Bolsonaro, quem diria, está com Lula – Por Cássio Rizzonuto

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Cássio Rizzonuto

Pode-se afirmar, sem margem de erro, que o presidente Jair Bolsonaro tornou-se aliado do ex-presidente Lula da Silva (PT). Eleito com aspirações nacionais de fortalecer a Lava-Jato, combater a corrupção e promover indispensáveis mudanças (especialmente no STF, com a indicação de ministros qualificados), ele capotou.

De forma paradoxal, tudo aconteceu com a ida de Sérgio Moro para a pasta da Justiça. O ex-juiz federal montou Ministério irretocável, as peças todas funcionando, capaz de fazer inveja ao mais exigente dos legalistas.

Aí, veio o Coaf, quando se investigavam contas bancárias de Gilmar Mendes e Toffoli (ambos do STF), Isabel Gallotti (STJ) e o senador Flávio Bolsonaro, entre outros. O fato de aquele órgão cumprir suas devidas funções causou problemas. De repente, o presidente da República não sabia mais o que fazer. Como salvar o próprio filho?

A receita foi fazer um pacto com o presidente do STF, Dias Toffoli, acusado pela Revista digital Crusoé de receber propina mensal de cem mil reais mensais, através do escritório de advocacia de sua mulher, Renata Rangel. A denúncia jamais foi comentada através dos chamados jornalões, e não se ouviu palavra por parte do indigitado!

Fechado acordo esdrúxulo, o Coaf se transformou numa batata quente: não poderia ficar na Justiça, por ser território de Moro. Então, por votação no Congresso, foi entregue ao Ministério da Economia. Aí, Paulo Guedes (Economia), deixou Moro cuidar do assunto, nomeando quem iria montar sua estruturação. A batata voltou a assar.

Empurra aqui e acolá, o Coaf se encontra agora no Banco Central, mas poderá se transferir para outro cenário, dependendo de riscos. O problema é que a mulher de Toffoli e a mulher de Gilmar Mendes também estavam sendo investigadas, juntamente com o esquema do filho de Bolsonaro (caso Queiroz). Bolsonaro não teria como suportar!

O ministro Sérgio Moro, então convidado pelo recém-eleito presidente para atuar com “carta branca”, passou a ser hostilizado publicamente pelo presidente. A carta se tornou marcada. O STF, sentindo-se forte, já começou a anular sentenças proferidas por Moro quando ainda juiz federal. Como a de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras.

A corda está esticando e a batata quente começa a queimar. Entre os que hostilizam Moro (não são difíceis de identificar), há, agora, os que defendem sua demissão. Mas o ministro da Justiça continua agindo de forma correta. Não mudou, quem está mudando é o governo. E o STF se dispõe, agora, a anular sentenças aplicadas a Lula.

O drama é que Bolsonaro está dando respaldo a tudo isso, interessado em salvar o filho senador, envolvido em rolos urdidos com seu ex-funcionário Queiroz. O mundo dá tantas voltas que a posição de Bolsonaro irá resultar em favorecimento a Lula da Silva.

A população que foi às ruas gritar, protestar e eleger Bolsonaro, terminou nesse emaranhado que tem como objetivo salvar o ex-presidente petista das alças da Justiça. Quando será que o Brasil começará a mudar? Será que todos continuarão a insistir?


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