Dizer NÃO ao abuso não é golpe - Por Edinei Muniz

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Por Edinei Muniz

O que ocorreu na Bolivia, ou melhor, o que está ocorrendo, já que a crise inevitavelmente ainda irá muito, muito longe, é um caso flagrante de insuficiência institucional. E o responsável por tal insuficiència foi o presidente deposto. E foi integralmente! 

Morales almejava manter-se no poder pela via do "golpe institucional".
Democracia combina com eleições, certo? Sim! Mas a dele foi fraudada e os artífices da fraude, as instituições, não tiveram forças para mantê-la. 

Morales, em verdade, nem candidato poderia ter sido. E pq? Pq havia um referendo proibindo a sua reeleição. 

Ah, "peraí", mas as instituições judiciais bolivianas, ignorando o referendo, disseram que ele poderia concorrer!  

Sim, instituições judiciais -  controladas por Evo Morales - que não conseguiram níveis satisfatórios de efetividade de "paz social" diante da aberração que produziram. 

Ora, mas as decisões judiciais devem ser respeitadas. Essa é a regra. Sim, é verdade! Mas o referendo também deveria ter sido. É, mas não foi! E ao não ser, começou a inquietação. Diga-se, com toda razão. 

E outra, o povo boliviano não desrespeitou a decisão judicial, tanto que Evo foi candidato. Em miúdos, quem garantiu a suficiência institucional para tal foi a principal instituição democrática da tal democracia, o próprio povo, que deve ter pensado: te pego na próxima! 

Vieram as eleições. O mesmo povo, que já havia sido engolido uma vez na sua soberana decisão, foi lá e votou como manda o figurino democrático. 

Em seguida, abriram as urnas. E o que ocorreu? O óbvio! A verdade - que já era nua e crua - começou a aparecer, diga-se, pela segunda vez. Ou seja: o povo já não queria o Evo Morales na presidência. 

E o que fez Evo após ouvir o segundo sonoro não dos bolivianos? Bateu no peito, chamou o que ele classifica como instituições democráticas (INSUFICIENTES, da democracia dele) e tentou dizer um "aqui quem manda sou eu e acabou a conversa". 

E o que fez o bom e combativo povo boliviano? 

Ora, reagiu! E disse assim: 

- Eu já tinha dito NÃO no referendo, dou-lhe UMA! 

- Eu já tinha dito NÃO na eleição que você nem ao menos poderia concorrer, dou-lhe DUAS! 

- E agora digo NÃO para fazer valer a força das duas negativas anteriores que você tenta transformar no SIM que vende por aí como democracia, dou-lhe TRÊS! 

Xeque-mate! E váyase a la México, Evo Morales!

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