Exercício Interminável - Por Márcio Accioly

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Márcio Accioly

O ex-presidente José Pepe Mujica (Uruguai), afirmou, no domingo passado (28), que “a Venezuela é uma ditadura, nada além de uma ditadura”. Tal declaração surpreendeu todo mundo.

Em março, quando da violenta repressão a manifestantes, ele chegou a declarar que “não é para se colocar à frente de blindados”, quando alguns foram atropelados por veículos militares. Mas o que fez o velho maconheiro mudar de posição?

Muitos apostam que a proximidade das eleições presidenciais conseguiu mexer com o frio coração do defensor de drogas (foi ele quem liberou a livre comercialização de cannabis sativa no país), pois pretende eleger Daniel Martinez, candidato da Frente Ampla, coalizão de esquerda que se encontra no poder desde 2005.

A pobre América Latrina sofreu fortíssimo abalo, a partir da década de 90, especialmente com a criação do Foro de São Paulo. Os então presidentes, Lula da Silva (Brasil) e Hugo Chávez (Venezuela), conseguiram instalar, na maioria dos países do Continente, cambulhada de assaltantes dos cofres públicos que fizeram grande estrago.

A participação dos dois foi muito importante, através do fornecimento de recursos financeiros e de manobras diversionistas, capturando o apoio dos povos de seus respectivos países. Destruíram suas economias, mas provaram ser capazes de manipular e impor vontades.

A ascensão de Lula e Chávez, além de consolidar a corrupção generalizada, colocaram também o Continente no rendoso tráfico de drogas, aproveitando a experiência com esse tipo de trabalho e contatos estabelecidos pelas FARCs colombianas.

Ainda não se investigou a fundo o papel desempenhado pelo hoje presidiário brasileiro nesse setor, mas os caminhos estão abertos e as evidências doem na vista de quem observa. Se as Forças Armadas brasileiras e o governo Bolsonaro não apurarem com esmero a questão, os bandidos envolvidos sairão incólumes e a situação tende a se repetir.

Pepe Mujica consegue enganar a muitos desavisados. Há quem celebre o fato de andar montado num velho fusca, possuir discurso demagógico e ostentar pinta de bom moço, embora vinculado aos piores esquemas e desgraças que afligem nosso Continente.

O ex-presidente uruguaio sempre defendeu Chávez com unhas e dentes, embora o venezuelano tenha levado o seu país à caótica situação ora vivida. Mujica deseja eleger o seu candidato, torcendo para que a Argentina traga Cristina Kirchner de volta, mesmo na condição de vice-presidente na chapa encabeçada por Alberto Fernández.

A vida é mesmo assim: luta permanente entre os contrários. Quando se pensa que o imbróglio foi resolvido, recomeça o drama. A única saída é tentar administrar os percalços e evitar armadilhas e quebradas. Manter olhos e ouvidos bem abertos, esquivando-se de sereias travestidas. Vivemos no pior dos mundos.


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