Os Destemperos Perdoados - Por Cássio Rizzonuto

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Por Cássio Rizzonuto

Os brasileiros vivem surto de “moralidade” permanente, pregando seriedade e princípios éticos, porque o país é de primeira linha e cheio de pruridos. Desde que a Rede Globo transformou o Brasil num bordel de quinta categoria (em trabalho lento e bem-sucedido), procura-se purgar pecados a cada oportunidade, sem que se perca a chance.

Veja-se agora, por exemplo, a celeuma levantada com a intenção de Bolsonaro em nomear o filho embaixador nos EUA. Quando presidente (1995 a 2003), FHC nomeou Renan Calheiros ministro da Justiça e Raul Jungmann ministro do Desenvolvimento Agrário e ninguém disse nada. Todos aceitaram caladinhos.

Para o Desenvolvimento nomeou Sérgio Amaral (que depois seria embaixador nos EUA), cidadão que saía do Ministério e corria para a Rodoviária de Brasília à cata de namorados que selecionava entre recrutas do Exército que circulavam naquelas cercanias.

Certa feita, teve carro e roupas roubadas e foi resgatado num motel da Cidade Satélite de Taguatinga onde havia terminado a noitada. Não se ouviu qualquer condenação da chamada classe política, pois todos estavam perfeitamente alinhados.

Quando o então senador baiano Antônio Carlos Magalhães, o ACM, era homem todo poderoso da política tupiniquim, o diplomata Paulo Tarso Flecha de Lima passou por quase todo o circuito “Elizabeth Arden”, ocupando embaixadas nas principais Capitais do mundo: Roma, Paris, Londres e Washington.

Depois que ACM morreu descobriu-se que tanta dedicação residia no fato de ele (o senador), ter um filho com a mulher do embaixador, Lúcia Flecha de Lima, pois ela entrou com ação judicial reclamando parte da herança para o filho em comum.

Descobriu-se, também, que existia aposento na casa do diplomata que servia ao senador baiano e a embaixatriz, pois algumas pessoas da alta sociedade alimentam hábitos e costumes que não comportam questionamento advindo de mortais sem pedigree.

O problema é que, hoje, existem as redes sociais, despejando informações aos montes que desnudam ética trapaceira de vigaristas de alto naipe que pregam valores morais de conveniência duvidosa. Àquela época, nada disso era possível.

Então, qual o problema do atual presidente em indicar o próprio filho, deputado federal, para um cargo político em que a lealdade e a confiança são principais requisitos? Se ele tivesse o comportamento de Sérgio Amaral, ou admitisse pecados conjugais como os tolerados por Paulo Tarso Flecha de Lima, estaria melhor qualificado?

Sem contar o escândalo do Instituto Rio Branco, em que o embaixador foi envolvido, com o desvio de valores que possivelmente contribuíram para a milionária compra de terrenos que mantinha no Parkway, em Brasília.

A ética dos brasileiros, em geral, tem alicerce no analfabetismo, alimenta-se no desconhecimento da história e na louvação insana do primeiro pilantra que caia na graça de apaixonada maioria. Que falta de pudor!


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