O BRICS como fator de liberdade - Por Mecias de Jesus

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Mecias de Jesus*

Brasília sediou, na última semana, mais uma reunião dos países considerados “emergentes”. Eles formam conjunto econômico identificado como BRICS. Apesar de não poder ser reconhecido como um bloco econômico oficial (por não possuir estatuto ou registro formal) reúne algumas das maiores economias do mundo.

Um dos maiores paradoxos, ou falta de lógica, é considerar como emergentes países do porte do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (cujas iniciais formam o BRICS), quando são eles, especialmente o Brasil, os maiores detentores de matérias-primas que abastecem o parque industrial do chamado primeiro mundo.

Os países desenvolvidos sempre utilizaram essas matérias-primas exibindo ar de superioridade e certo desdém, como se delas não dependessem para manter altos índices de desenvolvimento. E mantiveram governos submissos aos seus desejos, exercendo férreo controle, dominando por décadas o fluxo de transferência de nossas riquezas.

Mas é claro que não basta, apenas, cessar a transferência de matérias-primas a preços risíveis, alimentando indústrias e o PIB de outras nações. Torna-se indispensável criar uma consciência, através da educação e do engajamento, formando cidadãs e cidadãos empenhados na defesa dos direitos, deveres e valorização nacional.

Iniciado de maneira informal no ano 2006 (a África do Sul só se integrou ao grupo em 2009), os BRICS reúnem 45% de toda a força de trabalho do mundo, sendo capazes de gerar uma média de 20% do PIB mundial por ano. As grandes potências, como os EUA e a União Europeia (UE), já se sentem ameaçadas.

E não é para menos.

O potencial econômico de cada um dos cinco países integrantes do BRICS deverá ser muito impulsionado com o Novo Banco de Desenvolvimento, com capital previsto de US$ 50 bilhões, o qual será dividido igualmente. O Banco foi criado em 2014. Todos os anos, cada um dos integrantes aporta US$ 1 bilhão.

O próximo presidente do Banco será indicado pelo Brasil. O órgão terá escritório regional em São Paulo e representação em Brasília. Segundo especialistas em política internacional, os países integrantes do BRICS deverão superar as atuais consideradas potências mundiais em aproximadamente 50 anos. Mas poderá acontecer bem antes.

A preocupação do FMI com o BRICS fez com que entrasse em vigor, em 2015, a 14ª Revisão Geral de Quotas que havia sido acertada pelos seus membros no ano de 2010. O Brasil, como acionista, passou da 14ª posição para a 10ª. E aumentou, também, o poder de voto dos países em desenvolvimento: de 39,4% para 44,7%.

Todas essas mudanças acontecem no âmago da compreensão de que os países emergentes começam a assumir de fato seu verdadeiro papel: crescendo e desenvolvendo seu próprio potencial, ao se industrializarem com a utilização de seus próprios recursos primários.

Os que formam o BRICS sabem da responsabilidade maior para conscientizarem suas populações, oferecendo estímulo ao desenvolvimento educacional. O objetivo é a formação de agentes capazes de atuarem com maestria na industrialização de seus respectivos países. Essa é a nossa maior preocupação e a base de nossa independência.

Publicado inicialmente no jornal Folha de Boa Vista (RR)
*Senador (Republicanos-RR)


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