A Ilusão da Existência



Márcio Accioly

No mesmo dia em que o Irã bombardeou duas bases iraquianas, onde se encontram tropas norte-americanas, um Boeing caiu depois de decolar do aeroporto de Teerã, matando 176 pessoas. 82 iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afeganes, três alemães e três britânicos estavam no voo.

O desastre aéreo, segundo informações preliminares, não teria nada a ver com o bombardeio iraniano, mas os líderes daquele país já declararam que não irão entregar as duas caixas pretas para análise nos EUA, como seria praxe enviá-las aos fabricantes. Os EUA teriam de participar, pois é lá onde fica a sede da Boeing.

Muito se fala do atraso em que se encontram os países islâmicos, em função do tratamento dispensado às mulheres, gays e outros grupos, acusando-os de ainda aplicarem métodos dos séculos 6º e 7º, quando Maomé nasceu e morreu, respectivamente. Mas a verdade é que o Ocidente, apesar de todo desenvolvimento, nada fica a dever em horrores.

O racismo presenciado em todos os países ocidentais encontra similares em termos de barbárie. Persegue-se, mata-se e mutila-se como represália ao fato de uma pessoa nascer com a cor da pele diferente. Como se alguém fosse culpado de não nascer branco transparente, ou de não ter o cabelo fino e naturalmente alisado.

O bombardeio iraniano foi retaliação à morte do general Qassem Soleimani, ocorrido em ataque aéreo norte-americano. O general era dos mais poderosos no país, responsável por ações terroristas e muito ligado ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Nas últimas décadas, sobreviveu a várias tentativas de assassinato.

Com Soleimani não tinha essa história de ser bonzinho, não. Dizem que participava pessoalmente de sessões de tortura, gozando de grande popularidade num país que costuma jogar homossexuais do alto de prédios, amarrados por cordas e indefesos. E olha que todos são obrigados a dizer orações cinco vezes ao dia!

Depois de sua morte o Irã ameaçou revanche, o que deixou o mundo em polvorosa. Afinal, Donald Trump, presidente norte-americano, avisou que sua resposta seria “desproporcional”, caso os iranianos atacassem instalações do país ou matassem algum de seus cidadãos.

Na quarta-feira, o país dos aiatolás bombardeou duas bases iraquianas e emitiu nota, dando-se por “satisfeito”, como se quisesse colocar panos quentes na situação e dar satisfação interna a grupos radicais. Afinal, conflito de maior proporção iria arrastar o mundo inteiro, fechando o Estreito de Ormuz e delineando guerra nuclear.

Nada foi resolvido, nem será. O mundo hoje se encontra a mercê de grupos infiltrados que trazem sério risco ao território europeu e ao próprio EUA. Enquanto isso, mortais comuns seguem a vida, imaginando-se eternos e acreditando possuírem imóveis seguros ou que são mesmos donos de alguma coisa neste planeta orbitando o Sol.

A vida é frágil chama que se esvai num sopro. As pessoas veem isso todos os dias, mas nunca enxergam. O que nos move e redime é a loucura e o esquecimento.




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