RADIOGRAFIA DO MERCADO DE TRABALHO ACREANO - Parte I

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Por Edinei Muniz 

Com o objetivo de colaborar com as equipes e setores envolvidos na abertura de oportunidades de emprego e renda no âmbito do Estado do Acre optamos pela realização de um estudo indicativo - sugestivo à reflexão - focado na temática.

Para tanto, percorreremos dados oficiais produzidos pelo IBGE, através  da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio (PNAD), de publicação trimestral, e também aqueles produzidos pelo Ministério do Trabalho, que foca o emprego formal por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

A conversa será longa. Longa e desafiadora da atenção dos interessados. 

E desde já advirto: o texto não visa de modo algum suscitar polêmicas de viés político. A crise, e esse é o primeiro fato que brota como inconteste, atinge e cria dificuldades para todos: gestores públicos, empreendedores, empregadores e trabalhadores.

Iniciaremos analisando o desempenho da população economicamente ativa, também chamada de 'força de trabalho' pelo IBGE.

Como não iremos a lugar algum se não entendermos o que o IBGE classifica como desemprego, é necessário, de início, revisarmos o conceito. 

Desempregado para o IBGE é aquele que não estava trabalhando nos trinta dias anteriores  à realização da pesquisa. 

É necessário ressaltar que só será considerado desempregado quem tomou alguma providência efetiva durante os trinta dias visando conseguir trabalho. Caso não, estaremos diante do desalento e não do desemprego. 

A taxa de desalento informa o percentual de pessoas que mesmo aptas ao trabalho desistiram de procurá-los por acharem que não vão encontrar oportunidades de ocupação.     

A taxa de desemprego e a taxa de desalento representam, em síntese, os dados mais robustos no tocante ao termômetro do mercado de trabalho. E será sobre eles que iremos nos debruçar como item primeiro do referido apanhado.

Conforme já frisado no início do texto, os dados do desemprego regional são  apresentados pelo IBGE através da PNAD, divulgada a cada trimestre. A última publicação refere-se ao segundo trimestre de 2019 (maio a julho).

Até julho de 2019, 357 mil acreanos integravam a força de trabalho ou população economicamente ativa. Ou seja: tínhamos 357 mil pessoas ocupadas ou procurando emprego. Dessas, 308 mil estavam ocupadas e 48 mil desocupadas.

A Taxa de Desemprego calcula-se como o número de pessoas desocupadas dividido pela População Economicamente Ativa (PEA), multiplicado por 100. No caso, 48 mil (desocupados) dividido por 357 mil (população economicamente ativa), multiplicado por 100.

Feita a continha, chegamos a 13,44% de taxa de desemprego até julho de 2019. No trimestre anterior (jan a mar), a taxa foi de 17,9%, uma queda de 4,5% do primeiro para o segundo trimestre de 2019, um dos melhores desempenhos do país.

Um dado bastante interessante diz respeito ao volume de pessoas aptas ao trabalho que encontram-se desocupadas sem que estejam procurando ocupação. 

Até março do corrente ano, 22,6% da população economicamente ativa encontrava-se nessa condição. Em julho, o percentual caiu para 20,5%.

O referido resultado mostra-se bastante positivo, eis que saímos da terceira para a sexta posição no ranking nacional em relação ao percentual da população apta ao trabalho que encontra-se fora dele e que também já desistiu de procurar ocupação. Os dados mostram melhora da confiança dos trabalhadores em relação à expectativa de encontrar ocupação no mercado de trabalho. 

Em relação ao referido indicador, na Região Norte, apenas o Pará apresentou desempenho superior ao Acre. Superamos, inclusive, e muito, a média verificada em nível nacional. E o melhor: interrompemos a tendência crescente que teve início no terceiro trimestre do ano passado.

Enfim, os dados recentes mostram que estamos no caminho certo, já que é visível que o Acre vem resistindo com bravura exemplar aos efeitos  tidos como irresistíveis da crise em nível macro. 

Eu volto...


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