindo.
Acreditar é o primeiro passo para que o serviço continue existindo para a sociedade em geral, nos locais mais longínquos, atendendo sempre bem a população. 
*Suzy Cristiny
Presidente do Sintect-AC    

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