O Crime vai Vencer? – Por Cassio Rizzonuto

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Cássio Rizzonuto

Nada como um dia atrás do outro, e a noite no meio. Os vetos derrubados pelo Congresso Nacional, referentes à Lei de Abuso de Autoridade, ganharam foco mais evidente com a prisão do ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda (MDB). Ele formou uma quadrilha com a família e rouba o estado há anos, segundo a PF.

Além dele, foram presos seu pai, José Edmar Brito Miranda, 85 anos de idade, e seu irmão, Brito Miranda Júnior. Marcelo Miranda foi presidente da Assembleia Legislativa por duas vezes e é um dos (ir)responsáveis pela criação do tal de Parlamento Amazônico, penduricalho estatal que consome dinheiro público e de nada serve.

Seu pai foi também deputado estadual e sua esposa, Dulce Miranda (MDB), é deputada federal. O ex-governador, aliás, foi preso no apartamento da mulher, em Brasília. São todos bem-sucedidos milionários das tetas públicas que, como se percebe, passam a vida servindo à população e dando o melhor de si.

Marcelo Miranda é useiro e vezeiro nos desmandos e desvios. Ele vem sendo alvo de várias operações efetuadas pela PF, mas, como a maioria, sempre se sai bem. Em 2016, a Operação Reis do Gado o levou de forma coercitiva para depoimento. Dessa feita, seu pai foi indiciado.

Ele foi pego, também, na “Marcapasso”, na “Pontes de Papel”, indiciado na “Convergência”, em 2017, delatado na Lava-Jato e indiciado em inquérito que apura a existência de servidores fantasmas (2019), no governo do Tocantins. Conseguiu até se eleger senador, quando inelegível, e não teve como vir elaborar leis em Brasília.

Será que o eleitorado brasileiro é idiota? Será que só tem ladrão no nosso desmoralizado país, ou ninguém liga para o Legislativo? Só isso pode explicar o envio do rebotalho moral da vida nacional para a criação e feitura de leis. São figuras desse naipe que querem destruir a Lava-Jato, cercear a PF e ditar normas e regras.


Gente assim destruiu o Projeto Anticrime de Sérgio Moro e tenta arrasar a sua reputação. Como é que o criminoso fazendo leis irá permitir algemas, prisão e medidas que coíbam a roubalheira? São infratores atuando em causa própria. Salafrários oferecendo os piores exemplos.

Em 2018, Marcelo Miranda e a vice, Cláudia Lélis, foram afastados do governo do Tocantins por “abuso de poder econômico” na campanha eleitoral de 2014. O ministro Gilmar Mendes (STF), determinou sua volta, justificando a necessidade de restaurar a “confiança jurídica”.

O TSE terminou por decidir pelo afastamento definitivo, pois as provas de falcatruas se avolumavam. Deixar Marcelo Miranda seria referendar o crime organizado a partir do Palácio do Governo. Há quem diga existir espécie de conluio entre legisladores e parte do Judiciário, razão pela qual uma CPI da Toga não é aprovada.

O fato é que, relatos como tais, com a Polícia Federal apresentando provas, datas, números e reincidências gritantes, afundam a credibilidade da administração pública nacional e mostram que os Poderes da República apodreceram na corrupção. Como se sabe, desde que o novo governo assumiu as taxas de criminalidade caíram.

O ministro Sérgio Moro (Justiça), tem buscado aprovar plano que reduza de forma significativa desmandos existentes. Mas como aprovar, se boa parte dos integrantes do Congresso Nacional responde a processos criminais dos mais variados? Os tentáculos da rede são vastos e assustadores. Será que os presos de agora irão esquentar suas celas?


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