Os eleitores e o fim dos tempos - Por Cássio Rizzonuto

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Há quem imagine que, se pelo menos metade da população brasileira estudasse com afinco, ou lesse alguma coisa, a representação do país, no Congresso Nacional, não seria o horror que se presencia no dia-a-dia.

Para se constatar o desespero, a bestialidade, a desgraça que são nossos representantes, basta ver o ex-jogador e senador Romário (PODE-RJ), na Presidência da CAS - Comissão de Assuntos Sociais. Ou o palhaço-deputado-federal Tiririca emitindo opiniões sobre o governo Bolsonaro, ou a respeito de qualquer outro governo ou assunto.

É claro que vivemos num lugar de maioria canalha, portanto, os representantes políticos, os homens públicos, não poderiam ser diferentes. Mas eles bem que poderiam ter aprendido, pelo menos, a falar, ler e escrever. Como é que se pode pensar que um país como o Brasil irá desabrochar, com a qualidade dos homens públicos que aí estão?

A decadência, poder-se-á argumentar com justa razão, é mundial. O problema é que “o Brasil”, conforme deixou bem claro o antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, “é o único lugar que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização”.

Aqui, tudo é feito à base de remendo! No dia seis de fevereiro de 2018, desabou parte de um viaduto na Asa Sul de Brasília, sem que ninguém ficasse ferido ou morresse. Um lugar de grande movimentação, com fluxo inacreditável de veículos. Justamente num instante em que os veículos todos não estavam circulando, a coisa desabou.

O tal viaduto vinha sendo apontado como passível de desabamento desde 2009. Quase dez anos antes! Agora, a rodoviária central de Brasília, que divide as asas sul e norte, comungando espaço com o “eixo monumental” (rodovia que leva à Praça dos Três Poderes) está correndo o risco de cair. Mas resolveram tomar alguma providência.

A Capital Federal se mostra envelhecida, seus ferros e estruturas ameaçados, mas os governantes ali colocados só pensam em se locupletar. Brasília elegeu uma série de ladrões que destruíram seu patrimônio e fizeram vergonhosa carreira política. Os do PT não deram trégua nos assaltos aos cofres públicos, mas todos foram iguais e coniventes.

Se nossos homens públicos tivessem algum conhecimento e entendimento, iriam descobrir que a novilíngua criada por George Orwell, na obra “1984”, foi por eles reinventada no desenrolar da roubalheira de Petrobras. Porque, agora, os bandidos querem soltar o ex-presidente Lula da Silva e aprisionar o juiz que os condenou, Sérgio Morro.

Fica difícil para a sociedade reagir ao impositivo descalabro, porque o nível de entendimento e de conhecimento está na lona. O país está cheio de faculdades e universidades distribuindo diplomas e cursos universitários a mancheias, sem que os “laureados” consigam ler ou escrever. É o caos oficializado e programado.

Os cursos da chamada área de Ciências Humanas deveriam ser, sem exceção, fechados. A língua nativa não é entendida nem falada! É um tal de “pra mim fazer”, “pra mim trazer”, “pra mim deixar”, que se generalizou e desmontou estruturas. E ainda tem gente querendo aprender idioma estrangeiro, “analfabetizando-se” em línguas variadas.

O avanço agressivo de parcela dos representantes políticos, tentando atingir e desmoralizar o que ainda sobra de referência moral no país (como o ataque ao ministro da Justiça, Sérgio Moro), é de ousadia inominável. Se essas forças conseguirem vencer (eles possuem aliados fortes nas instituições, inclusive STF), será o fim.

Pior de tudo é saber que a sociedade coloca esses representantes no Congresso Nacional, encarregando-os da feitura de leis que irão utilizar para livrar a si próprios dos roubos que praticam. O distinto público está se matando com o veneno da má escolha.


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